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Durante muito tempo, a maioria das lesões de menisco era tratada com cirurgia promovendo a retirada parcial do tecido. Hoje, o foco mudou: preservar o tecido meniscal é prioritário.

CNN – Brasil

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Os meniscos são estruturas essenciais para o bom funcionamento do joelho. Atuam como amortecedores, ajudam na distribuição de cargas, melhora da estabilidade e proteção da cartilagem. Por isso, quando ocorre uma lesão, a decisão sobre o tratamento precisa considerar algumas variáveis, não apenas a dor do momento, pensando também no futuro da articulação. No passado, era comum remover a parte lesionada do menisco com relativa facilidade. A lógica era simples: se o tecido estava rasgado e causava dor, retirava-se o fragmento. Com o tempo, porém, ficou claro que perder menisco aumenta a sobrecarga sobre a cartilagem e pode acelerar o desgaste do joelho.

Do “cortar” ao “preservar”

A ortopedia moderna passou a valorizar cada vez mais a preservação meniscal. Não apenas reduzindo as indicações cirúrgicas mas também priorizando a reparação cirúrgica com sutura do menisco, sempre que possível. Essa mudança é especialmente importante em pacientes jovens, atletas ou pessoas com lesões traumáticas recentes. Nesses casos, preservar o menisco pode reduzir o risco de degeneração futura e manter melhor a função do joelho. Isso não significa que toda lesão possa ser suturada. O tipo, a localização, o tempo de evolução e a qualidade do tecido influenciam diretamente a escolha.

Nem toda lesão precisa operar

Outro avanço importante foi compreender que muitas lesões degenerativas do menisco, comuns com o envelhecimento e o desgaste natural do joelho, nem sempre se beneficiam de cirurgia. Estudos recentes mostram que, em vários casos, o tratamento conservador – com fisioterapia, fortalecimento muscular, controle de peso e ajuste de atividades – pode ser suficiente em mais da metade dos pacientes e oferecer resultados semelhantes aos da cirurgia, especialmente quando não há travamento do joelho.A dor, nesses casos, muitas vezes não vem apenas do menisco, mas de um conjunto de fatores, como sobrecarga, inflamação, fraqueza muscular e início de artrose. Por isso, operar uma imagem de ressonância, é um erro mais comum e pode ser evitado com um boa conversa e examinando o paciente.

O impacto no longo prazo

Retirar parte do menisco pode aliviar sintomas em situações bem indicadas, mas também reduz a capacidade do joelho de absorver impacto. Com menos menisco, a cartilagem recebe mais carga, o que aumenta o risco de artrose ao longo dos anos. Por isso, a decisão deve ser individualizada. Em lesões traumáticas, instáveis ou com bloqueio articular, a cirurgia pode ser necessária. Em lesões degenerativas, a abordagem inicial frequentemente deve ser conservadora.

O objetivo atual não é simplesmente “resolver a lesão”, mas preservar a articulação pelo maior tempo possível. Tratar o menisco exige equilíbrio entre aliviar a dor de hoje e proteger o joelho de amanhã. E essa talvez seja a principal mudança da ortopedia moderna: entender que, operar nem sempre é necessário e quando se trata de menisco, menos retirada muitas vezes significa mais saúde no futuro.

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