Sthefany Brandalise, com informações de Vanderlei Kawa
A fé em São Cristóvão voltou a mobilizar milhares de motoristas e famílias pelas ruas de Irati. A 78ª Festa e Procissão de São Cristóvão reuniu mais de 3 mil veículos, entre carros, caminhões, carretas, motocicletas e tratores, consolidando a edição de 2026 como uma das maiores já realizadas pela Paróquia Nossa Senhora da Luz.
A programação ocorreu entre os dias 19 e 26 de julho e reuniu esporte, religiosidade, música e confraternização. O ponto alto foi a tradicional procissão seguida da bênção dos veículos, realizada no domingo (26), após a missa solene dedicada aos motoristas, caminhoneiros, motociclistas, agricultores e suas famílias.
Reconhecida pelo RankBrasil como a festa dos motoristas mais antiga do país, a celebração é realizada ininterruptamente desde julho de 1948. A tradição foi iniciada pelo frei capuchinho Nereu do Valle, então responsável pela Paróquia Nossa Senhora da Luz, e permanece viva há 78 anos por meio do trabalho de religiosos, voluntários, patrocinadores e integrantes da comunidade.

Foto: Thomaz Pabis
De acordo com a organização, foram preparados 3 mil kits para distribuição durante a bênção. Os materiais, fornecidos por empresas patrocinadoras, reuniam itens como canetas, chaveiros, cordões, escapulários e adesivos. Mesmo com essa quantidade, a participação superou as expectativas. Muitos veículos ainda aguardavam a bênção após o horário inicialmente previsto para o encerramento da procissão.
A imagem de São Cristóvão deixou a Igreja Matriz Nossa Senhora da Luz em um caminhão do Corpo de Bombeiros e percorreu aproximadamente sete quilômetros pelas ruas e avenidas de Irati. O trajeto passou pelas ruas Coronel Pires, Alfredo Bufren, XV de Julho, Avenida Munhoz da Rocha, Avenida Vicente Machado, Moisés de Oliveira, Abílio Carvalho Bastos, Avenida Getúlio Vargas, Avenida Noé Rebesco, Trajano Grácia e Rua 19 de Dezembro.
Na Rua 19 de Dezembro, os veículos menores foram direcionados para as proximidades da Panificadora Italiano, enquanto caminhões e carretas seguiram até o trecho em frente ao Restaurante Italiano. A divisão foi organizada para melhorar o fluxo e oferecer maior segurança aos participantes.
A bênção foi realizada pelos freis capuchinhos, pelo diácono Luciano e por integrantes da Ordem Franciscana Secular de Irati. A equipe permaneceu no ponto oficial até aproximadamente as 13 horas. Como muitos motoristas ainda não haviam conseguido participar, o trabalho prosseguiu, com autorização do pároco, da Secretaria Municipal de Segurança Pública e da organização, em frente à Praça da Matriz, até as 16 horas.

Foto: Talita Ludvichak
Para Vanderlei Kawa, coordenador da procissão, o recorde demonstra a força de uma tradição transmitida entre diferentes gerações. “Foi uma edição histórica. Ver mais de 3 mil veículos participando da procissão e da bênção mostra o quanto São Cristóvão está presente na vida dos motoristas e de suas famílias. São caminhoneiros que herdaram a profissão e que hoje trazem seus filhos e netos. É uma festa que realmente move gerações”, destaca.
Durante a procissão, foi possível observar veículos novos e antigos, caminhões de diferentes regiões, motociclistas e agricultores conduzindo seus tratores. A incorporação das máquinas agrícolas reforçou a ligação entre a Festa de São Cristóvão e a Festa dos Agricultores, que completou 25 anos em 2026. A homenagem reconhece a relação entre aqueles que produzem os alimentos no campo e os profissionais responsáveis por transportá-los pelas cidades e estradas do país. No sábado (25), a programação contou com missa dedicada aos agricultores e a tradicional bênção das sementes.
Segundo Kawa, a emoção dos participantes evidencia que a procissão não é apenas um desfile de veículos, mas um momento de oração e agradecimento. “Muitos caminhoneiros passam dias longe de casa, viajando sozinhos por milhares de quilômetros. Alguns chegam para receber a bênção com lágrimas nos olhos, acompanhados da esposa, dos filhos e dos netos. Percebemos que a fé não é vivida apenas pelo motorista, mas por toda a família”, afirma.

