Talita Ludvichak
Essa semana tivemos a satisfação de comemorar o Dia do Soldado, celebrado em 25 de agosto. Data essa que pode passar despercebida para muitos (talvez pela maioria), como tantas outras que aparecem no calendário, mas é só olhar um pouco mais de perto para perceber que ela carrega uma história que atravessa gerações e fala, principalmente, sobre dedicação, disciplina e serviço ao país. O dia 25 de agosto foi escolhido não por acaso, mas sim porque foi nessa data, no ano de 1803, que nasceu Luís Alves de Lima e Silva, conhecido como Duque de Caxias, considerado uma das principais figuras militares da história do Brasil e patrono do Exército Brasileiro. A relação entre a data e o militar começou oficialmente em 1923, quando foi criada a chamada “Festa de Caxias”, em homenagem ao aniversário de 120 anos de seu nascimento. Dois anos depois, em 1925, a celebração passou a ser oficialmente reconhecida como Dia do Soldado e, décadas mais tarde, em 1962, um decreto presidencial reforçou a data e reconheceu Duque de Caxias como patrono do Exército. É Imprescindível reconhecer que falar sobre o Dia do Soldado é falar de muito mais do que uma figura histórica. É lembrar de homens e mulheres que escolheram uma profissão marcada por responsabilidades e desafios. É pensar naqueles que passam horas em treinamento, que aprendem a agir em situações de pressão e que, muitas vezes, precisam estar preparados para deixar a própria segurança em segundo plano diante de uma situação de emergência. No decurso da história, o papel dos militares também esteve ligado a momentos importantes da formação do nosso país verde e amarelo, Brasil. Duque de Caxias, por exemplo, participou de diferentes conflitos ao longo do século XIX. Atuou durante o processo de consolidação da Independência, participou da Guerra da Cisplatina e esteve à frente de operações para conter revoltas como a Balaiada e a Revolução Farroupilha. Posteriormente, teve papel de destaque na Guerra do Paraguai. Porém, sua trajetória não ficou restrita aos campos de batalha. Ele também ocupou espaço na política brasileira e chegou a liderar o Gabinete Ministerial. Morreu no Rio de Janeiro, em 1880, deixando para trás uma carreira que fez com que seu nome permanecesse associado à história do Exército e do país. Hoje, mais de dois séculos depois de seu nascimento, o significado da data pode ser percebido de uma maneira diferente. O Brasil mudou, as cidades cresceram, a tecnologia transformou a maneira como as pessoas vivem e os desafios também são outros. Ainda assim, vislumbramos algumas coisas que permanecem: a necessidade de preparo, responsabilidade e disposição para servir. O soldado pode estar nas fronteiras, em operações de defesa, em missões de apoio à população ou auxiliando diante de situações que exigem organização e resposta rápida. Em momentos de calamidade e emergência, por exemplo, a atuação das Forças Armadas pode se somar ao trabalho de outros profissionais na proteção e no atendimento à população. E Por isso, o Dia do Soldado não precisa ser visto apenas como uma lembrança de uma página dos livros de história. É também uma oportunidade para reconhecer quem escolhe servir e para compreender que, por trás de uma farda, existe uma pessoa, uma família, uma rotina de preparação e uma responsabilidade que nem sempre é percebida por quem está do outro lado. No fim, talvez seja justamente esse o sentido mais simples da data: lembrar que servir ao país exige mais do que força. Exige disciplina, coragem, preparo e, sobretudo, compromisso. E é por isso que, mesmo depois de encerrado o dia 25 de agosto, fica a homenagem àqueles que fazem do serviço uma escolha de vida.