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XV Fenafep transforma feijão preto em vitrine do agro e da cultura de Prudentópolis

Evento marcou os 120 anos do município com shows nacionais, Maior Feijoada do Mundo, palestras, coroação da realeza e espaço para a agricultura familiar
Foto: Karina Ludvichak

Karina Ludvichak

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A XV Festa Nacional do Feijão Preto (Fenafep) movimentou Prudentópolis entre os dias 14 e 16 de agosto, no Centro de Eventos Terra das Cachoeiras Gigantes, em uma edição que também integrou as comemorações dos 120 anos do município. A programação reuniu os shows nacionais de Edson & Hudson, Marcos & Belutti e Mari Fernandez, além de apresentações culturais, gastronomia, exposições, Corrida Rústica, Casamento Coletivo de 67 casais e atividades voltadas ao agronegócio. Na abertura, Agnes Eduarda Barella foi coroada rainha da XV Fenafep, ao lado da 1ª princesa Maria Eduarda Kuttert e da 2ª princesa Diana Futra.

Foto: Assessoria Prudentópolis

Um dos criadores da Fenafep, o prefeito Adelmo Luiz Klosowski acompanhou mais uma edição à frente da administração municipal. Para ele, a estrutura disponível e as novidades apresentadas em 2026 mostram a evolução da festa desde sua criação. Entre os investimentos citados estão a nova panela própria do município, a arena multiuso, novos banheiros e a ampliação do espaço físico. “Eu sou um dos criadores da festa, que começou desde a edição número um. É um privilégio muito grande estar hoje, novamente, como prefeito na 15ª edição”, afirmou.

Outro destaque foi a tradicional Maior Feijoada do Mundo, servida no sábado (15). Segundo o gerente operacional do SOS, Nelson Lopes, responsável pela preparação desde 2019, a receita utilizou 600 quilos de feijão, 1,4 mil quilos de embutidos e defumados e 1,2 mil litros de água, com cerca de sete horas de cozimento. Aproximadamente 2,5 mil pessoas puderam ser atendidas. A edição também contou com a programação alusiva ao aniversário de Prudentópolis, que teve Missa em Ação de Graças e Desfile Cívico, além das atrações realizadas durante os três dias da festa.

Foto: Folha de Irati

Adelmo também destacou o crescimento alcançado ao longo dos anos e a ligação pessoal que mantém com o evento. “O sentimento é muito grande, é imensurável. Passa todo um filme pela cabeça. A primeira festa foi no centro da cidade, uma festinha pequena, e hoje a Fenafep é uma das maiores festas da região”, disse.

O vice-prefeito Juarez Antônio, que também participou das atividades e acompanhou o preparo da feijoada, reforçou a dimensão conquistada pela festa e a evolução da estrutura destinada ao público. “Começou pequena, foi expandindo. Hoje, o nosso Centro de Eventos é um dos mais bonitos da região”, avaliou.

Foto: Reprodução

PALESTRAS

A programação voltada ao agro teve entre os destaques a participação da diretora de Pesquisa do IDR-Paraná, Vânia Moda Cirino, que apresentou um panorama da produção de feijão. Segundo ela, a safra 2025/2026 registrou redução da área cultivada e da produção paranaense, influenciada principalmente por problemas climáticos e pelos preços baixos, cenário que desestimulou parte dos produtores. Por outro lado, a recuperação dos preços e iniciativas para ampliar a exportação podem criar novas oportunidades para a cultura.

Foto: Karina Ludvichak

Vânia também ressaltou o papel da tecnologia no aumento da produtividade. “Nas últimas quatro décadas, a área destinada ao feijão no Paraná caiu de aproximadamente 800 mil para entre 400 mil e 500 mil hectares, enquanto a produção cresceu com o desenvolvimento de cultivares mais produtivas e resistentes”, observa. Em Prudentópolis, a pesquisadora lembrou os prejuízos provocados pela mosca-branca e pelo mosaico-dourado e apontou variedades resistentes e controle biológico entre as alternativas. “O agricultor que planta feijão é agricultor familiar e tem na lavoura do feijão uma das suas principais fontes de renda”, destacou.

O biólogo e naturalista Richard Rasmussen abordou a relação entre sua profissão e o setor agropecuário. Ele relata que a trajetória de um biólogo dentro do agro nem sempre foi simples, mas afirma que o diálogo avançou à medida que produtores e sociedade passaram a compreender melhor a possibilidade de conciliar produção e conservação.

