Sthefany Brandalise
A música tem feito parte da rotina dos alunos da Escola Municipal Francisco Stroparo, em Irati. Por meio de uma parceria entre as secretarias de Cultura e Educação, estudantes do 2º ao 5º ano, do período da manhã, participam de aulas de musicalização, canto e flauta doce, em um projeto piloto que busca aproximar as crianças da arte e ampliar o acesso à cultura dentro das escolas.
Na sexta-feira (29), os alunos realizaram um ensaio geral, que marcou a demonstração dos conhecimentos adquiridos durante as aulas e evidenciou os primeiros resultados do projeto, que vem sendo desenvolvido ao longo deste ano.
Segundo o secretário de Cultura e Turismo, João Vitor Sviech, a iniciativa surgiu a partir de uma construção conjunta entre as secretarias. “Trata-se de uma iniciativa e uma parceria entre a cultura e a educação, onde a proposta é levar cultura e arte para dentro das escolas municipais. Em conversa com a Elicéia nós percebemos que temos a mesma linha de raciocínio, e que o melhor caminho para a gente poder investir na cultura é colocando-a dentro das escolas, plantando essa sementinha dentro da vida de cada uma dessas crianças que, num futuro muito próximo, estarão compondo a nossa comunidade”, disse.
A secretária de Educação, Elicéia Halatiki Szereda, destacou a importância da música no desenvolvimento dos estudantes e na formação das crianças. “Nós acreditamos que a música transforma e nós temos que despertar nas crianças o amor pela arte. E, principalmente, buscar aquelas crianças que já têm uma habilidade, para que desperte isso nela e busque, através da música, expressar os seus sentimentos. Esse projeto é inovador, nós buscamos através do credenciamento, da secretaria de Cultura. Então, o instrutor tem um MEI e, através disso, a gente conseguiu valorizar os artistas locais e ir fazendo essa interação, porque nós percebemos que, através da educação, você consegue atingir as famílias e desenvolver na criança todo esse amor pela música”, afirma.
De acordo com a diretora da escola, Daniele Regina Santos, os reflexos da iniciativa já podem ser observados no cotidiano dos estudantes e também relatados pelas famílias. “Os alunos adoram as aulas, o professor Rafael, e a gente vê um desenvolvimento muito grande na parte cognitiva, na memória e desenvolve a coordenação motora fina. Também têm a questão da paciência, de trabalhar em grupo. Então, a gente está vendo muitos benefícios para as aulas no geral”, afirmou.
As aulas são conduzidas pelo professor de música Rafael Augusto Costa de Almeida, que possui formação em Música e como Maestro. Ele conta acumula experiências profissionais dentro e fora do Brasil, e que encontrou em Irati a oportunidade de desenvolver o projeto. Segundo Rafael, a escolha da flauta doce foi estratégica para o início do trabalho com os estudantes. “Como a minha formação vai do erudito ao popular, e eu toco mais de 30 instrumentos diferentes, eu optei por começar a trabalhar com as crianças com a flauta doce. É um instrumento de fácil acesso, o custo-benefício é excelente, as crianças têm uma assimilação muito grande com a flauta, desenvolvimento, coordenação motora, então acaba se tornando um instrumento que todos têm acesso e o resultado vem em curto prazo. Todas as músicas que eu escolho no repertório da apresentação do coral são voltadas a mensagens positivas, músicas lúdicas com conteúdo e músicas populares com conteúdo de mensagens que eles podem levar isso para a vida inteira”, destaca.

Estudantes do 2º ao 5º ano, do período da manhã, participam de aulas de musicalização, canto e flauta doce – Foto: Sthefany Brandalise
A apresentação dos alunos também emocionou a secretária de Educação, que acompanha o desenvolvimento das atividades desde o início. “Eu estava muito ansiosa por esse dia. Quando o Rafael me disse que as crianças estavam nos aguardando para fazer essa apresentação fiquei muito feliz. E medida que eles foram cantando, não tinha como não se emocionar. E eu quero que toda a população de Irati passe por esse momento, porque só estando aqui para a gente sentir”, disse Elicéia.
Para as famílias, os resultados também já são percebidos em casa. A mãe das alunas Eliza e Elena, Nayara Araújo, afirma que a música trouxe mudanças importantes para as filhas. “Eu como mãe tenho só a agradecer. Nós trabalhamos com música na nossa casa, eu sempre via muita dificuldade das minhas filhas entrarem também nesse mundo. Mas o professor Rafael, ele traz esse diamante para que a gente vá lapidando e vá trazendo a música cada vez mais para dentro da nossa vida. E eu vi o quanto elas melhoraram, mudaram, se inspiraram através da música, com a postura, respiração, respeito, tempo e paciência. E hoje esse despertar nelas trouxe até a instrumentalização. Agora elas já estão aprendendo a tocar guitarra, a flauta, cantam já bem e falam melhor também nas apresentações dos trabalhos”, afirma.
Embora a apresentação tenha marcado uma etapa importante do projeto, a expectativa da administração é ampliar cada vez mais as ações culturais dentro das escolas. Conforme destacou João Vitor, a iniciativa é considerada um projeto piloto e os resultados observados agora servirão de base para que novas turmas e unidades escolares também possam ser contempladas futuramente. “Agora começam a aparecer os primeiros frutos, onde através deles a gente tem a expectativa, a esperança de que possamos levar para mais escolas. Expandindo esse projeto para que ele possa, de fato, atingir todas as famílias iratienses”, finaliza o secretário de Cultura e Turismo.