Convenções partidárias confirmaram os principais nomes ao Governo do Paraná e ao Senado; na região, lideranças articulam candidaturas à Assembleia Legislativa e à Câmara dos Deputados
Com o encerramento das convenções partidárias, o cenário das eleições de 2026 começa a ganhar contornos mais definidos no Paraná. Os partidos já apresentaram seus principais nomes para as disputas ao Governo do Estado e ao Senado, enquanto lideranças regionais intensificam as articulações para concorrer a deputado estadual e federal.
A eleição deste ano será realizada em 4 de outubro. Os eleitores escolherão presidente da República, governador, dois senadores, deputados federais e deputados estaduais. As convenções terminaram na quarta-feira (5), mas os partidos ainda têm até 15 de agosto para protocolar os pedidos de registro das candidaturas na Justiça Eleitoral. Portanto, os nomes homologados nesta fase ainda precisam passar pela análise do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná.
Na região, a expectativa se concentra principalmente na definição dos candidatos que buscarão representar municípios da nossa região, totalizando 14 candidatos confirmados, até o momento. Sendo que três deles são de Irati e seis de São Mateus do Sul. Nomes como Cezar Batatinha, vereador mais votado em Irati, Jorge Derbli, ex-prefeito, e Rafael Felipe Lucas, ex-deputado estadual e também foi candidato a prefeito de Irati nas eleições de 2024.
Até o fechamento desta edição, haviam colocado seus nomes à disposição para deputado estadual:
Cezar Batatinha (UNIÃO), de Irati; Teka dos Animais (Terezinha Grudeski) (UNIÃO), de Prudentópolis; Emerson Bacil (PL), de São Mateus do Sul; Pedro Ivo (PT), de União da Vitória; Silvio Przywitowski (MDB), de São Mateus do Sul; Cassio Kotrich (Solidariedade), de São Mateus do Sul; Thays Bieberbach (PT), de União da Vitória; Rafael Felipe Lucas (Podemos), de Irati; Hussein Bakri (PSD), de União da Vitória.
Para deputado federal, os nomes apresentados ou articulados na região eram:
Jorge Derbli (Republicanos), de Irati; Drª Cristina Veloso (Progressistas), de São Mateus do Sul; Omar Picheth (PSB), de São Mateus do Sul; Luciano Castilho (Podemos), de São Mateus do Sul; Santin Roveda (PSD), de União da Vitória.
O desafio regional será evitar uma pulverização excessiva dos votos, que historicamente reduz as possibilidades de eleição de representantes diretamente ligados aos municípios da região.
Entre os candidatos com atuação ou origem regional, deverão integrar a disputa para reeleição: Deputado estadual: Hussein Bakri (PSD); Alisson Wandscheer (PP); Artagão Junior (PSD); Marcelo Rangel (PSD) (vai à federal); Professor Lemos (PT); Romanelli (PSD); Moacyr Fadel (PSD); Ademar Traiano (PSD); Anibelli Neto (MDB); Cristina Silvestri (PP); Mabel Canto (PP);
Deputado Federal: Beto Preto (PSD); Aliel Machado (PV); Toninho Wandscheer (PP); Satin Roveda (UNIÃO); Leandre Dal Ponte (PSD); Beto Richa (PSDB); Felipe Francischini (Podemos); Pedro Lupion (Republicanos); Rodrigo Estacho (PSD); Tadeu Veneri (PT);
Três disputas ao Governo do Paraná
No Paraná, a disputa pelo Palácio Iguaçu está organizada principalmente em torno das candidaturas de Sandro Alex (PSD), Sergio Moro (PL) e Requião Filho (PDT). Os três representam estratégias políticas distintas e buscarão ocupar o espaço deixado pelo governador Ratinho Junior, que encerra o segundo mandato e não pode disputar nova reeleição. Além deles, são possíveis nomes Luiz França (Missão) e Tony Garcia (DC).
O deputado federal e ex-secretário estadual de Infraestrutura e Logística do Paraná, Sandro Alex (PSD), representa o projeto de continuidade da atual administração. Sua candidatura pretende utilizar os resultados do governo Ratinho Junior, a presença do grupo governista nos municípios e as obras executadas no interior como principais ativos eleitorais.
Na avaliação do analista político e de comportamento eleitoral, Jeulliano Pedroso, a candidatura de Sandro Alex está estruturada sobre a ideia de continuidade, pacificação política e valorização das entregas do atual governo. O analista observa que a presença de Rafael Greca (MDB), anunciado como vice na chapa, fortalece a composição. “O efeito prático é uma chapa forte no interior, por conta da base governista nos municípios, e competitiva na capital. No fundo, é uma candidatura de três nomes. Sandro Alex, Rafael Greca e o próprio governador. A estratégia se aproxima da busca por um terceiro mandato por outra via”, disse.
Já o senador Sergio Moro (PL) aposta na força de sua imagem pública, na aproximação com o eleitorado de direita e no capital político construído durante a Operação Lava Jato, tendo Edson Vasconcelos (PL) como vice na chapa.