Durante a palestra, Richard também destacou pesquisas com produtos biológicos e práticas voltadas à sustentabilidade, além da responsabilidade ambiental existente na produção brasileira. Para ele, preservação e atividade agropecuária não precisam ocupar lados opostos. “É aqui que a gente produz e protege florestas”, resumiu ao defender o modelo de produção sustentável.

Foto: Reprodução

IG DA CRACÓVIA

A Fenafep também serviu de vitrine para um dos produtos mais representativos de Prudentópolis: a Cracóvia, que recebeu do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), em janeiro de 2025, o registro de Indicação de Procedência, modalidade de Indicação Geográfica (IG). O reconhecimento abrange o município e identifica o tradicional embutido preparado com pernil suíno temperado e defumado, cuja produção está ligada à herança dos descendentes de imigrantes ucranianos.

Foto: Folha de Irati

Representando a Machulek, empresa da sua família que recebeu o IG, Douglas Luiz apresentou na feira diferentes produtos da agroindústria, entre eles salame colonial, copa, linguiças, cracóvia tradicional, versões com queijo e frango e derivados de porco-moura. O reconhecimento do IG se soma à expansão comercial da marca, que já mantém produtos em mercados de diferentes cidades paranaenses e também trabalha com vendas pela internet. “Hoje nós vendemos mais no Paraná […], mas também tem a venda online”, explicou.

AGRICULTURA FAMILIAR

Entre os expositores, Joelma Bruno de Oliveira levou à Fenafep produtos cultivados e preparados pela própria família. “A gente tem o morango, que é produção própria nossa, a quincã, o feijão preto, copo da felicidade e espetinho trufado”, contou. Sobre a presença do público, destacou o aumento do movimento: “Depois do almoço já começou a dar bastante gente passando por aqui”.

Foto: Folha de Irati
Foto: Folha de Irati

Para Daniel Kratkouski, da Casa Sapori, de Guamiranga, a participação marcou praticamente o lançamento de uma nova agroindústria familiar, com balas de banana com gengibre, goiabadas e doces cremosos produzidos desde o cultivo da fruta até o produto final. A Fenafep, segundo ele, vai além das vendas: “Mais do que vender na feira, mais do que o comércio, é a divulgação. A gente pode trazer nossa marca e mostrar que a produção local é forte”.

Eulélia, do Aveia e Mel Empório Natural, de Prudentópolis, chamou atenção com frutas e vegetais liofilizados. “Eles passam por um processo de desidratação e congelamento, que retira a hidratação da fruta e ela fica chips, crocante”, explicou. A expositora também avaliou positivamente a movimentação: “Está sensacional. Muita gente passando, muita gente comprando”.

Foto: Folha de Irati
Foto: Folha de Irati

A produtora Inês Zarebel apostou em pães, broas, cucas, conservas, geleias, mini corovais e até bolo de feijão, cuja cobertura também leva o ingrediente símbolo da festa. Na avaliação da expositora, a edição avançou em relação ao ano anterior: “Está boa, está melhor do que ano passado. Superou”.

O mel também ganhou espaço com Tarsízio Kraiczek, que representou produtores ligados à associação PAN e à marca Terra das Abelhas. “Temos mel de abelha com ferrão, mel de abelha sem ferrão e hidromel”, explicou. Depois de um primeiro dia prejudicado pela chuva, ele percebeu recuperação no fluxo de visitantes. “O movimento está muito bom. Estamos vendendo bem”, afirmou.

Foto: Folha de Irati
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Já Thiago Kuzma apresentou a produção reunida pela nova cooperativa de produtores de Prudentópolis, a Cooperprud, com itens como morango, maracujá, feijão, ovos, amendoim, abacaxi, pimentão, alface e repolho. “O nosso mais forte está sendo o morango e o maracujá, mas tudo o que tem aqui está junto numa cooperativa”. A estreia no evento surpreendeu positivamente: “Está nos impressionando muito. Tem muita gente de fora visitando, buscando saber o que a cooperativa faz, e estamos conseguindo vender bem”.

Ao chegar à 15ª edição, a Fenafep reforçou uma característica presente desde sua criação: transformar o feijão preto e a produção rural em elementos de identidade de Prudentópolis. Entre entretenimento, gastronomia, pesquisa, cultura e comercialização, o evento abriu espaço tanto para grandes atrações quanto para produtores que encontram na festa uma oportunidade de apresentar marcas, ampliar mercados e mostrar ao público a diversidade produzida no município e na região.

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