Thomaz Pabis
Junho tem sido marcado por campanhas de conscientização sobre a saúde mental masculina, tema que ainda enfrenta tabus e resistência por parte de muitos homens. Especialistas alertam que a dificuldade em expressar emoções, procurar apoio psicológico e realizar acompanhamento médico regular contribui para o agravamento de transtornos mentais e de outros problemas de saúde.
Os números ajudam a dimensionar o cenário. No Brasil, quase 80% das mortes por suicídio são registradas entre homens. A taxa de mortalidade masculina varia entre 9,9 e 12,6 óbitos por 100 mil habitantes, enquanto entre as mulheres o índice fica entre 2,6 e 5,4 por 100 mil habitantes.
A busca por ajuda também apresenta diferença significativa. Enquanto cerca de 58% das mulheres procuram apoio psicológico quando enfrentam dificuldades emocionais, apenas 35% dos homens fazem o mesmo. Entre aqueles que apresentam sintomas de ansiedade ou depressão, estima-se que apenas três em cada dez procurem atendimento médico especializado.
Outro dado preocupante está relacionado aos cuidados preventivos. Levantamento da Sociedade Brasileira de Urologia indica que 46% dos homens com mais de 40 anos procuram um médico apenas quando já sentem dor ou apresentam algum sintoma, comportamento que pode atrasar diagnósticos e tratamentos.
Segundo estimativas, um em cada dez homens convive com sintomas de ansiedade ou depressão. No entanto, menos da metade realiza algum tipo de tratamento adequado. Especialistas destacam que fatores culturais ainda influenciam esse comportamento, já que muitos homens associam a demonstração de fragilidade emocional a sinais de fraqueza.
Epidemia silenciosa
O cenário não é uma preocupação apenas nacional. Dados internacionais apontam que aproximadamente 519 mil homens morrem por suicídio todos os anos no mundo. Isso representa cerca de 10 mil mortes por semana, 1.427 por dia e, em média, um homem a cada minuto.
Globalmente, os homens tiram a própria vida em uma proporção de duas a três vezes maior do que as mulheres. Pesquisadores explicam que, embora as mulheres realizem mais tentativas, os homens costumam utilizar métodos de maior letalidade e tendem a procurar ajuda com menos frequência.
Essa realidade tem sido classificada por especialistas como uma “epidemia silenciosa”, marcada pela dificuldade em reconhecer sinais de sofrimento emocional, pelo isolamento e pela resistência em buscar suporte profissional.
Cuidar da mente também é cuidar da saúde
Profissionais da área da saúde reforçam que o cuidado com a saúde mental deve fazer parte da rotina, assim como os exames físicos e as consultas médicas periódicas. Conversar sobre emoções, manter vínculos sociais, praticar atividades físicas e procurar ajuda especializada diante de sintomas persistentes de ansiedade, tristeza ou estresse são atitudes que podem fazer a diferença.
A conscientização promovida durante o mês de junho busca justamente incentivar os homens a romperem barreiras culturais e compreenderem que pedir ajuda é um ato de cuidado e responsabilidade consigo mesmo.
Onde buscar ajuda
Pessoas que enfrentam sofrimento emocional ou conhecem alguém que esteja passando por um momento difícil podem procurar atendimento em unidades de saúde, Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e serviços especializados.
O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito e sigiloso 24 horas por dia pelo telefone 188, além de atendimento por chat e e-mail por meio do site oficial.
A prevenção começa com o diálogo, a escuta e a busca por apoio. Falar sobre saúde mental é um passo importante para salvar vidas.