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Tragédia na BR-373 é uma das maiores perdas já registradas na história do Paraná

Micro-ônibus da Saúde transportava pacientes para Curitiba quando se envolveu em colisão com um caminhão em Ipiranga; cinco pessoas sobreviveram
Ginásio Municipal de Esportes de Imbituva recebeu o velório de sete das vítimas do acidente e teve grande participação popular Foto: Nilton Pabis

Esther Kremer

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A madrugada de quarta-feira (19) ficará marcada na história de Imbituva e de toda a região como o acidente mais letal do Brasil em 2026. Um micro-ônibus utilizado pela Secretaria de Saúde de Imbituva, que levava pacientes para atendimentos em Curitiba, se envolveu em uma colisão com um caminhão, placa de Erechin-RS, na BR-373, entre os km 209 e km 210, em Ipiranga. Ao todo, 23 pessoas morreram e cinco sobreviveram.

Das vítimas fatais, 22 estavam no veículo de Imbituva. O motorista do caminhão também morreu. Entre os mortos, foram oito homens, 13 mulheres e duas crianças que haviam saído de casa durante a madrugada em busca de consultas, exames e tratamentos de saúde.

A colisão aconteceu por volta das 3h30. As primeiras informações chegaram ainda nas primeiras horas da manhã e foram sendo atualizadas conforme avançavam o trabalho das equipes de emergência, a retirada das vítimas e os procedimentos de identificação.

Acidente aconteceu por volta das 3h30 da manhã e mobilizou equipes da segurança pública. Foto: PRF

Pela dimensão da tragédia, a ocorrência se tornou o acidente mais letal registrado nas rodovias federais brasileiras em 2026. No Paraná, o número de vítimas coloca a colisão como o segundo acidente rodoviário mais letal da história do Estado. O primeiro foi registrado em 1993, na BR-116, envolvendo um ônibus que fazia a linha Fazenda Rio Grande–Curitiba e um automóvel, resultando na morte de 45 pessoas após o coletivo cair de um barranco.

Mais do que números, entretanto, a tragédia atingiu famílias inteiras e um município onde muitas das vítimas eram conhecidas umas das outras ou da mesma família.

As vítimas

As 23 pessoas que morreram neste trágico acidente foram identificadas:
Adenilson Chaves dos Santos, 37 anos; Azelia Grisoski Stadler, 75 anos; Cinthia Souza de Oliveira, 35 anos; Clodoaldo Ananias Ribeiro de Jesus, 56 anos; Cristiane Luíza da Silva, 29 anos; Edenilze Teresinha Bronguel de Jesus, 50 anos; Edineia Lemes Batista, 38 anos; Elisabeth do Rocio Malaquias Rodrigues, 54 anos; Elisandra Batista, 6 anos; Erick Cezar Wiertel, 38 anos (motorista da Saúde de Imbituva); Evelyn Cristina de Jesus Silva, 10 anos; Ivonete das Graças Malaquias, 59 anos; João Paulo de Almeida, 26 anos; Liane Bienert, 56 anos; Lucimara Guilherme, 30 anos; Marcos Vinicius Marconato, 45 anos; Meirielli Neiverth Marconato, 44 anos; Miriam Vieira Magalhães, 50 anos; Nelson Luiz Bronguel, 61 anos; Rosemari Nortok Cosmo, 58 anos; Valderi Stadler, 47 anos; Willieny Brandt Marconato, 32 anos; Alex Rivail, condutor do caminhão.

O que se sabe sobre a colisão

Na manhã de quinta-feira (20), o secretário de Estado da Segurança Pública do Paraná, coronel Hudson Leôncio Teixeira, esteve no Ginásio Municipal de Esportes de Imbituva, onde acompanhou o velório e conversou com familiares. Durante coletiva de imprensa, ele também deu detalhes sobre os trabalhos realizados pelas forças de segurança e sobre a investigação que busca esclarecer as causas da colisão.

Segundo Hudson, os levantamentos feitos até o momento indicam que o caminhão estava na contramão no momento da colisão. “O que se percebe é que o condutor do caminhão, o veículo estava na contramão da via e bateu frontalmente com o ônibus. A impressão que dá é que o ônibus foi deslocado para fora. Não se sabe se o motorista tentou desviar do caminhão, se algum deles dormiu. Enfim, isso quem vai dizer depois é a Polícia Civil”, afirmou.

