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Por que muitas mulheres no Brasil querem parto normal, mas fazem cesárea?

Estudo inédito do Unicef mostra que fatores vão além da escolha individual da mulher, mas que questões sociais e estruturais influenciam
A pesquisa em Belém e São Paulo ouviu 94 gestantes e puérperas, além de 37 profissionais de saúde – Foto: Getty Images

CNN Brasil

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Um estudo inédito do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infãncia), divulgado nesta segunda-feira (13), analisou as barreiras que mulheres enfrentam na decisão pelo parto normal, em um país onde a cesariana é a forma de nascimento mais comum, ainda que 7 a cada 10 brasileiras prefiram a via natural no começo da gravidez, segundo dados da FioCruz (Fundação Oswaldo Cruz).

De acordo com a pesquisa, alguns dos fatores que influenciam para que mulheres que desejam ter parto normal tenham cesáreas sem indicação médica são: orientações superficiais sobre o parto, falta de participação do parceiro, desconhecimento sobre o Plano de Parto e o acesso restrito à analgesicos.

Intitulado “Já decidiu sobre o parto? Influências e barreiras na decisão da via de nascimento entre gestantes”, o estudo mostra que a decisão sobre o parto depende não só de fatores psicológicos e individuais da mulher, mas também de fatores sociais e estruturais.

“O nosso desafio não é ‘convencer’ as mulheres, mas garantir as condições para que elas possam fazer escolhas informadas e viver um parto seguro e respeitoso. E ter informação confiável, atendimento de saúde qualificado, acesso aos direitos e uma rede de apoio adequada faz toda a diferença para que isso aconteça. Quando promovemos um parto respeitoso, estamos protegendo não apenas os direitos das mulheres, mas também os direitos de cada criança a um início de vida mais seguro e saudável”, explica Luciana Phebo, chefe de Saúde e Nutrição do Unicef no Brasil.

O estudo combinou revisão da literatura científica e entrevistas com mais de 130 gestantes, puérperas e profissionais de saúde em Belém, no Pará, e São Paulo, tanto na rede pública quanto na rede privada. A pesquisa buscou compreender os fatores que influenciam a decisão sobre a via de nascimento, sem constituir uma amostra estatística nacional.

O que dificulta o acesso ao parto normal?

Segundo o Unicef, foi identificado como as pessoas ao redor da gestante influenciam a decisão sobre o parto. Enquanto as experiências pessoais de mães, avós, tias e sogras têm muito impacto sobre as preferências das gestantes, especialmente entre pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde), os parceiros também possuem um papel importante.

Quando participam pouco do pré-natal, os acompanhantes podem ter mais dificuldade para compreender o processo do parto e acabar pressionando pela cesariana ao presenciarem o momento do trabalho de parto, de acordo com a pesquisa.

Já ao analisar aspectos estruturais, conectados às políticas e à condição dos serviços, a pesquisa mostra que a falta de acesso à analgesia, por exemplo, pode fazer com que algumas mulheres vejam a cesariana como a única alternativa para lidar com a dor. O desejo por uma laqueadura também pode favorecer cesarianas sem indicação clínica – especialmente diante da baixa oferta de métodos contraceptivos que possam ser associados ao parto normal.

A análise também identificou que, especialmente no setor privado, fatores institucionais e econômicos podem desencorajar a oferta do parto normal. Profissionais de saúde apontaram aos pesquisadores que a organização do trabalho médico, a previsibilidade do agendamento de cesarianas e custos associados à contratação de equipes para acompanhar longos trabalhos de parto podem funcionar como incentivos às cesarianasmesmo sem indicação clínica.

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