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Procurado pela equipe da Folha de Irati, Felipe Lucas se pronunciou sobre o ocorrido
Foto: Sandro Nascimento/Alep

O médico ginecologista Felipe Lucas, de 81 anos, foi acusado de cometer crime sexual contra uma paciente de 24 anos durante um atendimento no Consórcio Intermunicipal de Saúde. Ex-deputado estadual, ex-prefeito e ex-vereador do município, ele foi denunciado pelo Ministério Público por violação sexual mediante fraude. De acordo com o delegado responsável pelo caso, Felipe Lucas teria se aproveitado da posição de confiança para tentar enganar a vítima.

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Procurado pela equipe da Folha de Irati, Lucas se pronunciou sobre o ocorrido. Segue a nota oficial na íntegra:

“A defesa do Dr Felipe esclarece que ainda não houve oportunidade de apresentação de defesa no âmbito judicial.

O profissional nega veementemente qualquer prática irregular ou conduta indevida durante a realização de exame toque ginecológico , destacando que sua versão dos fatos será apresentada no momento adequado, perante a Justiça. Que possui mais de 50 anos de exercício de medicina sem nunca ter uma anotação contra seu trabalho.

Todos os esclarecimentos serão prestados no processo judicial, que corre em sigilo de justiça. A defesa confia no pleno esclarecimento da verdade para que essa injustiça seja superada”.

Relembre o caso

O caso ocorreu no dia 4 de fevereiro de 2026, durante uma consulta realizada em um consórcio intermunicipal de saúde em Irati.

Conforme relato da vítima, durante o exame ginecológico, o profissional realizou toques íntimos alegando se tratar de uma orientação relacionada à libido, conduta que, segundo especialistas ouvidos durante a investigação, não possui respaldo técnico na prática médica.

A vítima procurou a delegacia sete dias após o ocorrido. Em depoimento, ela relatou que o intervalo entre o fato e o registro da ocorrência esteve relacionado ao abalo emocional e à incerteza inicial sobre a natureza do procedimento realizado. A decisão de formalizar a denúncia ocorreu após buscar orientação com outros profissionais de saúde e diante da persistência de sintomas como insônia e angústia.

Durante a investigação, também foi constatado que, enquanto a paciente permanecia despida na sala de exames, o médico atendeu a uma ligação telefônica de caráter pessoal, permanecendo nessa situação por alguns minutos. A análise do prontuário eletrônico da instituição indicou que não houve registro clínico referente ao atendimento realizado na data dos fatos, o que diverge do padrão observado em consultas anteriores.

A PCPR realizou a oitiva de testemunhas e profissionais da área da saúde, além da escuta especializada do filho da vítima, de cinco anos, que presenciou parte do atendimento. Diante dos elementos reunidos, a autoridade policial indiciou o investigado pelo crime de violação sexual mediante fraude, previsto no artigo 215 do Código Penal.

Considerando a natureza do caso e o risco de reiteração, a Polícia Civil representou ao Poder Judiciário pelo afastamento cautelar do médico de suas funções e pela suspensão do exercício profissional. O pedido também foi reforçado pelo Ministério Público, que já ofereceu denúncia formal contra o investigado.

Até o momento, não há decisão judicial sobre a aplicação das medidas cautelares solicitadas.

A Polícia Civil orienta que vítimas de crimes contra a dignidade sexual procurem a delegacia para registro da ocorrência e acompanhamento do caso. Denúncias podem ser realizadas de forma anônima pelos telefones 197, da PCPR, ou 181, do Disque-Denúncia.

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