A partir de 16 de agosto estará autorizada a propaganda eleitoral nas ruas e na internet
Segundo Jeulliano Pedroso, Moro (PL) inicia a disputa sustentado pela vinculação com o eleitorado bolsonarista e pelo prestígio que a Lava Jato ainda conserva entre parte dos paranaenses. “Os resultados efetivos da operação foram desestruturados, e o marco que sustentava a narrativa, a prisão de Lula, perdeu sentido político com o retorno do petista ao Planalto. Em terras paranaenses, porém, a Lava Jato ainda guarda prestígio, e as pesquisas mostram isso. Na disputa pelo Senado, Moro largou em posição melhor e sofreu desgaste ao longo da campanha. Resta saber se o padrão se repete agora”, explcia.
No campo da esquerda, Requião Filho (PDT) procura reunir o eleitorado ligado ao presidente Lula e à tradição política construída por seu pai, o ex-governador Roberto Requião. A estratégia combina a defesa dos serviços públicos com uma tentativa de modernização do discurso político. O vice escolhido na chapa é Michele Caputo Neto (Solidariedade).
Para Jeulliano Pedroso, Requião Filho (PDT) ocupa um espaço eleitoral específico, “é também a candidatura com a equação mais dependente do comportamento alheio. Ela precisa que nem o governista e nem Moro ultrapassem a faixa dos 30%, porque é aí que se encontra o teto histórico do voto de esquerda no Paraná”.
Corrida ao Senado terá duas vagas
A eleição para o Senado deverá ser uma das mais disputadas do Paraná, pois cada eleitor poderá votar em dois candidatos. Entre os nomes apresentados ou articulados para a disputa estão: Alexandre Curi (Republicanos); Cristina Graeml (PSD); Filipe Barros (PL); Gleisi Hoffmann (PT); Dr. Rosinha (PT); Deltan Dallagnol (NOVO); Karen Guerreiro (Missão); Joaquim Maciel (UP).
As convenções realizadas no Paraná já indicaram algumas composições. O grupo governista confirmou Alexandre Curi e Cristina Graeml, enquanto o campo liderado por Requião Filho apresentou Gleisi Hoffmann e Dr. Rosinha. O grupo de Sergio Moro confirmou Filipe Barros para a disputa, além de Deltan Dallagnol. As definições ainda precisam ser conferidas após o prazo final de registros.
A corrida ao Senado deverá reunir candidatos com grande exposição estadual e nacional. Além da estrutura partidária, serão determinantes a capacidade de formar dobradas regionais, o apoio de prefeitos, vereadores e lideranças locais e a vinculação com os candidatos ao Governo do Estado.
Fotos: Reprodução redes sociais
Região busca ampliar representação
Para a região, a eleição de deputados estaduais e federais possui peso direto sobre a capacidade dos municípios de captar recursos, incluir obras nos orçamentos e manter interlocução com os governos estadual e federal.Os candidatos com base regional deverão concentrar suas campanhas em temas como saúde, infraestrutura urbana, pavimentação rural, agricultura, educação, desenvolvimento econômico e fortalecimento dos hospitais e consórcios intermunicipais.
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Entretanto, a região poderá enfrentar novamente o risco da divisão dos votos entre vários nomes. Quanto maior o número de candidaturas com bases semelhantes, mais difícil se torna alcançar uma votação suficiente para conquistar uma cadeira na Assembleia Legislativa ou na Câmara Federal. Esse cenário coloca prefeitos, vereadores e grupos partidários diante de uma decisão estratégica em apoiar nomes diretamente ligados à região ou manter alianças com deputados de outras áreas que já destinam recursos aos municípios.
Na avaliação de Jeulliano Pedroso, as convenções partidárias revelaram um ambiente de incerteza. No cenário nacional, partidos de centro e de médio porte evitaram comprometer integralmente suas estruturas com uma única candidatura presidencial e deram prioridade à formação de bancadas na Câmara e no Senado.Para o analista, esse movimento indica que as legendas ainda não possuem segurança sobre o resultado e preferem preservar liberdade para construir alianças estaduais. Jeulliano Pedroso ainda diz que três temas deverão orientar as campanhas “segurança pública, corrupção e economia. Também é prudente antecipar dois traços do processo. A campanha será fortemente judicializada. E o noticiário policial terá peso desproporcional na formação da opinião pública”.
Fotos: Reprodução redes sociais
No Paraná, Pedroso resume o cenário como uma disputa entre três estratégias: “a candidatura de Moro centrada na imagem; a de Sandro Alex apoiada nas entregas e na continuidade; e a de Requião Filho baseada no eleitorado de esquerda e na vinculação com o presidente Lula”, disse.
O DivulgaCandContas, sistema mantido pelo Tribunal Superior Eleitoral, reunirá os dados de todas as pessoas que apresentarem pedido de candidatura, incluindo partido, número, situação do registro, bens declarados e informações de campanha. A partir de 16 de agosto, estará autorizada a propaganda eleitoral nas ruas e na internet. Até lá, a região continuará acompanhando as últimas articulações, a confirmação das dobradas e a definição dos nomes que buscarão representar a região nas decisões estaduais e nacionais.