Talita Ludvichak
Uma noite de celebração, memória e pertencimento marcou a terça-feira (28), no Parque Aquático de Irati. A cidade recebeu a apresentação da turnê internacional do Sopilka Ukrainian Dance School, de Winnipeg, no Canadá, em um espetáculo realizado em parceria com o Grupo Folclórico Ucraniano Ivan Kupalo, que neste ano celebra 50 anos de história. O evento reuniu famílias, crianças, jovens e idosos em torno da música, da dança e das tradições que atravessaram gerações, reafirmando a força da cultura ucraniana preservada em Irati.
Muito além das apresentações artísticas, a noite simbolizou a união entre diferentes gerações e países que compartilham a mesma origem. Em meio a elementos da tradição cristã e das antigas celebrações pagãs da cultura ucraniana, o encontro evidenciou como os descendentes mantêm vivas as raízes deixadas pelos imigrantes, transformando a cultura em um elo de identidade, memória e integração comunitária.
A programação foi aberta pela apresentadora e tradutora Andrea B. Sahaiko Kruk, que destacou o significado especial da ocasião, marcada pelo início das comemorações dos 50 anos do Grupo Folclórico Ucraniano Ivan Kupalo e pela passagem da turnê internacional do grupo canadense por Irati. “Celebramos os 50 anos do Grupo Folclórico Ucraniano Ivan Kupalo e recebemos, com muita alegria, a turnê do grupo Sopilka, do Canadá, que se encantou com Irati e tornou essa noite ainda mais especial”, disse.
O prefeito de Irati, Emiliano Gomes, deu as boas-vindas ao público em português e também em inglês, gesto que simbolizou a receptividade da cidade aos visitantes internacionais e reforçou o caráter de integração cultural do evento. “Receber uma visita tão importante fortalece a cultura ucraniana em Irati e em toda a região. É uma alegria celebrar esse momento ao lado da comunidade”, disse.
A abertura artística ficou por conta do Grupo Folclórico Ucraniano Ivan Kupalo, que apresentou pela primeira vez em Irati a dança Ivana Kupala, inspirada na tradicional celebração da Noite de Ivana Kupala. A coreografia retratou antigos rituais ligados ao fogo, à água e às lendas ancestrais da cultura ucraniana, resgatando costumes que, embora tenham origem nas antigas festividades pagãs da colheita, hoje convivem harmoniosamente com a fé cristã preservada pela comunidade ucraniana.
A apresentação ganhou ainda mais simbolismo ao ser realizada ao redor de uma fogueira, em meio à natureza do Parque Aquático, recriando o ambiente em que a celebração acontecia tradicionalmente entre os ancestrais.
Enquanto o grupo realizava a troca de figurinos para a sequência das apresentações, a presidente do Grupo Folclórico Ucraniano Ivan Kupalo, Ana Maria Charnei, agradeceu o apoio recebido e destacou a importância da data para a trajetória da entidade. “Completar 50 anos e viver um momento como este é um presente para o nosso grupo. Esse evento só foi possível graças ao apoio da comunidade e do poder público”, disse.
Durante sua fala, Ana Maria também anunciou que Irati será sede da 32ª edição do Festival Nacional de Danças Folclóricas Ucranianas, entre os dias 20 e 21 de novembro, reunindo cerca de 30 grupos do Brasil, Argentina e Paraguai. “Convido toda a comunidade para prestigiar esse grande festival, que reunirá grupos de vários países e mostrará ainda mais a força da nossa cultura”, conta.
Outro dos momentos mais emocionantes da noite aconteceu com a participação da coreógrafa e dançarina do Sopilka Ukrainian Dance School, Kristina Frykas. Em mensagem traduzida pela apresentadora, ela destacou que Brasil e Canadá compartilham uma história semelhante de imigração ucraniana, marcada por desafios, mas também pela preservação das tradições.
Kristina relembrou sua passagem por Irati em 2023 e afirmou ter ficado impressionada com a forma como a cultura permanece viva entre os descendentes brasileiros, mesmo após tantas gerações. “Nossa história de imigração é a mesma. Ver a cultura ucraniana preservada com tanta força no Brasil enche o meu coração de alegria”, disse.
Ela também compartilhou um momento de forte emoção vivido durante a visita à cidade. Ao conversar com integrantes da comunidade local, descobriu que seu pai e a avó da apresentadora e tradutora Andrea B. Sahaiko Kruk nasceram na mesma cidade, na Alemanha, durante o período de fuga da Segunda Guerra Mundial — uma coincidência que evidenciou os laços históricos entre famílias separadas pela guerra, mas unidas pelas mesmas origens.
Ao apresentar o grupo canadense ao público, Andrea B. Sahaiko Kruk ressaltou o alto nível técnico dos bailarinos. “Eles não são dançarinos profissionais, mas possuem técnica profissional, desenvolvida desde a infância com formação em balé”, afirma.
Encerrando a programação, integrantes dos dois grupos e o público permaneceram reunidos em um momento de confraternização, marcado por abraços, fotografias e reencontros. Mais do que um espetáculo de dança, a noite reafirmou o papel da cultura como patrimônio vivo de Irati, aproximando gerações, fortalecendo o sentimento de pertencimento e demonstrando que as tradições trazidas pelos imigrantes continuam sendo preservadas e compartilhadas com orgulho pela comunidade.
