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Licenciamento da obra entre Irati e Prudentópolis foi apresentado à comunidade na segunda-feira (02)
Segundo a organização, a obra da BR-277está prevista para iniciar no segundo semestre de 2026 - Foto: Roberto Dziura Jr./AEN

Sthefany Brandalise

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Em reunião realizada na segunda-feira (02), na Câmara de Vereadores de Irati, moradores das proximidades da BR-277 questionaram técnicos da concessionária Via Araucária sobre desapropriações de terrenos, deslocamento de máquinas agrícolas e impactos da duplicação da rodovia. O encontro integrou o processo de licenciamento ambiental das obras no trecho entre Irati e Prudentópolis.


A reunião técnica informativa reuniu representantes da Via Araucária, órgãos ambientais e autoridades locais para apresentação do projeto e do Relatório Ambiental Simplificado (RAS), exigido para a liberação da licença ambiental. Segundo a organização, a obra está prevista para iniciar no segundo semestre de 2026, após o cumprimento das etapas legais e ambientais.


Na apresentação do projeto, a Via Araucária informou que a duplicação da BR-277 ocorrerá do km 266 ao km 285. O traçado prevê duas faixas por sentido, com largura de 3,60 metros, acostamento de 2,5 metros e canteiro central gramado com seis metros de largura. Também estão previstos dispositivos de retorno em desnível nos quilômetros 267, 271, 275, 282 e 285.


O coordenador de meio ambiente da Via Araucária, Alisson Mendonça, apresentou o RAS, que analisa os impactos da duplicação ao longo do trecho licenciado da rodovia. Segundo ele, o licenciamento considera toda a área de influência. “Dentro do licenciamento ambiental a gente analisa todo o cenário onde essa rodovia está passando”, explicou.


Na metodologia, foram avaliadas três áreas, diretamente afetadas, influência direta e indireta, considerando os meios físico, biótico e socioeconômico. Alisson também destacou que haverá intervenções em Áreas de Preservação Permanente, autorizadas por se tratar de obra de utilidade pública. “O RAS definiu que a duplicação da BR-277 é viável e benéfica para a região, desde que as medidas previstas sejam adotadas e aprovadas pelo órgão ambiental”, afirmou.


Durante a reunião, o prefeito de Irati, Emiliano Gomes, ressaltou que a duplicação da rodovia exige planejamento e participação coletiva. “Com toda a equipe, estamos pensando em soluções que possam, de fato, beneficiar a todos com essa obra. Minha obrigação enquanto prefeito é ouvir, colocar os técnicos à disposição e construir políticas para que ninguém seja prejudicado”, disse.


Na etapa participativa, produtores rurais questionaram o tráfego de máquinas agrícolas após a duplicação. O diretor de engenharia da Via Araucária, Pedro Veloso, explicou que o contrato prevê dispositivos de retorno ao longo do trecho, com intervalos aproximados de cinco quilômetros. Ele reconheceu que o impacto existe, mas afirmou que a solução completa não está prevista no contrato. “O objeto da concessão é a duplicação e a redução de acidentes. A transposição de máquinas agrícolas não será resolvida em todos os pontos”, afirmou.


Questionado sobre segurança viária, Pedro informou que, desde o início da operação da concessionária, houve redução de 8% no número total de acidentes, embora o índice ainda seja considerado alto. “A principal causa continua sendo o fator humano, com colisões frontais por ultrapassagens e cruzamentos irregulares”.


Sobre o cronograma, a Via Araucária informou que o marco contratual para conclusão do trecho entre Irati e Prudentópolis é fevereiro de 2028, com expectativa de início das obras após a emissão da licença de instalação, possivelmente até junho.


A concessionária também informou que o estudo prevê monitoramento da qualidade da água antes, durante e após as obras, além da implantação de 31 caixas coletoras de produtos perigosos para situações de acidentes com cargas.

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