No momento do acidente, segundo a PRF, não havia chuva, neblina ou outra condição climática adversa que pudesse explicar a colisão. Questionadas sobre a possibilidade de o motorista ter dormido ao volante, as autoridades afirmaram que essa é apenas uma hipótese que não pode ser confirmada antes da conclusão das perícias.

Um dos elementos que passarão pela análise da investigação é o cronotacógrafo do caminhão, equipamento responsável por registrar dados como velocidade, tempo de deslocamento e períodos de parada. “No momento foi constatado que o tacógrafo do veículo não estava em pleno funcionamento, então isso também vai ser autuado, mas ele estava ferido, mas não estava em pleno funcionamento no momento da colisão”, explicou o chefe da Delegacia da PRF de Ponta Grossa, Inspetor Berteli.

A Polícia Científica deverá analisar os veículos, incluindo condições dos pneus e dos sistemas de freio. Também serão realizados exames toxicológicos nos condutores. “Em resumo, é todo esse conjunto de exames que vai permitir que seja feita alguma conclusão acerca do ocorrido. O prazo legal para conclusão é de 10 dias. Alguns exames demoram mais do que esse prazo. Então, a gente vai trabalhar com celeridade para que a gente consiga fazer no tempo ainda menor”, disse o diretor operacional da Polícia Científica, perito Leonel Letnar.

A investigação reúne trabalhos da Polícia Rodoviária Federal, Polícia Científica e Polícia Civil. A Polícia Científica ficou responsável pela perícia no local e pelas análises dos veículos. A PRF também deverá produzir um laudo sobre a ocorrência. Somente depois da reunião desses documentos e dos demais elementos será possível apontar tecnicamente a causa predominante do acidente.

A BR-373 possui pista simples no trecho onde ocorreu a colisão. Dados da própria PRF mostram que colisões frontais estão entre os tipos de acidente com maior potencial de letalidade nas rodovias federais. Em 2025, elas foram responsáveis por 190 mortes no Paraná, correspondendo a 32% dos óbitos registrados nas BRs que cortam o Estado.

A PRF também tem alertado para o aumento das mortes nas rodovias paranaenses em 2026. Somente nos dois primeiros meses do ano, 101 pessoas morreram, aumento de 14,7% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A tragédia de Ipiranga, porém, possui uma dimensão excepcional. Com 23 vidas perdidas em uma única colisão, o acidente se tornou o mais letal das rodovias federais brasileiras neste ano e entrou para a história como uma das maiores tragédias rodoviárias já ocorridas no Paraná.

Sobre os sobreviventes

Segundo o coronel Hudson, na relação do micro-ônibus, haviam 31 pessoas que fariam a viagem, foram localizadas no acidente 28 pessoas, das quais 23 tinham óbito, sendo que 22 estavam no veículo da Saúde e uma era o motorista do caminhão, e cinco sobreviveram à colisão e foram encaminhados para atendimento em Ponta Grossa. Conforme informações oficiais divulgadas no dia do acidente, os cinco sobreviventes são Edenilda Taymara Pereira de Medeiros, de 26 anos; Assis Cabreira, de 50 anos; Luan Gabriel de Brito, de seis anos; Elio Antônio Rosa, de 49 anos; e João Miguel Pereira, de 22 anos.

Apesar da gravidade do acidente e do estado que ficou o micro-ônibus, cinco pessoas sobreviveram. Foto: Reprodução

Durante a coletiva das forças de segurança, foi informado que duas vítimas haviam sido levadas em estado grave para atendimento hospitalar, duas foram encaminhadas à UPA Santa Paula e uma criança seguiu para atendimento no Hospital Universitário Materno Infantil (HUMAI). Posteriormente, o comandante do 5º CRBM, Coronel Lorenzetto, informou que as cinco estavam estáveis, após passarem pelos exames e procedimentos necessários.

Além dos sobreviventes, outras quatro pessoas estavam na relação de ocupantes do micro-ônibus para irem até Curitiba, porém, por algum motivo, não compareceram. Como é o caso do pequeno Luiz Artur Lopes de sete anos, que iria consultar com um cardiologista na capital e esperava há três anos pela consulta, todavia, segundo relato da mãe, a criança ficou doente na semana e não pode ir. Além de Luiz, cerca de mais duas pessoas perderam o horário da saída do micro-ônibus.

