Ariane Luz
O avanço de um sistema atmosférico pelo Sul do Brasil aumentou a preocupação da população diante das informações sobre tempestades severas e da possibilidade de formação de um El Niño muito forte. Entretanto, os dados divulgados pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) e pela Defesa Civil indicam que o cenário previsto para o Rio Grande do Sul não deve se repetir no Sudeste do Paraná nesta semana.
Conforme o Boletim de Gestão de Riscos, válido entre quinta-feira (16) e sábado (18), o sistema atmosférico deve alimentar tempestades severas e chuva volumosa principalmente no território gaúcho. No Paraná, porém, não há previsão de tempestades severas associadas diretamente a esse sistema. O principal efeito esperado é o aumento das temperaturas e da velocidade dos ventos.
A orientação, portanto, é de atenção preventiva, mas sem alarmismo. Para municípios do Sudeste paranaense, como Irati, Rebouças, Rio Azul, Teixeira Soares, Fernandes Pinheiro, Imbituva, Mallet, Prudentópolis e localidades próximas, o risco indicado nos mapas varia entre baixo e moderado durante a maior parte do período.
Ventos exigem atenção na região
Os ventos devem soprar predominantemente dos quadrantes norte e noroeste. Na quinta-feira, grande parte do Sudeste aparece fora das áreas de risco mais elevado. Na sexta-feira, a região está majoritariamente classificada com risco baixo, correspondente a rajadas entre 50 e 60 quilômetros por hora.
No sábado, algumas áreas do centro-leste e do sul paranaense passam para o nível de risco moderado, com possibilidade de rajadas entre 60 e 70 quilômetros por hora. As maiores velocidades, próximas ou superiores a 80 quilômetros por hora, estão concentradas principalmente nas regiões Oeste e Sudoeste do Estado, especialmente na sexta-feira.
Mesmo com risco menor no Sudeste, rajadas isoladas podem causar queda de galhos, danos em estruturas frágeis e interrupções pontuais no fornecimento de energia. A população deve evitar permanecer próxima a árvores, postes, placas, coberturas metálicas e estruturas que possam se desprender.
El Niño não é uma tempestade que “chega” à região
Apesar do uso frequente da expressão “super El Niño”, é importante esclarecer que o El Niño não é uma tempestade ou frente fria que atinge uma cidade de forma repentina. Trata-se de um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, capaz de alterar a circulação dos ventos e influenciar o regime de chuvas durante vários meses.
O fenômeno foi oficialmente declarado em 11 de junho de 2026, quando as águas do Pacífico Equatorial apresentavam anomalia de aproximadamente 0,7°C. Segundo a nota técnica da Defesa Civil e do Simepar, há uma probabilidade de 63% de que o evento alcance intensidade muito forte entre meados da primavera e o início do verão.
Isso significa que a possibilidade de um El Niño muito forte está relacionada principalmente aos próximos meses, e não necessariamente aos ventos registrados nesta semana. O episódio atual é provocado pela combinação entre uma área de baixa pressão no norte da Argentina, uma área de alta pressão sobre o oceano e o fortalecimento do chamado Jato de Baixos Níveis, que transporta calor e umidade da Amazônia para o Sul do país.
Primavera poderá exigir maior preparação
Historicamente, períodos de El Niño favorecem chuvas acima da média na Região Sul e podem aumentar a frequência de vendavais, granizo, alagamentos, enxurradas e inundações. A intensidade e a localização desses eventos, no entanto, não podem ser determinadas com meses de antecedência.
Vendavais e tempestades de granizo são fenômenos localizados e de rápida formação. Por isso, as projeções climáticas de longo prazo servem para preparar os municípios, enquanto os alertas emitidos poucas horas antes dos eventos continuam sendo a principal referência para a população.
No Sudeste do Paraná, a atenção deverá ser reforçada especialmente em áreas próximas a rios, córregos, encostas e locais com histórico de alagamentos. A recomendação aos municípios é manter galerias pluviais desobstruídas, realizar a limpeza de canais e calhas, verificar pontes e cabeceiras e revisar os planos de contingência.
Cuidados simples reduzem os riscos
A Defesa Civil orienta que os moradores revisem telhados, limpem calhas e retirem objetos soltos de quintais, sacadas e áreas externas. Durante ventos fortes, não é recomendado buscar abrigo sob árvores ou estruturas metálicas frágeis.
Em caso de tempestade, motoristas e pedestres não devem atravessar ruas ou estradas alagadas. Rachaduras no solo ou em muros, inclinação de árvores e postes e movimentação de encostas devem ser comunicadas imediatamente à Defesa Civil, pelo telefone 199, ou ao Corpo de Bombeiros, pelo 193.
Para receber avisos diretamente no celular, o morador pode enviar gratuitamente o CEP de sua residência por SMS para o número 40199. Os órgãos estaduais informam que o monitoramento permanecerá ativo durante 24 horas e que os alertas serão atualizados conforme as condições atmosféricas evoluírem.
Assim, embora o Paraná já esteja sob influência do El Niño e exista possibilidade de o fenômeno se tornar muito forte nos próximos meses, não há indicação, neste momento, de tempestades severas generalizadas no Sudeste paranaense nesta semana. A situação exige prevenção e acompanhamento dos alertas oficiais, mas não justifica pânico.

