Karina Ludvichak, com informações assessoria
A situação envolvendo as matrículas de alunos das comunidades de Barreiro, Mato Queimado e Queimadas, na divisa entre Guamiranga e Prudentópolis, mobilizou pais, moradores e gestores públicos ao longo da última semana e culminou em um acordo entre os dois municípios para garantir o direito à educação dos estudantes e a manutenção das atividades da Escola Municipal do Campo Ângela Maria Alessi, localizada em Queimadas, no município de Prudentópolis.
ENTENDA A SITUÇÃO
O impasse teve início ainda em 2023, quando a Escola Municipal do Campo de Barreiro, pertencente a Guamiranga, foi interditada pela Defesa Civil devido a problemas estruturais. Desde então, os alunos da comunidade passaram a ser atendidos de forma emergencial na escola Ângela Alessi, em Prudentópolis, por ser a unidade mais próxima das residências e por oferecer melhores condições de acesso e mobilidade aos estudantes.
A situação, que vinha sendo mantida de forma provisória, ganhou novos contornos no início de fevereiro de 2026, quando a Prefeitura de Prudentópolis comunicou que não aceitaria novas matrículas de alunos residentes em Guamiranga para o ano letivo, alegando que o atendimento emergencial dependia de cooperação formal entre os municípios, especialmente no que diz respeito ao transporte escolar e à cessão de professores.

Estudantes de Guamiranga representam cerca de 40% do total de matrículas no colégio – Foto: Reprodução
A decisão provocou reação imediata da comunidade. Na quinta-feira (05), pais e moradores das localidades de Barreiro, Mato Queimado e Queimadas realizaram uma manifestação em defesa da permanência dos alunos na escola. A principal preocupação era que a retirada dos estudantes de Guamiranga, que representam cerca de 40% do total de matrículas, pudesse levar à redução do número de alunos e, futuramente, ao fechamento da unidade escolar, considerada bem estruturada e fundamental para a região.
Durante o protesto e nas redes sociais, pais classificaram o possível fechamento da escola como um retrocesso. “Fechar a escola não é solução. Nosso sentimento hoje é de humilhação”, declarou uma mãe representante do movimento, destacando ainda que a escola passou por melhorias com o envolvimento direto da própria comunidade.
Diante da repercussão, os prefeitos de Guamiranga, Marcelo Leite, e de Prudentópolis, Adelmo Luiz Klosowski, iniciaram tratativas para buscar uma solução conjunta, se reunindo na última sexta-feira (06).
Após a primeira reunião, a gestão de Guamiranga se manifestou através de nota. No comunicado, a Secretaria de Educação e Cultura afirmou que, em nenhum momento, houve suspensão do transporte escolar por parte do município, tampouco imposição de matrícula compulsória de alunos em escolas da zona urbana, ressaltando ainda que a Escola Municipal do Campo Ângela Alessi pertence administrativamente a Prudentópolis e que o indeferimento das matrículas para 2026 decorreu de ato administrativo daquele município, sem ingerência de Guamiranga.
A Prefeitura de Guamiranga destaca que respeita a decisão das famílias em matricular seus filhos na escola mais próxima da residência, conforme garantido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, e reafirma que suas escolas municipais permanecem à disposição para receber alunos cujos responsáveis optem pela rede local, reiterando o compromisso com a transparência.

Pais e moradores realizaram uma manifestação em prol da permanência dos alunos na escola – Foto: Reprodução
DESFECHO
Após a primeira rodada de diálogo, os prefeitos voltaram a se reunir na segunda-feira (09), em uma tentativa definitiva de resolver o impasse sem prejuízos aos estudantes. O encontro resultou em um avanço significativo, com sinalização positiva de Guamiranga para a celebração de um termo de cooperação com Prudentópolis, viabilizando a permanência dos alunos na escola de Queimadas.
A proposta apresentada prevê que Guamiranga continue responsável pelo transporte escolar dos alunos e ceda, com assunção de ônus, dois professores para complementar o quadro docente da escola. Atualmente, a unidade conta com cinco professores custeados por Prudentópolis, município que segue arcando com todas as demais despesas operacionais, como merenda escolar, material didático, manutenção da estrutura e demais custos administrativos.
Para viabilizar juridicamente a parceria, a Prefeitura e a Câmara Municipal de Prudentópolis atuaram de forma conjunta e em tempo recorde. Ainda na segunda-feira (09), o Executivo encaminhou à Câmara o Projeto de Lei nº 06/2026, autorizando a formalização do termo de cooperação com Guamiranga. A proposta foi aprovada em primeira votação no mesmo dia, com convocação de sessão extraordinária para a votação definitiva em 12 de fevereiro.
Com a aprovação final e a publicação da lei, Prudentópolis fica apta a assinar o termo de cooperação, aguardando apenas a conclusão do trâmite semelhante por parte de Guamiranga. A partir disso, será possível iniciar oficialmente o trabalho dos dois professores cedidos e efetivar as matrículas dos alunos guamiranguenses para o ano letivo de 2026.
O acordo é considerado uma solução inédita e representa um esforço conjunto dos dois municípios para preservar o direito à educação, respeitar as especificidades territoriais das comunidades de divisa e evitar impactos negativos à estrutura escolar existente. Com o entendimento entre as administrações municipais, a expectativa é de que os alunos possam iniciar o ano letivo com segurança, continuidade pedagógica e estabilidade para as famílias envolvidas.