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Liderados pela empresa IBEMA Participações, a concessão pioneira da Mata Atlântica prevê substituição de árvores exóticas por nativas, obras estruturais e ações de pesquisa
Primeiros lotes de madeira já foram colhidos na Flona de Irati. Árvores com mais de 50 anos e diâmetro superior a 35 cm já começam a abastecer o mercado regional. Foto: Leticia H. Pabis

Leticia H. Pabis

A Floresta Nacional de Irati deu início à execução do contrato de concessão firmado em novembro de 2023 com a empresa Flona Irati, sociedade de propósito específico ligada à holding IBEMA Participações. O acordo é pioneiro no Brasil por se tratar da primeira concessão de uma área de Mata Atlântica, com duração de 35 anos.

O engenheiro florestal Filemom Mokochimski, responsável técnico, explica que o objetivo central é substituir espécies exóticas por nativas, ao mesmo tempo em que se realiza a exploração sustentável da madeira Pinus, já existente no local. A área total da Flona é de 3.800 hectares, dos quais 3.018 foram destinados à concessão, com o restante preservado para visitação e uso público.

Nos primeiros dias de operação, já foram removidas cerca de mil toneladas de madeira, em fase de ajustes, o que sinaliza o início efetivo da colheita. A meta é cortar até 145 hectares por ano, o que representa em torno de nove mil toneladas mensais.

Filemom destacou que o trabalho já começou de forma organizada. “O modelo já está desenhado, agora é só a gente colocar em prática de forma sistemática, contínua, que a gente tem todas as áreas mapeadas, inventariadas, então a gente consegue dar sequência ano a ano nas atividades. A gente já iniciou retirando um volume de madeira, começamos o trabalho de colheita e a ideia é dar sequência, processo que vai ser contínuo por 35 anos”, disse Filemom

A madeira da Flona é considerada diferenciada, já que muitas árvores têm mais de 50 anos, com diâmetro acima de 35 cm, em contraste com reflorestamentos comerciais colhidos entre 18 e 20 anos.

Foto: Leticia H. Pabis

O destino do produto será o mercado regional, em um raio de até 50 km, atendendo serrarias e a construção civil. “A madeira a gente vende em cotas e praticamente todas já foram esgotadas. Isso porque quem testou os primeiros lotes viu a qualidade que a gente tem aqui dentro, que é diferente. O pessoal percebeu essa diferença e já garantiu a compra. Isso mostra que tem demanda e que os recursos para os investimentos vão vir da própria comercialização da madeira”, explicou.

Além da exploração, a empresa elaborou o novo Plano de Manejo e o Plano de Proteção Florestal. Esses documentos preveem medidas de combate a incêndios e invasões, a criação de uma brigada permanente com cerca seis brigadistas, veículos 4×4 e radiocomunicação, além de reformas em 19 estruturas do complexo histórico. Entre elas estão demarcados a casa do visitante, a portaria, a capela, a criação de um auditório e de um ecomuseu, e também o escritório do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade). Algumas das edificações presentes no local tiveram suas estruturas condenadas e serão reconstruídas, preservando características originais indicadas pelo Serviço Florestal.

No uso público, a concessão prevê melhorias para atender aos visitantes, como a construção de churrasqueiras, banheiros, parque infantil e estacionamento. As trilhas serão reformadas e adequadas, com interrupções temporárias apenas em áreas de colheita. O ICMBio mantém atribuições legais sobre a unidade como órgão federal, mas não é o operador do contrato, ou seja, a operação turística permanece sob gestão do Instituto, mas a infraestrutura será revitalizada pela concessionária.

Filemom, responsável técnico da concessão, explica a organização das áreas de colheita e restauração na Flona, que já iniciou a retirada de pínus. Foto: Leticia H. Pabis

Reflorestamento

O plano de restauração da floresta prevê plantar cerca de 1,2 milhão de árvores nativas nos primeiros oito anos, sendo metade de erva-mate, além de araucária, bracatinga, espinheira-santa, louro-pardo e canela-guaicá.

“A prioridade é a diversidade genética. A gente tem a previsão de plantar, mais ou menos, 1,2 milhão de árvores nos primeiros oito anos, sendo que 50% desse volume vai ser de erva-mate, e o restante dividido entre araucária, bracatinga, espinheira-santa, louro-pardo, canela-guaicá. Estamos coletando sementes aqui dentro da própria Flona e também com parceiros como o Colégio Florestal, a Unicentro e viveiros locais. A ideia é criar um banco de sementes para que a gente consiga, no futuro, consolidar a Flona como um polo demonstrativo de silvicultura de nativas e também produtor de sementes”, afirmou Filemom.

Outro eixo é a pesquisa com pínus, espécie introduzida no Brasil em caráter experimental na própria Flona. Alguns indivíduos situados no local ultrapassam oito toneladas, contra média de 600 quilos em plantios comerciais. A intenção é analisar a adaptação e instalar um pomar de sementes em área externa.

Além disso, os trabalhos também preveem que 3% da receita bruta sejam destinados continuamente a treinamentos comunitários, em áreas como brigada de incêndio, produção de mudas, agroindústria e meliponicultura. Mais de 60 empregos locais devem ser gerados entre estradas, colheita, silvicultura e administração, além de estágios em diversas áreas.

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