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Jovem é morta após resistir a tentativa de estupro e caso reacende alerta sobre violência contra mulheres no Paraná

Thaissa de Oliveira Marques, de 21 anos, foi encontrada morta dentro de uma academia em Londrina; em Irati, casos recentes de feminicídio e tentativas mostram que a violência também atravessa a realidade local
O corpo da jovem foi encontrado dentro do estabelecimento. • Reprodução / Redes Sociais

Talita Ludvichak, com informações de CNN Brasil

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O assassinato de uma jovem de 21 anos em Londrina, no Norte do Paraná, expõe mais uma vez a face extrema da violência contra as mulheres. Thaissa de Oliveira Marques foi morta a facadas na tarde da última sexta-feira (11), dentro de uma academia onde havia sido recém-contratada. Segundo informações divulgadas pela CNN Brasil e pela Polícia Civil do Paraná (PCPR), ela teria sido atacada após resistir a uma tentativa de estupro. O suspeito, também de 21 anos, foi preso em flagrante e permanece à disposição da Justiça.

Thaissa trabalhava na divulgação da academia, entregando panfletos em frente ao estabelecimento, quando foi abordada pelo agressor. De acordo com a PCPR, o homem foi localizado ferido em outro endereço e, durante o atendimento policial, relatou a tentativa de estupro. Conforme o depoimento atribuído ao investigado, ele teria matado a jovem depois de não conseguir consumar o abuso. A vítima apresentava diversas lesões provocadas por arma branca e teve a morte constatada ainda no local.

Thaissa foi atacada por homem enquanto trabalhava entregando panfletos, em Londrina. — Foto: Redes sociais/Reprodução

O caso ganhou repercussão também pela trajetória interrompida de uma jovem que estudava Nutrição no Centro Universitário Filadélfia (UniFil). Em nota, a instituição lamentou a morte e prestou solidariedade aos familiares, amigos, colegas e professores. A Secretaria Municipal de Políticas Públicas para as Mulheres de Londrina também se manifestou, destacando que o feminicídio representa a forma mais extrema de uma violência que pode começar com controle, humilhação, ameaças e agressões.

Embora os números oficiais mostrem uma redução dos feminicídios no Paraná, episódios como o de Londrina reforçam que a violência contra a mulher continua exigindo atenção permanente. Dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp) apontam que o Estado registrou 87 feminicídios em 2025, contra 109 em 2024, uma redução de 20,2%. No primeiro semestre de 2025, também houve queda de 18% nos registros de estupro, que passaram de 3.814 para 3.100 ocorrências em relação ao mesmo período do ano anterior.

A redução estatística, no entanto, não elimina a gravidade de cada ocorrência nem significa que o problema esteja resolvido. Em Irati, a realidade recente mostra como situações de violência podem evoluir para episódios de extrema gravidade. Em agosto de 2025, a Polícia Civil prendeu um homem investigado por tentativa de feminicídio e violência doméstica após uma mulher ser atingida na cabeça por golpes de facão durante uma agressão. A filha da vítima também foi ferida ao tentar defendê-la.

Mais recentemente, em junho de 2026, outro homem foi preso preventivamente em Irati por tentativa de feminicídio, ameaça e violência psicológica contra a companheira. Segundo a investigação, ele teria tentado atingir a mulher com uma arma branca durante uma discussão. A vítima conseguiu impedir o golpe com a mão e ficou ferida. As apurações também apontaram que ela vinha sendo submetida a violência psicológica e restrições em sua rotina.

Irati também registrou, em agosto de 2025, um caso de feminicídio na localidade de Coxinhos. Uma mulher de aproximadamente 36 anos foi encontrada morta com sinais de violência, e o companheiro foi localizado posteriormente portando um revólver. Segundo a Polícia Militar, ele confessou ter efetuado os disparos contra a vítima. O caso passou a ser investigado como feminicídio.

A sucessão de casos ajuda a dimensionar por que o enfrentamento à violência contra a mulher não pode depender apenas das estatísticas gerais. Em Irati, a própria discussão institucional sobre o tema ganhou novos instrumentos em 2025, quando a Câmara Municipal aprovou a Política Municipal de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres e Meninas, além de medidas como o Agosto Lilás e o programa Sinal Vermelho. As iniciativas buscam ampliar a prevenção, a conscientização e a rede de proteção.

Em 2021, o Sinal Vermelho foi transformado em programa nacional de combate à violência contra a mulher, ampliando uma ferramenta de denúncia e pedido de ajuda para vítimas em situação de violência
Foto: Redes sociais/Reprodução

No caso de Londrina, as investigações continuam e os exames periciais ainda são aguardados para esclarecer completamente as circunstâncias do crime. O suspeito foi autuado por homicídio qualificado e tentativa de estupro.

A morte de Thaissa, portanto, não deve ser tratada apenas como mais um registro policial. É também um lembrete de que, mesmo diante de uma queda nos indicadores estaduais, mulheres continuam sendo vítimas de agressões que podem começar muito antes do crime extremo. Identificar sinais de violência, fortalecer a rede de proteção e denunciar situações de ameaça ou abuso permanecem medidas fundamentais para impedir que novos casos terminem em tragédia.

Em situações de emergência, a Polícia Militar pode ser acionada pelo 190. Denúncias também podem ser feitas de forma anônima pelos canais 181, da Polícia Civil, e 180, Central de Atendimento à Mulher.

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