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Na foto, o grupo Tropeiros da Paz na chegada do Santuário de Nossa Senhora Aparecida – Foto: Reprodução

A viagem é feita a cavalo até o Santuário de Nossa Senhora Aparecida, localizado em Aparecida – SP, cobrindo aproximadamente 1000 km em 26 dias

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Esther Kremer


Desde sua formação em 2011, o grupo Tropeiros da Paz, de Rio Azul, tem se dedicado a preservar e promover a tradição do tropeirismo, um movimento importante na interligação dos polos econômicos do Brasil no século XVII. Este ano, o grupo já embarcou em uma jornada que está se tornando tradição entre os participantes, uma viagem a cavalo até o Santuário de Nossa Senhora Aparecida, localizado em Aparecida – SP, cobrindo aproximadamente 1000 km em 26 dias.

O grupo, que foi fundado em 25 de maio de 2011, possui o objetivo de fortalecer laços de amiza-de, independente dos lugares que passarem. Como são devotos de Nossa Senhora Aparecida, decidiram visitar o santuário e fazer o caminho montados em cavalos, para reviver o tropeirismo. Os participantes deste ano foram: Quirino Alfredo Bucco, Edilson Kruk, Sergio Kovalski, Nestor Garanteski, Juliano Soares e Sergio Spek. Como apoio, estão acompanhando o grupo Ozio Garanteski, Gregório Pelek e Ari Pszybysz.

O grupo viajou por 26 dias para concluir a trajetória até Aparecida – Foto: Reprodução


“É a quarta vez que eu participo. Nós não fazemos esta viagem para nos aproveitar do animal, para maltratar o bichinho, nós pensamos no bem-estar deles. Fazemos a repartição dos dias, andamos quase sempre de madrugada por conta do sol, tudo para não prejudicar o animal”, disse Quirino, em entrevista.


Ao planejar a jornada, os Tropeiros da Paz enfrentaram um desafio significativo: evitar as estradas asfaltadas devido ao perigo representado pelo fluxo constante de veículos. Em vez disso, optaram por caminhos alternativos que não só garantem a segurança dos cavalos e dos cavaleiros, mas também permitem uma experiência mais autêntica, em sintonia com o espírito do tropeirismo original.
“Agora é mais fácil, nós fizemos muitos amigos em todas as viagens, então as pessoas ajudam com hospedagem e tudo. Mas de um certo ponto em diante, a rota vira turística e nós conseguimos locais para dormir, espaços para soltar os animais. Fazemos amizades que são muito grandes agora”, disse.


A VIAGEM E A FÉ
A escolha de realizar a jornada até o Santuário de Nossa Senhora Aparecida não é apenas uma questão de distância, mas de significado espiritual profundo. Para os membros do grupo, esta viagem representa uma demonstração de fé e devoção, uma oportunidade de conectar-se com pedidos e graças alcançadas.
“Há 33 anos atrás, mais ou menos, eu estive em Aparecida, fui de carro, conhecendo a história de Nossa Senhora e sendo devoto dela, eu tinha este desejo de ir até o Santuário a cavalo, mas nunca amadureci a ideia. Em 2010, nós fizemos uma cavalgada até São João do Triunfo, lá nós começamos a amadurecer a ideia de ir até Aparecida e em 2013 realizamos a primeira viagem”.

“Ou você fica em casa, no sofá, escutando a história dos outros, ou você sai de casa e vai fazer a tua história”

– Quirino Alfredo Bucco


Para Quirino, o motivo que leva os tropeiros a realizar a aventura é a fé. “Eu, particularmente, sempre tive o desejo de ir, uma fé muito grande. Só quem já foi sabe, passar 26 dias, uma prova de fé muito grande. É um trajeto árduo, cansativo e é pesado. Não é para qualquer um, tem que ter fé. Ou você fica em casa, no sofá, escutando a história dos outros, ou você sai de casa e vai fazer a tua história”.


E O FUTURO?
Para o futuro, os Tropeiros da Paz continuam comprometidos em manter viva a tradição do tropeirismo. Cada jornada como a viagem a Aparecida não é apenas uma aventura, mas um testemunho vivo dos tropeiros e da perseverança em manter suas tradições vivas.


A viagem dos Tropeiros da Paz até o Santuário de Nossa Senhora Aparecida é mais do que uma simples expedição, é um ato de devoção. Segundo Quirino, o desejo é realizar a viagem a cavalo até o Rio Grande do Sul. “Queremos ir até a Fazenda Santa Fé, que mantém um fogo acesso, diz a história, por mais de 200 anos e nós queremos fazer esta visita. O tropeirismo lá é bem forte e nós queremos muito fazer”.

O tropeirismo foi essencial para o desenvolvimento econômico e social do Brasil colonial, conectando regiões distantes através de rotas terrestres frequentemente desafiadoras. Os Tropeiros da Paz não apenas celebram essa herança histórica, mas também a mantêm viva por meio de suas próprias viagens e atividades, que recriam as jornadas dos tropeiros originais para espaços que perpetuam a fé.


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