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O frio pode aumentar em até 30% os infartos e provoca picos de pressão arterial, AVCs e agravamento de doenças crônicas. Especialistas em cardiologia pedem atenção redobrada no inverno: exercícios regulares e hábitos saudáveis são cruciais para reduzir riscos.
O frio pode aumentar em até 30% os infartos. Foto: Folha de Irati - IA

Ariane Luz

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Com a chegada das temperaturas mais baixas, a atenção costuma se voltar para as doenças respiratórias. No entanto, o inverno também aumenta o risco de complicações cardiovasculares, como infarto, acidente vascular cerebral (AVC), crises hipertensivas e descompensação de doenças crônicas. Especialistas alertam que, quando os termômetros ficam abaixo de 14°C, os casos de infarto podem subir até 30%, sobretudo entre pessoas de 75 a 84 anos e pacientes com doença coronariana.

De acordo com o cardiologista Dr. Eduardo Lanaro, do Hospital Amhemed, o frio desencadeia mecanismos fisiológicos que exigem mais do coração. “O principal mecanismo é a vasoconstrição periférica, em que os vasos se contraem para preservar a temperatura corporal. Isso aumenta a pressão arterial e faz com que o coração trabalhe mais. Além disso, há maior liberação de hormônios do estresse e o sangue pode se tornar mais viscoso, favorecendo a formação de trombos e aumentando o risco de infarto e AVC”, afirma.

Dr. Felipe Pittella, cardiologista do Instituto Nacional de Cardiologia (INC), complementa que a exposição ao frio provoca alterações importantes no organismo: “O frio faz aumentar a viscosidade sanguínea, a pressão arterial e as concentrações de fibrinogênio, fatores trombogênicos que favorecem a obstrução das artérias coronárias e podem levar ao infarto agudo do miocárdio.” Pittella também alerta que infecções respiratórias, como gripes e resfriados, elevam o risco cardiovascular ao aumentar a inflamação das paredes vasculares, o que favorece a formação de coágulos.

Idosos e pacientes com doenças crônicas precisam de atenção especial

Pessoas acima de 65 anos são o grupo mais vulnerável no inverno. Segundo Dr. Eduardo Lanaro, o envelhecimento reduz a capacidade de adaptação às variações de temperatura: “Os idosos apresentam maior rigidez das artérias e menor capacidade de resposta ao frio. Quando isso se associa à hipertensão, ao diabetes ou à aterosclerose, o risco de complicações cardiovasculares torna‑se significativamente maior.” Pittella ressalta que o frio pode precipitar eventos até mesmo em pessoas que desconhecem doenças cardíacas, por isso recomenda roupas adequadas e ambientes aquecidos.

Pacientes hipertensos, diabéticos e com problemas circulatórios tendem a sentir mais os efeitos da estação. “As doenças que comprometem a circulação ficam mais intensas com o frio. Pacientes com problemas circulatórios nos membros inferiores, por exemplo, podem sentir maior desconforto devido à diminuição da circulação”, explica Pittella.

Hábitos do inverno também elevam os riscos

Além dos efeitos diretos do frio, mudanças comportamentais típicas do inverno contribuem para aumentar o risco cardiovascular. A redução da atividade física favorece elevações na pressão arterial, no colesterol e na glicemia, além de intensificar processos inflamatórios. “É muito comum que as pessoas fiquem mais sedentárias nessa época do ano. A combinação entre frio e falta de atividade física prejudica o controle da pressão, do colesterol e do diabetes. O coração perde uma importante proteção proporcionada pelo condicionamento físico”, diz Dr. Eduardo Lanaro.

Entre os hipertensos, o frio potencializa a vasoconstrição, favorecendo picos de pressão arterial e aumentando o risco de infarto, AVC, insuficiência cardíaca e até dissecção da aorta. Para os diabéticos, alterações hormonais, menor atividade física, desidratação e maior incidência de infecções respiratórias dificultam o controle da glicemia.

Para reduzir esses riscos, Lanaro recomenda manter rigorosamente o tratamento: monitorização mais frequente da pressão arterial e da glicose, manutenção correta das medicações, hidratação adequada, alimentação equilibrada e vacinação em dia.

Alimentação, hidratação e atividade física fazem diferença

Mesmo nos dias frios, manter hábitos saudáveis continua sendo uma das principais formas de prevenção. O cardiologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Dr. Leandro Costa, destaca que a menor ingestão de líquidos no inverno torna o sangue mais viscoso e, portanto, mais propenso à formação de coágulos. Ele também salienta os benefícios da atividade física: “A atividade física aquece o corpo, melhora a disposição e pode ser acompanhada de alimentos nutritivos e pouco calóricos, como queijo branco, pão integral, peito de peru, ovo cozido e frutas como banana e damasco”.

Os especialistas orientam evitar mudanças bruscas de temperatura, especialmente para pessoas com colesterol elevado, obesidade, tabagismo ou histórico de doenças cardiovasculares. Segundo Felipe Pittella, sair rapidamente de um ambiente aquecido para outro muito frio pode desencadear crises de angina e aumentar o risco de infarto e AVC.

Os médicos alertam que sintomas como dor ou pressão no peito, falta de ar, suor frio intenso, tontura, palpitações, náuseas e sinais neurológicos — como dificuldade para falar, perda de força em um lado do corpo ou assimetria facial — exigem atendimento médico imediato. “Tempo é músculo cardíaco e neurônio cerebral. Não vale a pena esperar os sintomas passarem. É muito melhor procurar atendimento e descartar uma situação grave do que perder a oportunidade de tratar um infarto ou um AVC em tempo”, afirma Dr. Eduardo Lanaro.

O inverno como momento de prevenção

Para Lanaro, o inverno deve ser um período de conscientização sobre a importância da prevenção. “Com acompanhamento médico, controle dos fatores de risco e hábitos saudáveis, é possível reduzir significativamente as complicações cardiovasculares. Quem tem hipertensão, diabetes, colesterol elevado ou histórico familiar de doenças do coração deve aproveitar esse período para realizar uma avaliação preventiva e cuidar ainda mais da saúde.”

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