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Paraná e Polônia ampliam diálogo para novas parcerias em negócios, ciência e inovação

Encontro na Associação Comercial do Paraná reuniu embaixador, cônsul, universidades e setor produtivo e colocou em pauta investimentos e oportunidades para empresas
Foto: Nilton Pabis

Esther Kremer

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Empresários, representantes diplomáticos, universidades e integrantes da comunidade polonesa participaram de um encontro na Associação Comercial do Paraná (ACP), em Curitiba,  por meio do Conselho Político e Desenvolvimento Econômico e Conselho de Negócios e Relações Internacionais, destinado a ampliar a cooperação entre Paraná e Polônia nas áreas econômica, acadêmica, científica e tecnológica.

O evento contou com a presença do embaixador da Polônia no Brasil, Andrzej Adam Cieszkowski, do cônsul-geral da Polônia em Curitiba, Wojciech Baczyński, de representantes do setor produtivo e de instituições de ensino, entre eles a vice-reitora da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Camila Girardi Fachin.

Segundo o embaixador Andrzej, a Polônia alcançou a condição de 20ª maior economia do mundo e busca ampliar tanto o comércio com o Brasil quanto a presença de investimentos poloneses no país. “Temos a possibilidade de expandir o nosso comércio com o Brasil, mas também o investimento polonês nos estados brasileiros”, afirmou.

Ele destacou a transformação econômica ocorrida no país desde o fim do período socialista e defendeu que essa experiência também possa gerar intercâmbios com o Brasil. Segundo Andrzej, boa parte do sucesso econômico polonês está relacionada às pequenas e médias empresas, que possuem forte participação no mercado internacional. “O sucesso econômico da Polônia é o sucesso das empresas pequenas e médias, não somente das empresas grandes”, afirmou.

Entre os setores com potencial para novas parcerias, ele citou tecnologia da informação, e-commerce, agronegócio, equipamentos agrícolas e maquinários para diferentes segmentos da economia. O embaixador também ressaltou a presença de mais de 2 milhões de descendentes de poloneses no Brasil, embora tenha feito questão de destacar que as oportunidades de cooperação são abertas a todos os brasileiros.

O presidente da ACP, Paulo Mourão, também ressaltou a força da imigração polonesa no Paraná, uma das maiores comunidades de descendentes de poloneses fora da Europa, e a contribuição deixada por seus descendentes. “A história que une Paraná e Polônia é construída por valores como trabalho, perseverança, fé e espírito comunitário. Temos agora a oportunidade de transformar esses vínculos históricos em novas parcerias comerciais, projetos tecnológicos, intercâmbios acadêmicos e investimentos, fortalecendo uma relação que pode gerar benefícios concretos para os dois países”.

Fotos: Nilton Pabis

Relação precisa ser constante

Para o cônsul-geral Wojciech, o avanço das relações depende de algo além da assinatura de acordos: regularidade. Segundo ele, são necessárias visitas frequentes de empresários, pesquisadores, autoridades e representantes institucionais dos dois países para transformar o interesse em projetos concretos. “As relações internacionais requerem regularidade. É preciso haver visitas dos dois lados”, destacou.

O cônsul afirmou que o Brasil é considerado um parceiro estratégico da Polônia na América Latina e ressaltou que ainda existe espaço para aumentar o volume das relações econômicas. Para Wojciech, acordos formais possuem importância, mas sua execução é fundamental. “É importante assinar o acordo, mas é importante, em primeiro lugar, realizá-lo. Às vezes, até é melhor primeiro realizar e depois assinar”, afirmou.

Ele também incentivou a comunidade de origem polonesa no Paraná a manter as tradições, mas ampliar o contato com a Polônia contemporânea, conhecendo seu atual desenvolvimento econômico, científico e tecnológico.

Universidades entram como ponte para inovação

A aproximação não está restrita ao setor empresarial. A vice-reitora da UFPR, Camila Girardi Fachin, destacou que a universidade busca ampliar o contato com o setor produtivo e utilizar a pesquisa para encontrar soluções para demandas da sociedade.

Nesse contexto, a cooperação com universidades polonesas pode contribuir tanto para a formação de profissionais quanto para o intercâmbio de estudantes, professores e pesquisadores. “As expertises muitas vezes são diferentes e essa troca de experiência é fundamental para o crescimento de ambas as instituições”, afirmou.

Segundo Camila, a UFPR possui acordos de cooperação com mais de uma dezena de universidades polonesas. Um dos principais instrumentos dessa aproximação é a Estação Científica Paraná-Polônia, iniciativa que reúne instituições paranaenses e a Universidade de Varsóvia.

A cooperação tem, inicialmente, trabalhos direcionados às ciências forenses, mas possui formato amplo e poderá alcançar outros setores. Entre as possibilidades mencionadas estão pesquisas relacionadas a biofármacos e plantas medicinais.

Camila destacou ainda que as recentes visitas de representantes da Universidade de Varsóvia ao Paraná demonstram que a parceria começa a ganhar resultados concretos. “Esse encontro uniu embaixada, consulado, setor produtivo e universidade. Conseguimos ter um panorama da situação econômica atual da Polônia e várias janelas de oportunidades para estreitar ainda mais a cooperação entre Brasil e Polônia”, avaliou.

Ex-presidente da Associação Comercial do Paraná e atual presidente do Movimento Pró-Paraná, Marcos Domakoski, destacou que a relação possui uma base histórica particularmente forte no Estado. Para ele, a imigração polonesa teve papel importante na formação e no desenvolvimento econômico paranaense. Agora, essa proximidade cultural pode ajudar a construir uma relação mais voltada aos negócios, à tecnologia e ao conhecimento. “A gente consegue não só valorizar as nossas origens, como também ver o que a Polônia está fazendo de correto e o que podemos aprender. Da mesma forma, a Polônia também tem coisas que pode aprender com o Brasil”, disse.

A história da imigração continua sendo um importante ponto de ligação, principalmente em municípios paranaenses onde a presença polonesa permanece forte. Entretanto, a proposta agora é transformar essa conexão cultural em cooperação econômica, científica, tecnológica e educacional.

O desafio será fazer com que os encontros resultem em ações práticas: empresas se conectando, universidades desenvolvendo pesquisas conjuntas, estudantes participando de intercâmbios e municípios buscando oportunidades de cooperação internacional.

Como resumiu o embaixador Andrzej, o caminho passa também pelo contato direto: conhecer a Polônia atual, suas empresas, universidades e formas de fazer negócios. A tradição aproxima os dois países. A partir dela, Paraná e Polônia buscam construir uma relação cada vez mais voltada às oportunidades do presente e do futuro.

Fotos: Nilton Pabis

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