Thomaz Pabis, com informações da Internet
A Mercedes começou a temporada 2026 da Fórmula 1 como grande favorita aos títulos de pilotos e construtores e confirmou as expectativas ao vencer as seis primeiras corridas do campeonato. Nas provas mais recentes, porém, a vantagem diminuiu, e o chefe da equipe, Toto Wolff, atribui a queda de rendimento ao menor ritmo de atualizações no carro.
Nas últimas seis etapas, a escuderia alemã venceu apenas duas vezes e passou a sofrer maior pressão de Ferrari e McLaren, equipes que investiram de forma mais agressiva em novos componentes.
Depois da vitória de Lando Norris no GP da Holanda, no domingo (23), Wolff reconheceu que a Mercedes não consegue acompanhar financeiramente o ritmo de desenvolvimento apresentado pelos concorrentes neste momento da temporada.
— Não temos dinheiro para fazer desenvolvimentos no carro. Estamos tentando dividir os recursos de forma equilibrada ao longo da temporada, escolhendo quando podemos trazer as maiores atualizações — afirmou.
Teto de gastos influencia estratégia
A situação está diretamente ligada ao teto orçamentário da F1, atualmente fixado em US$ 215 milhões, cerca de R$ 1,1 bilhão.
O limite inclui boa parte dos gastos relacionados ao desenvolvimento dos carros, como pesquisa, produção de componentes aerodinâmicos e salários da maior parte dos funcionários. Ficam fora da conta, entre outros itens, os salários dos pilotos e dos três profissionais mais bem pagos de cada equipe.
Com recursos limitados, as escuderias precisam decidir em quais momentos da temporada vale a pena investir em novos pacotes aerodinâmicos.
A Mercedes, ao lado da Williams, aparece entre as equipes que menos levaram modificações significativas às pistas em 2026. Ferrari e McLaren, por outro lado, estão entre as que mais atualizaram seus carros.
McLaren cresce com atualizações
A McLaren ganhou força principalmente depois das mudanças introduzidas no MCL40 em Budapeste e Zandvoort.
O avanço no desempenho foi imediato. A equipe britânica conquistou duas vitórias consecutivas, ambas com Lando Norris, e entrou definitivamente na disputa contra a Mercedes.
Para Wolff, cada grande pacote pode representar alguns décimos de segundo por volta, diferença suficiente para alterar a hierarquia entre os principais carros do grid.
— É uma corrida de desenvolvimento. Se uma equipe leva uma atualização e ganha alguns décimos, é exatamente isso que os outros perdem. Por isso, a situação ficou mais difícil do que no início do ano — explicou.
Mercedes prepara resposta
Apesar das limitações atuais, a Mercedes ainda pretende reagir na reta final da temporada. A equipe trabalha em uma atualização importante, embora ainda não tenha definido oficialmente em qual etapa o pacote será introduzido.
Wolff também acredita que algumas concorrentes podem ter concentrado uma parcela maior do orçamento no começo e no meio do campeonato, o que poderia limitar o desenvolvimento delas nas últimas corridas.
O dirigente já havia ironizado anteriormente o ritmo de atualizações da Ferrari e voltou a indicar que a Mercedes adotou uma estratégia diferente de distribuição dos gastos durante o ano.
Antonelli reconhece perda de desempenho
Líder do campeonato, Kimi Antonelli também reconheceu que a Mercedes já não possui necessariamente o carro mais rápido da categoria.
Para o italiano, a equipe alemã atualmente aparece entre a segunda e a terceira força do grid, dependendo das características de cada circuito.
— Claramente, não somos mais o carro mais rápido. Provavelmente somos o segundo ou o terceiro neste momento. A McLaren deu um grande passo depois da Hungria com o pacote que levou para o carro — avaliou.
Apesar disso, Antonelli demonstrou confiança no trabalho realizado na fábrica e na atualização prevista para as próximas etapas.
Mesmo ainda liderando os campeonatos de pilotos e construtores, a Mercedes entra em uma fase decisiva da temporada sob pressão. A capacidade de extrair desempenho das próximas atualizações poderá ser determinante para conter o avanço de McLaren e Ferrari e manter a equipe na disputa pelos títulos até o fim do campeonato.