Projeto Parceiro da Escola foi votado em sessão remota após ocupação do Prédio do Plenário Legislativo por manifestantes; proposta recebeu 39 votos favoráveis e 13 contrários
Da redação e Alep
Na segunda-feira (03) foi para votação em primeiro turno o projeto de lei 345/2024, do Poder Executivo, que cria o Programa Parceiro da Escola. A proposta, que trata da terceirização da gestão administrativa e de infraestrutura das escolas estaduais através de parceria com empresas privadas, avançou na Assembleia Legislativa do Paraná após 39 votos favoráveis e 13 contrários.
O projeto, que tramita em regime de urgência, foi votado em primeiro turno durante sessão plenária de forma remota após a ocupação do prédio por manifestantes contrários a proposta.
Em sessão extraordinária, o projeto recebeu emendas que foram encaminhadas à reunião extra da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), no fim da tarde. Houve pedido de vista adiando a análise para esta terça-feira (4).
O projeto volta à CCJ, às 13h30 de hoje (4), e será item único nas três sessões plenárias do dia: uma ordinária, uma antecipada de quarta (5) e uma extraordinária, marcadas para começar 14h30.
As sessões presenciais da segunda-feira (03) foram suspensas após manifestantes ocuparem a Assembleia. Durante a noite, o Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) concedeu uma liminar de reintegração de posse a favor da Assembleia Legislativa do Paraná.
A sessão ordinária estava agenda para às 14h30 e a ocupação do prédio aconteceu minutos antes, após populares forçarem a entrada rompendo o portão de acesso da Assembleia e ocuparem o Prédio do Plenário.
Em vídeos que circulam na internet, a manifestação foi respondida com força policial, que na tentativa de conter os manifestantes, usaram algumas bombas de gás lacrimogêneo contra a multidão.
A sessão aconteceu de forma online, através do sistema adotado durante a pandemia da Covid-19 em 2020, medida prevista no Regime Interno da Assembleia.
Na reabertura da sessão, às 17 horas, o presidente Ademar Traiano (PSD) dispensou de ofício a leitura do expediente e os demais itens da ordem do dia, exceto o projeto de lei 345/2024, bem como o uso do pequeno e grande expediente.
A Oposição protocolou requerimento para retirada do projeto de discussão por uma sessão. Mas a votação foi mantida por 39 votos contra e 11 favoráveis ao adiamento, mantendo a pauta.
Votação
Parlamentares contrários à proposta optaram por participar das votações e debates em Plenário, diante das galerias lotadas. Seguindo limite regimental de cinco inscritos, os deputados Renato Freitas (PT), Dr. Antenor (PT), Ana Júlia (PT), Mabel Canto (PSDB) e Arilson Chiorato (PT) encaminharam seus pronunciamentos contra a iniciativa.
As principais alegações deles foram a falta de discussões com a comunidade, o risco à categoria e à precarização do ensino, questões de constituições, além da falta de previsão do impacto orçamentário e financeiro.
A votação em primeiro turno na sessão ordinária recebeu 39 votos a favor e 13 contrários. Já na sessão extraordinária, o texto recebeu emendas. As alterações foram encaminhadas à reunião extra da CCJ no fim da tarde de segunda. Houve pedido de vista e a matéria volta à pauta da comissão nesta terça (4).
Projeto
De acordo com o Poder Executivo, o projeto de lei “propõe a formalização de parcerias entre as escolas da rede pública paranaense com pessoas jurídicas de direito privado especializadas em gestão educacional, visando à implementação de ações estratégicas que contribuam para a modernização da administração escolar, bem como do processo didático.
O Governo justifica que o Programa Parceiro da Escola pretende “desonerar o gestor escolar de responsabilidades administrativas e financeiras, para que possa concentrar seus esforços nos aspectos pedagógicos de sua função, liderando a escola com eficiência e criando um ambiente propicio para o ensino e aprendizagem dos alunos”.
Em um primeiro momento, a intenção é implantar o modelo em 200 escolas de 110 cidades. O número corresponde a cerca de 10% da rede. O Poder Executivo argumenta que nestas localidades “foram observados pontos passíveis de aprimoramento em termos pedagógicos, projetando inclusive uma diminuição da evasão escolar”.
De acordo com informações preliminares, o Parceiro da Escola será instalado mediante consulta pública junto à comunidade escolar. O texto afirma que a remuneração das empresas contratadas será estabelecida de acordo com a média de custo de referência da rede e observará a disponibilidade orçamentária. De acordo com o governo estadual, a ideia é expandir, por meio da Secretaria de Estado da Educação, o programa a partir de 2025.
Sessões
Os deputados estaduais participam das três sessões plenárias nesta terça-feira (4) – uma ordinária, uma ordinária antecipada de quarta-feira (4) e uma extraordinária. Todas terão transmissão ao vivo pela TV Assembleia, a partir das 14h30, por meio do canal 10.2, em TV aberta, e no canal 16, da Claro/NET. O conteúdo também pode ser acessado pelo canal do Youtube do Legislativo.