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Lançada oficialmente pelo Corpo de Bombeiros e Defesa Civil, iniciativa foca na integração tecnológica e destina robôs de alta vazão e kits para municípios enfrentarem período de estiagem.
Foto: Foto: Igor Jacinto/Vice-Governadoria O evento ocorreu na terça-feira (2) em Curitiba.

O Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR) e a Coordenadoria Estadual da Defesa Civil lançaram, na terça-feira (2), em Curitiba, a Operação de Combate a Incêndios Florestais 2026 (OPCIF). A abertura oficial, que contou com a presença do vice-governador Darci Piana, marca o início de uma força-tarefa integrada para mitigar os focos de queimadas no Estado entre os meses de junho e outubro, período historicamente marcado por estiagens prolongadas. Somando os aportes em alta tecnologia de combate e o suporte de infraestrutura descentralizada repassada diretamente aos municípios, os investimentos estaduais mobilizados para a área superam a marca de R$ 77 milhões.

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Foto: Igor Jacinto/Vice-Governadoria

O lançamento ocorreu em paralelo ao 2º Simpósio da Operação Estadual Integrada, reunindo órgãos civis, militares e ambientais de esferas estaduais e federais para alinhar estratégias de contingência. As ações deste ano ganham o reforço histórico de quase 700 novos soldados recém-incorporados à corporação e a chegada de robôs ultramodernos operados por controle remoto em ambientes de risco crítico.

Durante a solenidade, as autoridades enfatizaram que a preservação ambiental do território paranaense está diretamente ligada à segurança econômica e à soberania alimentar do Estado no cenário internacional. O vice-governador Darci Piana ressaltou a autonomia conquistada pelo Corpo de Bombeiros e o papel estratégico da integração institucional: “Mais do que importante um evento como este, do Corpo de Bombeiros do Paraná, o orgulho do nosso governo que desmembrou o Corpo de Bombeiros da Polícia Militar. Hoje, a corporação foi agraciada por mais pessoal, mais de 700 funcionários que foram incorporados, e este seminário serve para juntar todas as forças do governo, mais a iniciativa privada e voluntários. O Paraná é o principal produtor de alimento do mundo por metro quadrado e não podemos vacilar; nós fornecemos alimento para 183 países do mundo inteiro e somos o Estado mais sustentável do Brasil. Temos uma corporação preparada e bem equipada atuando em conjunto para fazer frente a esses desastres que representam um risco para a nossa produção”.

O secretário estadual da Segurança Pública, Saulo Sanson, alertou para a urgência do alinhamento das equipes diante da proximidade do inverno e da redução natural dos índices de chuva: “O Paraná é referência nacional no que se refere a combate a incêndios florestais e hoje nós estamos no início aqui dessa operação com diversos órgãos federais e organizações civis. Damos um pontapé inicial importante, tendo em vista que nós já temos agora a previsão de uma seca com o inverno chegando. Então é uma hora de nós nivelarmos todos os nossos operadores para que a gente possa ter ainda mais eficiência no combate”.

Foto: Igor Jacinto/Vice-Governadoria

O comando do Corpo de Bombeiros detalhou que, ao contrário dos anos anteriores em que as diretrizes eram generalistas, a operação de 2026 adotará planejamentos regionalizados e locais para otimizar o emprego de pessoal e maquinários de acordo com as manchas de calor de cada ecossistema.
O comandante-geral do CBMPR, coronel Antônio Hiller, trouxe dados estatísticos das ocorrências e manifestou preocupação com as queimadas urbanas: “Historicamente, todos os anos, a gente tem uma quantidade muito grande de atendimentos nos incêndios ambientais e florestais. No ano passado foram quase 8 mil atendimentos, e no ano anterior quase 12 mil. Buscamos agora o restabelecimento da articulação entre os órgãos. Promovemos um retreinamento para os militares e contatos com as prefeituras pedindo para que os munícipes façam a limpeza dos seus terrenos, pois 80% das ocorrências de incêndio no ano passado foram em terrenos baldios. Isso causa transtorno e perigo de atingir residências, além da preocupação com as mudanças climáticas potenciadas pelas emissões de gases, que geram mais ocorrências”.
O braço tecnológico de vigilância preditiva será conduzido pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) por meio da plataforma VFogo. A diretora-executiva do órgão, Vanessa D’Ávila, detalhou que a ferramenta mapeia focos térmicos em tempo real e alertou sobre a instabilidade provocada por anomalias climáticas globais: “Esta ferramenta é baseada em imagens de satélite e dados de estações meteorológicas que identificam onde tem foco de calor no Estado, ajudando os bombeiros na mobilização rápida. O VFogo é uma ferramenta essencial nesse período de seca prolongada que entra com o outono e inverno. Mesmo tendo previsão de El Niño, sabemos que o fenômeno pode ter atuações diferentes dentro do território, trazendo chuvas na metade sul ou seca na metade norte e noroeste, que por climatologia já possuem menores regimes de chuva. Portanto, a presença de El Niño forte não é sinal de que não teremos problemas com incêndios”.
Foto: Igor Jacinto/Vice-Governadoria

O grande diferencial logístico da temporada envolve os investimentos aportados pela Defesa Civil do Estado, que somam R$ 26 milhões destinados a novas frentes tecnológicas para os bombeiros e mais de R$ 51 milhões transferidos em estruturas de resposta para as coordenadorias municipais.
O coordenador-executivo da Defesa Civil Estadual, coronel Ivan Ricardo Fernandes, revelou a aquisição de maquinários robóticos inovadores adquiridos diretamente na Europa para atuar em cenários de risco extremo às vidas humanas: “O trabalho da Defesa Civil começa no monitoramento dos focos de calor para avisar as equipes de campo e minimizar o tamanho do incêndio. Além disso, estamos destinando uma série de equipamentos ao Corpo de Bombeiros, inclusive o destaque para oito robôs de combate ao incêndio, de alta vazão, com cerca de seis mil litros por minuto de vazão de água, fabricados por uma empresa alemã. Uma equipe nossa está na Alemanha fazendo o recebimento técnico e imaginamos que nas próximas semanas os robôs já estejam em atuação no Paraná. Paralelamente, investimos nos municípios valores que ultrapassam R$ 51 milhões em kits-pick-ups para acessar áreas remotas, barracas e antenas Starlink para garantir a comunicação de dados nos pontos mais isolados do Estado”.
A operação reforça ainda o apelo educativo à população, lembrando que cerca de 90% dos incêndios florestais são gerados por ação ou negligência humana, como a queima inadequada de lixo urbano e limpeza de pastagens sem autorização técnica. Os novos 698 soldados em fase final de formação atuarão de forma integrada com as brigadas municipais, montanhistas, comunidades tradicionais e concessionárias de linhas de transmissão ao longo de toda a vigência da operação.

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