Uma força-tarefa para identificar as vítimas

Diante do número de mortes, uma grande estrutura foi mobilizada para atendimento da ocorrência e identificação dos corpos. A Polícia Científica recebeu reforços de profissionais de diferentes cidades. Corpo de Bombeiros, Polícia Civil, PRF e Polícia Militar também ampliaram as equipes envolvidas. Psicólogos foram mobilizados para acolher familiares na Secretaria de Saúde de Imbituva e acompanhar os mesmos até o IML, também foram orientados sobre reconhecimentos das vítimas em Ponta Grossa, além da disponibilização da Defensoria Pública para prestar orientações jurídicas.

Na unidade da Polícia Científica (IML) foram iniciados procedimentos de necropsia e identificação seguindo protocolos utilizados em ocorrências com múltiplas vítimas. A principal técnica utilizada para identificação foi a necropapiloscopia, por meio das impressões digitais. As condições dos corpos permitiram que grande parte do trabalho fosse realizada sem a necessidade de procedimentos mais demorados.

Imbituva amanheceu em luto

O secretário de Saúde de Imbituva, José Valdeinei Menon, definiu o dia como um dos momentos mais dolorosos já vividos pelo município. “Nosso município amanheceu em luto por diversas famílias que tiveram suas vidas ceifadas por essa lamentável situação. Eram pessoas que estavam buscando melhorar a sua saúde e, infelizmente, por essa grande tragédia, tiveram suas vidas interrompidas”, lamentou.

O caso repercutiu rapidamente em toda a região e mobilizou uma grande comoção popular, além de autoridades municipais, estaduais e federais. O Governo Paraná decretou luto oficial de três dias em todo o Estado.

“O Paraná amanhece em luto após acidente em Ipiranga. Meus sentimentos às famílias das vítimas e toda a comunidade de Imbituva. Aos feridos, desejo que tenham uma recuperação rápida. Nossas forças de segurança já estão atuando para entender o que aconteceu e esclarecer as causas do acidente. Que Deus dê conforto e força a todos que enfrentam essa dor”, disse o governador Ratinho Junior em nota nas redes sociais.

A Prefeitura de Imbituva também decretou luto oficial no município, mantendo os serviços essenciais na quarta-feira (19). O prefeito Bertoldo Rover, esteve acompanhando todos os processos desde o momento do acidente até o velório das vítimas. Emocionado em boa parte do tempo, Rover lamentou profundamente o ocorrido. “Diante do trágico acidente ocorrido na BR-373, que vitimou moradores de nossa região, manifestamos profundo pesar e solidariedade a todas as famílias e amigos atingidos por este momento de dor. Neste momento de profunda tristeza, Imbituva se une em solidariedade às famílias, desejando força e conforto a todos que enfrentam esta dolorosa perda” disse.

O vice-prefeito do município, Dirceu José Camargo, descreveu a dimensão do acidente como algo até então nunca vivenciado pela região. “É um momento de extrema tristeza, de luto para Imbituva. Um acidente assim nunca visto na nossa região, com tantas vítimas. Estamos sem palavras diante da dimensão que isso vai trazer para a nossa cidade”, afirmou.

Todos os prefeitos da Amcespar e da região também lamentaram a tragédia. “Em nome de todos os prefeitos da AMCESPAR, manifestamos nosso profundo pesar pela tragédia ocorrida em Ipiranga, que vitimou moradores de Imbituva. Neste momento de dor, nos solidarizamos com familiares e amigos das vítimas, desejando força e conforto a todos, além de pronta recuperação aos feridos”, destacou a nota publicada pelo presidente da entidade, Leandro Jasinski.

Além de autoridades, diversos munícipes de toda a região, Associações Comerciais, indústrias, lojistas, etc, lamentaram profundamente o ocorrido e publicaram mensagens de luto em redes sociais. O gerente da Afubra de Irati e Imbituva, Adrian Bronguel, perdeu os pais, Edenilze Teresinha Bronguel de Jesus e Nelson Luiz Bronguel no trágico acidente e as lojas também decretaram luto, realizando atendimentos apenas a partir das 13h de quinta-feira (20).

Os laudos ainda terão a responsabilidade de explicar tecnicamente o que aconteceu na BR-373. Para as famílias e para uma cidade inteira, porém, nenhuma explicação será capaz de dimensionar completamente a perda deixada pela madrugada de 19 de agosto de 2026. A Folha de Irati se solidariza e lamenta todas as perdas neste trágico acidente, além disso, emanamos todas as boas energias e orações para os cinco sobreviventes deste acidente.

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