Karina Ludvichak, com informações assessoria
A decisão da Prefeitura de Rebouças de encerrar a ampliação de carga horária do médico Jefferson Matsui Okamoto, que também é presidente da Câmara Municipal, gerou repercussão e motivou manifestações públicas tanto da Secretaria Municipal de Saúde quanto do profissional.
De acordo com a secretária municipal de Saúde, Anaiara Adamante, Jefferson permanece exercendo normalmente suas funções no município como médico concursado com carga horária de 20 horas semanais. O que foi encerrado, segundo ela, foi a ampliação de mais 20 horas que o profissional cumpria anteriormente, totalizando 40 horas de trabalho.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, A
naiara afirmou que a decisão foi tomada após avaliações internas relacionadas à produtividade dos atendimentos realizados durante o período noturno. “Ele continua trabalhando no município de Rebouças com 20 horas, então ele não foi exonerado do município”, esclareceu a secretária. Segundo ela, a administração identificou um número considerado baixo de consultas realizadas durante a ampliação de jornada.
A secretária explicou que foi apresentada ao médico a possibilidade de manter as 40 horas semanais, mas com a redistribuição dos atendimentos para o período diurno, com o objetivo de ampliar a oferta de consultas à população. No entanto, segundo Anaiara, a proposta não foi aceita. “Foi realizada uma proposta para ele cumprir as 40 horas durante o dia para aumentar essa produção, essas consultas, mas ele não aceitou e queria trabalhar apenas à noite”, afirmou.
Ainda de acordo com a gestora, a Secretaria optou por reorganizar os serviços médicos nas unidades de saúde do município, promovendo um sistema de rodízio entre os profissionais e buscando aproximar os atendimentos das comunidades atendidas por cada unidade.
A secretária também citou dados de produtividade e custos relacionados à contratação. Segundo ela, o médico recebia aproximadamente R$ 32 mil com a jornada ampliada e, somados outros benefícios, o valor chegava a cerca de R$ 40 mil mensais. Conforme a administração municipal, o número de consultas realizadas variava entre 75 e 150 atendimentos por turno, volume considerado insuficiente diante do investimento realizado.
Outro ponto mencionado por Anaiara foram ausências registradas no ambulatório, que, segundo ela, apenas no mês de junho teriam ocorrido três faltas sem justificativas ou apresentação de atestado médico, situação que teria provocado transtornos e necessidade de reagendamento de pacientes. “Todas as decisões são pautadas em indicadores de consulta e indicadores de gastos. Nenhuma decisão foi perseguição”, declarou.
A secretária também afirmou ter se sentido atingida pelas críticas divulgadas nas redes sociais e classificou a situação como um episódio de constrangimento pessoal e profissional. Em sua manifestação, ela destacou que as mudanças implementadas fazem parte da gestão administrativa da Secretaria de Saúde e negou motivação política na decisão.
Após a repercussão do caso, Jefferson Okamoto se pronunciou por meio de vídeo publicado nas suas redes sociais. O médico e presidente da Câmara contestou a versão apresentada pela administração municipal e afirmou que a medida possui motivação política. “É uma perseguição, porque eu sou presidente da Câmara e sou médico, e eles não conseguem discernir isso daí”, disse.
A Folha de Irati entrou em contato com o médico para que pudesse se manifestar sobre o assunto, mas até o fechamento da edição o médico disse que não tem interesse em se manifestar.