Foto: Talita Ludvichak
O pároco da Paróquia Nossa Senhora da Luz, padre Wellington Marcondes, também ressaltou o significado espiritual da celebração. “A procissão representa a confiança dos motoristas na proteção de Deus e na intercessão de São Cristóvão. Cada veículo que passa pela bênção carrega uma história, uma família, um trabalho e muitos quilômetros percorridos. Agradecemos a todos que participaram com fé e pedimos que São Cristóvão acompanhe cada motorista em suas viagens”, declarou.
A programação também contou com o sorteio da tradicional rifa da Festa de São Cristóvão, que distribuiu R$ 50 mil em prêmios. Todos os ganhadores são moradores de Irati.
O primeiro prêmio, no valor de R$ 20 mil, saiu para Celso Volski. O segundo prêmio, de R$ 15 mil, foi conquistado por Iracema de Lima. Já o terceiro prêmio, de R$ 10 mil, ficou com Mônica S. Tribek, enquanto o quarto prêmio, no valor de R$ 5 mil, foi destinado a Antonio Cequinel.
Além da rifa, também foram sorteados os cupons distribuídos durante a procissão. O primeiro prêmio, uma bateria Flex doada pela Angai Peças e Serviços, foi entregue a Pedro L. Teleginski, morador do Nhapindazal.
O segundo prêmio, um balde de óleo de 20 litros doado pela Irapeças, saiu para André Lóss de Quadros, morador da Vila Nova. Enzo Jasinski Breitenbouch recebeu o terceiro prêmio, composto por um capacete e um par de luvas doados pela Mega Motos.
O quarto prêmio, um caminhão em miniatura doado por Marcos Pedroso, foi destinado a João A. Guimarães. Já o quinto prêmio, uma Bíblia e uma imagem de Nossa Senhora, oferecidos pela Paróquia Nossa Senhora da Luz, saiu para Anderson C. Pereira, morador da Serra dos Nogueiras.
Os sorteios encerraram a programação festiva e reforçaram a participação dos patrocinadores, comerciantes, voluntários e integrantes da comunidade na realização da 78ª Festa de São Cristóvão.

Foto: Vanderlei Kawa
Organização reforça respeito às regras
O crescimento da procissão também trouxe novos desafios para a organização. A concentração de milhares de veículos exige planejamento, autorização dos órgãos competentes e cumprimento dos horários definidos para o início e o encerramento da carreata.
A realização contou com o apoio da Prefeitura de Irati, da Secretaria Municipal de Segurança Pública, da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros, da Guarda Municipal, do Iratran e da Polícia Rodoviária Federal.
Vanderlei Kawa lembra que a procissão precisa respeitar o direito de circulação das pessoas que não participam do evento, assim como a passagem de ambulâncias, ônibus, caminhões de carga e demais veículos. “Para que essa tradição continue, precisamos da colaboração de todos. A procissão é um momento de fé e devoção, não de bagunça. O motorista deve respeitar as orientações, manter o veículo em movimento, evitar buzinaços prolongados e compreender o trabalho das equipes de segurança”, orienta.

Foto: Vanderlei Kawa
Entre as principais preocupações estão os participantes que fazem zigue-zague, param os veículos para tirar fotografias, descem durante o trajeto, produzem ruído excessivo ou desrespeitam os agentes responsáveis pela organização.
O coordenador ressalta que esses comportamentos podem gerar reclamações de moradores, prejudicar hospitais, asilos e abrigos de idosos e colocar em risco a continuidade da procissão. “É bonito ver as ruas tomadas por veículos e famílias, mas precisamos garantir que tudo aconteça com responsabilidade. Uma pequena parcela que desrespeita as regras pode prejudicar milhares de pessoas que participam com fé. Preservar a procissão é uma responsabilidade de todos”, acrescenta.
Para a organização, o recorde de participação aumenta a responsabilidade de planejar as próximas edições, acolhendo os participantes sem comprometer a segurança e a mobilidade urbana. “A nossa intenção é continuar recebendo as famílias, os caminhoneiros, os motociclistas e os agricultores. Para isso, precisamos unir fé, organização e respeito. Somente assim essa história iniciada em 1948 continuará sendo transmitida às próximas gerações”, finaliza Vanderlei Kawa.

Foto: Vanderlei Kawa