Karina Ludvichak e Nilton Pabis
A 24ª da ExpoAgro Afubra consolidou mais uma vez seu papel como vitrine de inovação, diversidade produtiva e troca de conhecimento no agronegócio. Realizada em uma área estruturada para integrar diferentes segmentos do setor, a feira reúne desde a exposição de animais até tecnologias voltadas à produção agroflorestal e à cadeia produtiva do tabaco, fortalecendo a agricultura familiar nos estados do Sul do Brasil.
Um dos destaques do evento é o espaço dedicado à exposição de animais, que reforça a diversidade de atividades presentes no campo e evidencia a importância da integração entre produção pecuária e agrícola. O ambiente permite ao público conhecer de perto diferentes espécies, além de promover o contato direto com práticas e manejos adotados por produtores.
AGROFLORESTAL
No setor agroflorestal, o visitante conta com um espaço que vai além da exposição, e pode adentrar em um viveiro montado especialmente para a feira todos os anos, onde é possível conhecer parte do trabalho desenvolvido pelo departamento agroflorestal da Afubra. Apesar de ser temporário durante o evento, o viveiro representa uma estrutura permanente que funciona ao longo de todo o ano em Rio Pardo (RS), responsável por atender unidades distribuídas no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Com quase 40 anos de atuação contínua, o viveiro agroflorestal da Afubra evoluiu ao longo do tempo. Inicialmente voltado ao fomento de florestas para produção de energia, hoje incorpora uma ampla diversidade de cultivos, incluindo plantas nativas, frutíferas, ornamentais e espécies voltadas à produção agrícola. Somente na feira, são apresentadas cerca de 165 espécies e cultivares diferentes, evidenciando a amplitude do trabalho desenvolvido.
Segundo o gerente de Produção Agroflorestal da Afubra, Juarez Pedroso Filho, o espaço é uma oportunidade de aproximar o conhecimento técnico dos produtores. “Esse espaço é um viveiro temporário, preparado especialmente para a feira. Aqui a gente traz um pouco da diversidade de plantas que produzimos e também o nosso corpo técnico para orientar os visitantes, seja sobre cultivo, gestão ambiental ou produção florestal”, explica.
Ele destaca que a evolução do viveiro acompanha as demandas dos próprios agricultores. “Ao longo do tempo fomos aprimorando e incorporando novos cultivos, muitas vezes estimulados pelos clientes. Hoje trabalhamos com espécies nativas, ornamentais, frutíferas e também com parcerias importantes, como com a Embrapa”, afirma.

Entre os exemplos, estão cultivares de batata-doce, banana e forrageiras, como a BRS Kurumi, indicada para pastoreio e com alto valor nutritivo. “É um material extremamente produtivo e com teor de proteína interessante, atendendo desde pecuária de leite até outras atividades”, acrescenta Juarez.
Além da produção de mudas, o espaço também cumpre um papel fundamental de orientação técnica. Profissionais especializados estão disponíveis para esclarecer dúvidas sobre manejo, gestão ambiental, regularização de propriedades e alternativas produtivas. “Muitas vezes o visitante não leva a planta, mas leva a informação. E esse é um dos grandes valores da feira: a troca de conhecimento”, ressalta.
A logística de distribuição das mudas também chama atenção. Mesmo com um único viveiro centralizado, a Afubra consegue atender suas 28 unidades por meio de um sistema eficiente, com abastecimento regular e capacidade de entrega em até dez dias. “Nosso objetivo é levar esses benefícios a toda a área de atuação da Afubra. Havendo disponibilidade, a muda chega rapidamente às filiais”.

TABACO
No setor do tabaco, outro pilar importante da feira, empresas do segmento também marcam presença com foco em inovação e proximidade com o produtor. É o caso da Alliance One, que apresenta suas principais cultivares e destaca o trabalho de desenvolvimento de sementes voltadas à produtividade, qualidade e resistência.
De acordo com a supervisora de processamento de sementes, Amanda Miller, a participação na feira fortalece o vínculo com os produtores. “A gente busca sempre estar próximo do produtor, levando tecnologia até o campo. O desenvolvimento de novas cultivares é pensado justamente para atender às necessidades dele”, afirma.
Ela destaca que as sementes oferecidas pela empresa buscam equilibrar produtividade e qualidade, além de incorporar resistência a diferentes condições de cultivo. “As nossas variedades alinham produtividade, qualidade e também características importantes para o campo, como resistência. Isso é essencial para garantir bons resultados ao produtor”.
Outro ponto importante é a adaptação às mudanças climáticas, que já influenciam o desenvolvimento das cultivares. “O nosso programa de melhoramento já trabalha com esse olhar para o futuro. Desenvolvemos materiais mais resilientes, capazes de tolerar estresses, considerando as mudanças que estão acontecendo”, ressalta Amanda.
A empresa também investe em testes rigorosos de qualidade, apresentados durante a feira como diferencial. Além disso, considera as particularidades regionais dos estados do Sul. “Nossas cultivares performam em diferentes regiões, mas já entendemos que o futuro passa por características cada vez mais regionalizadas”, completa.
A relação entre empresa e agricultor também é reforçada durante o evento. Para Amanda, o contato direto é essencial. “Para quem não puder participar da feira, a orientação é buscar os técnicos e equipes próximas. A informação precisa chegar ao produtor para garantir uma boa safra”, orienta.
Nesse contexto, a ExpoAgro Afubra 2026 se consolida como um espaço de convergência. Produtores, técnicos, empresas e instituições compartilham experiências, identificam novas oportunidades e contribuem para o avanço do setor. Muitas vezes, o principal resultado não é imediato, mas se reflete ao longo do tempo, na adoção de novas práticas e no aprimoramento das atividades rurais.
Com uma programação diversificada e foco na agricultura familiar, a feira reafirma sua relevância no cenário agropecuário do Sul do Brasil, mostrando que inovação, sustentabilidade e cooperação são caminhos essenciais para o futuro do campo.
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