A Prefeitura de Irati passará a oferecer aulas de língua polonesa aos alunos de três escolas municipais que funcionam em período integral. A iniciativa pretende valorizar a herança cultural dos descendentes de imigrantes poloneses e, ao mesmo tempo, preparar as crianças para novas possibilidades de intercâmbio, pesquisa, inovação e cooperação entre Irati e a Polônia.
Além de suas fortes ligações históricas e culturais com a região, a Polônia vem se destacando no cenário europeu pelo desenvolvimento econômico e tecnológico. O país é reconhecido especialmente nas áreas de tecnologia da informação, inteligência artificial, cibersegurança, fintechs, startups, jogos digitais, automação industrial e pesquisa científica.
A proposta é aproximar os estudantes tanto da cultura e da história polonesa quanto das oportunidades oferecidas pela Polônia contemporânea. As aulas serão desenvolvidas dentro da programação do ensino integral, assim como as oficinas de música, dança e esportes.
A iniciativa nasceu a partir de diálogos entre a administração municipal e a Braspol, entidade que trabalha pela integração entre as comunidades polonesas e brasileiras. O lançamento oficial do projeto ocorreu na última quinta-feira (27), na Câmara Municipal de Irati, com a participação de alunos, professores, autoridades e representantes da comunidade.
Estiveram presentes o prefeito Emiliano Gomes; o presidente da Câmara, Selmo Vieira; a presidente da Braspol de Irati, Nelsi Pabis; vereadores; a secretária municipal de Educação, Elicéia Hladik Szereda; professores e convidados.

A cerimônia também contou com a presença de três cientistas da Universidade de Varsóvia: Konrad Zawadski, Łukasz Drewniak e Namrata Joshi. Os pesquisadores visitaram municípios da região Sudeste do Paraná e, durante a manhã, estiveram reunidos com o prefeito Emiliano Gomes no gabinete municipal. À tarde, participaram da solenidade na Câmara.
Os cientistas estão no Paraná por meio da Estação Científica Paraná–Polônia, iniciativa que reúne a Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), a Universidade Federal do Paraná (UFPR), a Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) e a Universidade de Varsóvia.
Zawadski é vice-diretor do Centro de Pesquisas Biológicas e Químicas da Universidade de Varsóvia. A aproximação entre as instituições é liderada pelo professor Marcio Fernandes e acompanhada, na região, pelo jornal Folha de Irati.
Aproximação com a Polônia
Para o prefeito Emiliano Gomes, a implantação das aulas representa uma oportunidade de fortalecer os vínculos históricos com a Polônia e, ao mesmo tempo, construir novas parcerias.
“É uma grande oportunidade receber representantes da Universidade de Varsóvia em uma solenidade tão importante. Há pouco tempo, estivemos reunidos com os cientistas para discutir o estreitamento das relações entre a universidade, Irati e toda a nossa região”, afirmou.
Segundo o prefeito, a aproximação poderá gerar resultados em diferentes áreas.
“A Polônia já contribuiu muito para Irati por meio de seus imigrantes. Agora, buscamos novamente estabelecer parcerias para a troca de experiências na agricultura, na tecnologia, na inovação e em outros campos. Este projeto mostra que Irati está trabalhando para construir relações profícuas e duradouras”, declarou.

Emiliano também destacou a importância do ensino de uma nova língua para a formação dos estudantes.
“Formar nossos alunos em uma língua diferente do inglês é prepará-los para um mundo mais integrado, com mais parcerias, respeito e cooperação. A ponte com a Polônia começa nas salas de aula, mas poderá avançar para novas iniciativas de desenvolvimento regional”, completou.
Valorização da história e novas oportunidades
A presidente da Braspol, nucleo de Irati, Nelsi Pabis, explicou que o projeto tem dois objetivos principais: homenagear os antepassados que imigraram para o Paraná e apresentar aos estudantes a Polônia atual, reconhecida pela valorização da educação, da ciência e da tecnologia.
“Este projeto nasce da necessidade de honrar nossos antepassados, mas também de olhar para uma nova Polônia, próspera e voltada para a educação”, afirmou.
Durante a solenidade, Nelsi apresentou as professoras Zuleika Onesko e Luziana Spegiorin Surek, que inicialmente serão responsáveis pelas aulas de língua e cultura polonesa.
Zuleika já ministra aulas de polonês para adultos e possui formação na área. Para ela, a missão vai além do ensino do idioma.
“Ensinar polonês é fazer com que os alunos conheçam uma nova cultura e percebam a grande quantidade de oportunidades que o domínio de uma nova língua pode proporcionar”, disse.

A secretária municipal de Educação, Elicéia Hladik Szereda, ressaltou que o aprendizado de um idioma também permite que os estudantes conheçam o mundo por meio da cultura.
“A ideia é que os alunos possam viajar pelo mundo, primeiramente, por meio da cultura. O domínio de uma segunda língua abre as portas para um novo universo”, explicou.
De acordo com a secretária, estudantes que alcançarem fluência em polonês poderão futuramente participar de intercâmbios e ter acesso a novas oportunidades de formação e conhecimento.
“Neste primeiro momento, as professoras serão contratadas por meio de credenciamento, mas pretendemos abrir espaço para que outros profissionais da rede municipal possam se capacitar. Nossa intenção é que, no futuro, professores habilitados possam realizar uma imersão na Polônia, ampliando seus conhecimentos sobre a cultura e as metodologias de ensino”, afirmou.
Elicéia também destacou o significado cultural da iniciativa.
“Estamos celebrando muito mais do que o início do ensino de uma nova língua. Estamos valorizando a nossa história, a nossa cultura e as raízes que compõem a identidade de Irati”, disse.
Universidade de Varsóvia poderá apoiar projeto
Durante a cerimônia, Konrad Zawadski falou em português e afirmou estar feliz por participar do lançamento do projeto.
“A língua polonesa vai aproximar vocês ainda mais da Polônia, dos seus descendentes e das suas raízes. Por enquanto, vocês ainda não falam polonês, mas vão aprender. Aprender uma nova língua é uma aventura, e esperamos que vocês aprendam muitas palavras e façam muitos amigos. Sejam muito bem-vindos a essa aventura de conhecer a língua polonesa”, declarou aos estudantes.

O pesquisador também fez agradecimentos em polonês, encantando os alunos, e colocou a Universidade de Varsóvia à disposição para colaborar com o projeto.
“Podemos buscar materiais educacionais para que as crianças aprendam polonês com métodos semelhantes aos utilizados na Polônia”, afirmou.
Aulas começam nos próximos dias
As aulas serão realizadas durante o período de permanência dos alunos nas escolas de ensino integral, em formato semelhante ao de um contraturno escolar. A proposta é que os estudantes tenham, ao longo do ensino fundamental, pelo menos três anos de formação em língua polonesa, somando esse conhecimento ao ensino de inglês.
A vereadora e professora Silvana Rezepka, que também participou da construção da proposta, explicou que a ideia começou a ser discutida no ano passado.

“Ao longo do primeiro semestre, fomos trabalhando o tema até formatar o projeto que agora está sendo apresentado. É muito empolgante participar de uma iniciativa que envolve educação e abre as portas para um novo mundo”, afirmou.
As três escolas municipais que oferecem ensino integral receberão as aulas, que devem começar nos próximos dias.