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Granizo e chuvas deixam famílias desalojadas na região e mobilizam Defesa Civil

Boletins da Defesa Civil apontam danos provocados por tempestades entre 29 e 31 de agosto no Paraná. Em Irati, levantamento municipal registra 127 famílias atingidas, além de prejuízos em moradias, áreas alagadas e estruturas públicas
Foto: Reprodução redes sociais

Ariane Luz e Esther Kremer

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A passagem de uma frente semi-estacionária pelo Sul do país, combinada com um sistema de baixa pressão sobre o Paraguai e o transporte de umidade da Amazônia, criou condições para temporais severos no Paraná entre os dias 29 e 31 de agosto. Segundo boletim da Coordenadoria Estadual da Defesa Civil, atualizado às 7h desta terça-feira (1º), 38 municípios foram atingidos no estado, com 6.360 pessoas afetadas, 74 desalojadas, 2.425 casas danificadas e duas destruídas.

Na região, Irati aparece no relatório estadual com ocorrência registrada em 31 de agosto, classificada como tempestade local/convectiva com granizo. O sistema aponta 224 pessoas afetadas, 24 desalojadas e 28 casas danificadas no município. Rebouças também registrou ocorrência na mesma data, classificada como enxurrada, com 100 pessoas afetadas.

Vídeo: Folha de Irati

Já Cruz Machado, Fernandes Pinheiro, Guamiranga, Imbituva, Inácio Martins, Ivaí, Prudentópolis, Rio Azul, São João do Triunfo, São Mateus do Sul e Teixeira Soares constavam sem relatório até a atualização informada.

Porém, em buscas na internet, podemos acompanhar diversos relatos de moradores dos municípios da região que registraram pontos de alagamento e vazão dos rios. Em Inácio Martins, no Quarteirão dos Vieira, o bueiro não aguentou a pressão da chuva e acabou alagando no entorno, além de registros de pontos próximos à linha férrea, informações do portal Inácio Martins Informa.

Foto: Print vídeo do portal Inácio Martins Informa

Em Mallet, a Prefeitura publicou um vídeo onde mostram os diversos pontos alagados da cidade, como o Parque dos Imigrantes, porém, a gestão já esta trabalhando com a limpeza dos pontos.

Vídeo: Prefeitura de Mallet

Em Prudentópolis, mesmo sem registro no boletim estadual até aquele momento, as fortes chuvas também causaram transtornos no interior. De acordo com o portal O Prudentopolitano Notícias, a estrada principal que liga Palmital à comunidade de Ponte Alta ficou sem condições de passagem nesta terça-feira (1º). O trecho próximo ao Rio da Cascalheira estava intransitável devido ao grande volume de água acumulado após as chuvas. Moradores registraram imagens da situação e motoristas foram orientados a evitar o trecho e não tentar realizar a travessia, devido ao nível elevado e à força da água. O alerta foi direcionado especialmente aos moradores de Palmital, Ponte Alta e comunidades próximas.

Video: Prodentopolitano Notícias

Segundo a Defesa Civil de São Mateus do Sul, foram registrados cerca de 166 milímetros de chuva. O volume registrado nos dias 30 e 31 de agosto foi 66% superior à média esperada para todo o mês, que é de aproximadamente 100 milímetros. As chuvas intensas provocaram ocorrências pontuais, como enxurradas, danos em coberturas e problemas de drenagem. Na área rural, também podem ter ocorrido transbordamentos de bueiros e danos em estradas.

Foto: Mônica Zampier – Portal RDX

Já em Rebouças, o transporte escolar ficou suspenso na manhã desta terça-feira (31), devido aos alagamentos registrados em alguns trechos das estradas. No período da tarde, as demais linhas do transporte escolar retornaram normalmente, com exceção das linhas de Rio Bonito e Saltinho.

Foto: Reprodução internet

Os reflexos das chuvas também foram registrados em Paulo Frontin. Diversos pontos de alagamento foram identificados no interior do município nesta terça-feira (1º), principalmente em estradas rurais, exigindo atenção redobrada dos motoristas.

Uma das ocorrências aconteceu na estrada da comunidade de Vera Guarani, onde uma mulher de 43 anos precisou ser resgatada após o veículo que conduzia ser arrastado pela forte correnteza. Conforme as informações, a motorista seguia em direção à cidade e tentou atravessar um trecho alagado, mas não conseguiu vencer a força da água e o automóvel acabou sendo arrastado.
Os Brigadistas Voluntários de Paulo Frontin foram acionados e realizaram o resgate. A vítima não apresentava lesões e, após o atendimento no local, foi encaminhada ao Pronto Atendimento de Paulo Frontin para avaliação médica, sem gravidade.

Foto: Reprodução

Em boletim próprio divulgado em 1º de setembro, a Defesa Civil de Irati apresentou um quadro mais detalhado dos impactos locais. O município informou que, em razão das chuvas intensas e da ocorrência de granizo, decretou Estado de Emergência e manteve equipes mobilizadas para atendimento e acompanhamento das áreas afetadas. Até o momento do levantamento municipal, foram identificadas 127 famílias atingidas, somando 224 pessoas. Desse total, 69 famílias estão na área urbana e 58 na área rural, sendo 75 crianças e adolescentes, e 42 pessoas idosas.

A Defesa Civil municipal informou ainda que 50 famílias estão em moradias improvisadas e que 92 famílias, o equivalente a 72,44% do total atingido, pertencem às faixas de menor renda. O dado ajuda a dimensionar a gravidade da situação: em eventos climáticos extremos, os prejuízos não recaem apenas sobre telhados, móveis e lavouras, mas sobre famílias que já têm menor margem financeira para reconstruir o que foi perdido.

Além dos danos em residências, Irati registrou pontos de alagamento em diferentes regiões. As áreas de maior vulnerabilidade permanecem sob monitoramento da Defesa Civil. Também foram identificados danos em prédios e estruturas públicas, que ainda passam por avaliação para medir os prejuízos e definir as medidas de recuperação.

A instabilidade já havia sido prevista no Boletim de Gestão de Riscos nº 039/2026, elaborado em 31 de agosto. O meteorologista Diulio Patrick Pereira Machado alertava para ambiente favorável à formação de tempestades severas em boa parte do Paraná, com possibilidade de rajadas de vento localmente severas, granizo de grande porte e forte atividade elétrica. O boletim também apontava risco de acumulados elevados de chuva, especialmente próximo à divisa com Santa Catarina, onde os volumes poderiam ultrapassar 100 milímetros ao longo da segunda-feira.

Com a diminuição gradual da chance de temporais a partir de terça-feira e a chegada de uma massa de ar seco e frio sobre o Paraná na quarta-feira, a preocupação se volta agora ao atendimento das famílias e à recuperação dos danos. A Defesa Civil orienta a população a evitar áreas alagadas, não se aproximar de locais com estruturas comprometidas e acompanhar apenas comunicados oficiais. Em situações de risco, a recomendação é acionar os canais de emergência e permitir o trabalho das equipes responsáveis pelas vistorias e pelo levantamento dos prejuízos.

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