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Febre do Nilo Ocidental tem quatro casos confirmados no Brasil; veja sintomas, transmissão e como se prevenir

Doença transmitida principalmente pela picada do pernilongo infectado já teve registros em Santa Catarina e São Paulo, com uma morte; áreas rurais e silvestres concentram maior risco de exposição.
Mosquito Anopheles stephensi picando pessoa23/11/2015REUTERS/Jim Gathany/CDC/Handout via Reuters/File Photo – Foto: Reuters

Thomaz Pabis, com informações da CNN Brasil

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A confirmação de quatro casos de Febre do Nilo Ocidental no Brasil em 2026, sendo dois em Santa Catarina e dois em São Paulo, voltou a chamar a atenção para uma doença considerada rara no país. Entre os registros está a morte de uma mulher de 77 anos, moradora de Imbituba (SC). Há ainda um caso provável em investigação no Piauí.

A Febre do Nilo Ocidental (FNO) é uma infecção viral transmitida principalmente pela picada de mosquitos infectados do gênero Culex, conhecidos popularmente como pernilongos. O ciclo do vírus ocorre principalmente entre os mosquitos e aves silvestres, que funcionam como hospedeiras naturais.

Embora a maioria das pessoas infectadas não desenvolva sintomas, a doença pode, em situações mais graves, atingir o sistema nervoso e provocar meningite, encefalite ou paralisia flácida aguda. Atualmente, não existe vacina recomendada para humanos no Brasil nem tratamento antiviral específico.

Como ocorre a transmissão?

Os mosquitos podem adquirir o vírus ao picar determinadas aves silvestres infectadas. Depois, o pernilongo contaminado pode transmitir o vírus ao picar seres humanos ou outros mamíferos.

Humanos e cavalos são considerados hospedeiros acidentais e terminais, ou seja, normalmente não apresentam quantidade de vírus no sangue suficiente para continuar o ciclo por meio dos mosquitos. A doença também não é transmitida habitualmente de uma pessoa para outra.

Existem, porém, formas raras de transmissão já relatadas, como por transfusão de sangue, transplante de órgãos, aleitamento materno e transmissão da gestante para o feto.

Onde há maior risco?

De acordo com o Ministério da Saúde, a exposição ao vírus está especialmente relacionada à presença de pessoas em áreas rurais e silvestres onde existam mosquitos infectados. Esses ambientes podem concentrar aves silvestres que participam do ciclo de transmissão da doença.

Por isso, trabalhadores que permanecem por longos períodos ao ar livre, como agricultores, veterinários, agrônomos, zootecnistas, biólogos e jardineiros, devem reforçar os cuidados contra picadas de mosquitos.

A confirmação dos casos, contudo, não significa que exista transmissão disseminada em São Paulo ou Santa Catarina. As autoridades continuam investigando os locais prováveis de infecção e a possível circulação do vírus.

Quais são os sintomas?

Segundo o Ministério da Saúde, estima-se que cerca de 20% das pessoas infectadas desenvolvam sintomas, geralmente leves. Entre os principais sinais estão:

  • Febre de início repentino e mal-estar;
  • Dor de cabeça;
  • Dores musculares;
  • Dor nos olhos;
  • Náuseas e vômitos;
  • Falta de apetite;
  • Manchas avermelhadas na pele;
  • Aumento dos linfonodos.

A maior parte das infecções, portanto, passa sem manifestações clínicas. Uma parcela pequena, porém, pode desenvolver complicações neurológicas.

O Ministério da Saúde estima que aproximadamente uma em cada 150 pessoas infectadas desenvolva doença neurológica grave. Entre as manifestações estão encefalite, meningite e paralisia flácida aguda, além de fraqueza muscular, alterações de consciência e convulsões.

Pessoas idosas e pacientes com comprometimento do sistema imunológico estão entre os grupos que merecem maior atenção diante do risco de formas graves.

Quatro casos confirmados e uma morte

Em Santa Catarina, os dois casos confirmados envolvem moradores de Imbituba e Caçador. A paciente de Imbituba tinha 77 anos e morreu após apresentar manifestações neurológicas. O outro paciente, um homem de 56 anos, chegou a ser internado, mas recebeu alta. Os locais prováveis de infecção ainda são investigados.

Em São Paulo, foram confirmados os dois primeiros casos humanos da doença no estado. Uma mulher de 34 anos, de Ribeirão Preto, tinha histórico recente de viagem à região amazônica e já se recuperou. O outro registro envolve uma jovem de 18 anos, de São José do Rio Preto, que permanece sob cuidados médicos. Os casos foram confirmados por exames realizados pelo Instituto Adolfo Lutz.

O Ministério da Saúde e as autoridades estaduais também acompanham um caso provável no Piauí, que ainda depende da conclusão da investigação para eventual confirmação.

Não há tratamento específico

Até o momento, não existe medicamento antiviral específico contra a Febre do Nilo Ocidental. Nos quadros leves, o tratamento é direcionado ao controle dos sintomas, com acompanhamento médico e hidratação quando indicada.

Casos graves, principalmente quando há comprometimento neurológico, podem exigir hospitalização e até atendimento em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Pessoas que apresentarem febre acompanhada de outros sintomas, especialmente alterações neurológicas, devem procurar atendimento de saúde para avaliação adequada.

Como se prevenir?

Como não existe vacina recomendada para humanos no país, a principal prevenção consiste em evitar a picada dos mosquitos. O Ministério da Saúde recomenda medidas como:

  • Usar repelente;
  • Instalar telas em portas e janelas;
  • Usar roupas que reduzam a exposição da pele quando necessário;
  • Evitar o acúmulo de água parada;
  • Manter ambientes e áreas de drenagem adequadamente limpos;
  • Evitar despejar lixo em valas, valetas, córregos, rios e riachos;
  • Evitar contato direto com animais encontrados mortos.

Apesar dos novos registros, especialistas ressaltam que a Febre do Nilo Ocidental continua sendo considerada rara no Brasil e que os casos confirmados, por enquanto, não caracterizam transmissão disseminada pelo país. A identificação dos episódios, entretanto, reforça a importância da vigilância de pessoas, mosquitos, aves e outros animais para detectar precocemente áreas onde o vírus possa estar circulando.

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