Esther Kremer
Quando dezembro chega e as luzes começam a brilhar pelas ruas de Rio Azul, um personagem já conhecido das crianças volta a aparecer, o Papai Noel. De barba branca, sorriso simpático e olhar acolhedor, ele é presença esperada em escolas, praças e eventos natalinos. Mas, por trás de o traje, há uma história cheia de memórias, fé e tradição, a construção de uma trajetória dedicada a preservar o verdadeiro espírito do Natal. Nesta matéria especial, vamos conhecer um pouco mais sobre as memórias natalinas de Romualdo Sumarcz, o Papai Noel de Rio Azul.
Morador antigo da cidade, diretor dos filmes “No Meu Tempo Era Assim”, Romualdo conta que sua ligação com o Bom Velhinho vem da infância, quando acreditava fielmente que Papai Noel descia pelas chaminés durante a noite para deixar os presentes. “Meu pai sempre contava a história de São Nicolau, um homem rico que ajudava os pobres e dava presentes às crianças. Foi com ele que aprendi o valor da generosidade e da esperança”, relembra.
O primeiro contato direto com a figura natalina aconteceu ainda menino, quando seu pai o levava para se vacinar no hospital da cidade. “Depois da vacina, ele me levava aos fundos, onde havia um Papai Noel sentado. Era a nossa recompensa, conhecer o Papai Noel de verdade, é a primeira lembrança que tenho”, conta.

Romualdo recorda com carinho as celebrações do passado. O Natal, diz ele, era preparado com semanas de antecedência, onde seu o pai cuidava das plantações, a mãe organizava a ceia e as crianças iam buscar o pinheirinho. “A gente buscava o pinheirinho no mato, tinha que ser o mais bonito e enfeitava com bolinhas, chocolates e fitas coloridas. E tinha que se segurar para não comer um chocolatinho antes da hora, era tentador demais. A decoração era simples, assim como em toda a cidade, a gente via mais na Igreja, tinha o presépio e luzes, muito diferente de hoje em dia que para onde olhamos, há um enfeite”, brinca.
As festas, segundo ele, também eram simples, mas cheias de união. “Matava-se o porco, fazia-se linguiça, carne assada e a cerveja caseira, que era o nosso refrigerante. O churrasco só acontecia no Natal, no Ano Novo e na Páscoa, a família toda se reunia, os parentes vinham de outras localidades e eu me recordo que íamos todos esperar eles chegarem na entrada da cidade, era uma alegria. Para mim, o Natal sempre teve sabor de alegria, porque a gente esperava o ano todo por aquele momento, não só pelo churrasco e presentes, mas por toda união”.
Entre as lembranças mais marcantes, Romualdo cita a ansiedade em esperar o Natal chegar com uma doce ingenuidade de criança. “Eu e meu irmão rasgávamos as folhinhas do calendário para o dia 25 vir mais rápido. Em nossa cabeça, nosso pai nunca descobriu que éramos nós os responsáveis por dezembro acabar em poucos dias naquele pequeno calendário”, diz, com o mesmo brilho no olhar de quem ainda acredita na magia dessa data.
Os presentes também eram modestos, um caminhãozinho, uma flauta, um violão pequeno, mas cheios de valor emocional. “Uma vez, me recordo de um Natal, nós ganhamos nossos brinquedos e a gente se apegava neles, passamos o dia todo subindo em árvore com os presentes, correndo para lá e cá, com o passar do dia, cada irmão acabou quebrando seu brinquedo, um por vez e o meu sobrou, quando fui ‘me achar’ pois estava inteiro o meu violãozinho, acabou que naquela birra toda, quebrou também. Ou seja, em um dia, já não tínhamos mais brinquedos novos. Mesmo assim, foi um dos Natais mais felizes que vivi”, recorda, rindo.
Com o passar dos anos, Romualdo cresceu, formou família e construiu sua vida em Rio Azul. Mas as memórias, a magia e o símbolo que marcou sua infância permaneceram, até chegar o momento de ele mesmo encantar as crianças. “Um dia me convidaram para ser o Papai Noel da cidade, e desde então nunca mais parei. É um orgulho poder fazer parte da alegria das crianças e das famílias nesse período tão especial.”
Para ele, o Natal continua sendo sinônimo de esperança e amor ao próximo. “Essa é uma época em que deveríamos abraçar mais, desejar o bem, ajudar quem precisa. O Natal é o nascimento do menino Jesus, e é isso que deve ser lembrado, o amor e a fé”.
Hoje, vestindo o traje vermelho que é um dos maiores símbolos do Natal para as crianças, Romualdo segue levando o espírito natalino pelas ruas de Rio Azul. Ao encerrar, ele deixa uma mensagem simples, mas não menos importante. “Que o Natal traga muita alegria, amor e prosperidade para todas as famílias, e que o menino Jesus abençoe cada um de nós. E, como diria o Papai Noel… ho, ho, ho! Feliz Natal!”.