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Seminário em Irati debate tradição e futuro da agricultura familiar

Encontro reuniu mais de 300 participantes de diferentes municípios e colocou no centro do debate os saberes tradicionais, a organização coletiva e os caminhos para o futuro do campo
Seminário foi pensado como um espaço de troca de experiências e valorização da memória do campo - Foto: Karina Ludvichak

Karina Ludvichak

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Agricultores, representantes de cooperativas, sindicatos, associações, entidades de assessoria e instituições públicas se reuniram no CT Willy Laars, em Irati, nos dias 12 e 13 de agosto, para debater sobre o presente e o futuro da agricultura familiar no Centro-Sul do Paraná. Com participação de diferentes municípios e mais de 300 pessoas, o seminário foi pensado como um espaço de troca de experiências, valorização da memória do campo e construção de estratégias para enfrentar os desafios atuais sem deixar de lado conhecimentos acumulados por gerações.

Com o tem “O tradicional é moderno: Seminário de Integração da Agricultura Familiar e Sistemas Tradicionais de Produção”, a proposta partiu da ideia de aproximar os conhecimentos tradicionais à modernidade. Sementes crioulas, práticas produtivas tradicionais, organização comunitária, agroecologia e novas tecnologias aparecem não como elementos opostos, mas como partes de um mesmo processo de fortalecimento da agricultura familiar. Vanderson de Andrade de Souza, presidente da Comdafar de Rebouças, destacou que a troca entre gerações é um dos pontos centrais. “Precisamos trazer essa agricultura antiga e trazer a tecnologia e a modernidade juntos. Não pode se perder. As duas têm que caminhar juntas”, afirmou. Para ele, “muitos dos problemas vividos hoje pelo setor já foram enfrentados no passado e, em alguns casos, as respostas podem estar justamente na experiência das famílias agricultoras”, complementa.

Programação trouxe para o centro do debate os temas memória e resiliência – Foto: Karina Ludvichak

A presidente da União das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária do Estado do Paraná (Unicafes Paraná), Aline Pazda, também apontou o seminário como parte de um movimento mais amplo de fortalecimento das cooperativas. A entidade atua na representação política do setor e na execução de projetos em diferentes regiões do Estado, incluindo ações de agroecologia, sistemas agroflorestais e inclusão de jovens e mulheres. “É um momento onde nós estamos conseguindo ir a campo e trabalhar as cooperativas”, afirmou Aline. Para ela, o cenário atual permite ampliar o acompanhamento técnico e buscar crescimento, produção e melhores condições para que as políticas públicas cheguem efetivamente às famílias agricultoras.

Na organização do seminário, a AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia atua em parceria com o Coletivo Triunfo, articulação que reúne cooperativas, sindicatos, associações, grupos formais e informais, pesquisadores, estudantes e representantes do poder público. A assessora técnica da AS-PTA Luiza D’Amigo explicou que o encontro procura reconstruir a trajetória da agricultura familiar da região para projetar os próximos anos. “O objetivo do seminário é basicamente esse, a gente reconstruir coletivamente essa memória da agricultura familiar, olhando para o futuro”, resumiu.

TEMÁTICAS

A programação do seminário foi dividida em dois dias temáticos. No dia 12 de agosto, o Dia da Memória da Agricultura Familiar reuniu momentos de acolhimento, abertura oficial, debates sobre as trajetórias da agricultura familiar e a conjuntura atual, além de trabalhos em grupo. Já no dia 13, o Dia da Resiliência da Agricultura Familiar teve atividades voltadas às autonomias do setor, à apresentação de experiências das organizações do território, à socialização dos debates, a uma mesa de diálogos políticos e à plenária final, encerrando o encontro com um café da partilha.

Estruturada em torno de dois eixos, a programação trouxe para o centro do debate os temas: memória e resiliência. O primeiro busca recuperar mudanças vividas nas últimas décadas, práticas tradicionais e conhecimentos transmitidos entre gerações; o segundo coloca em discussão experiências que já ajudam as comunidades a resistir às dificuldades e a criar alternativas. Entre elas estão iniciativas de cooperativas, grupos de mulheres e famílias guardiãs da agrobiodiversidade. Para Luiza, olhar para o passado não significa tratar o tradicional como algo ultrapassado, “mas reconhecer sua capacidade de oferecer soluções atuais e de orientar novas formas de produção e organização”, observa.

A preservação das sementes crioulas apareceu como exemplo concreto dessa relação entre memória e futuro. Vanderson lembrou que a região já teve forte produção de feijão preto e que a redução do consumo contribuiu para diminuir essa atividade entre pequenos produtores. Por isso, cooperativas e agricultores ainda buscam manter variedades de feijão e milho e estimular sua produção. No contexto do seminário, experiências como essa ajudam a mostrar que conservar sementes, conhecimentos e formas de cultivo também significa preservar alternativas de renda, autonomia produtiva e identidade para as comunidades rurais do território.

As sementes crioulas são um exemplo concreto da relação entre memória e futuro – Foto: Karina Ludvichak

Ao reunir experiências locais e regionais em um mesmo espaço, o seminário reforça a agricultura familiar como uma das bases econômicas e sociais do Centro-Sul paranaense. Mais do que discutir técnicas de produção, o encontro coloca em pauta a preservação das sementes, a valorização dos conhecimentos tradicionais, o acesso às políticas públicas e a necessidade de articulação entre organizações.

Espaço contou com exposição de artesanatos feitos pelos agricultores – Foto: Karina Ludvichak

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