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21º edição do dia de campo destaca tecnologia regionalizada, importância do CEP Rural, e novos investimentos para fortalecer a produtividade no campo
Evento é uma vitrine onde o produtor visita os estandes e áreas experimentais - Fotos: Cooperativa Bom Jesus

Karina Ludvichak e Nilton Pabis

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A Cooperativa Cooperativa Bom Jesus realizou, entre quarta (25) e sexta-feira (26), na Lapa, o 21º Dia de Campo, reunindo aproximadamente 6 mil produtores rurais ao longo dos três dias. Com média de 1.500 a 1.800 visitantes por dia, o evento se consolida como um dos principais encontros técnicos da região Sudeste do Paraná e do Planalto Norte de Santa Catarina, apresentando experimentos regionais, inovações tecnológicas e oportunidades de negócios voltadas ao aumento da produtividade e da rentabilidade no campo.

O presidente da cooperativa, Luiz Roberto Baggio, destacou que o evento é resultado de mais de duas décadas de investimento contínuo em tecnologia. “São 21 anos que nós fazemos esse evento de tecnologia. Nós reunimos aproximadamente 6 mil produtores rurais, divididos em grupos e acompanhados por técnicos, para olhar os experimentos adaptados à nossa região. Aqui não é só um show, é um dia de campo dirigido”, afirmou.

Segundo Baggio, o evento é uma vitrine onde o produtor visita os estandes e áreas experimentais com acompanhamento técnico, recebendo explicações de 10 a 15 minutos em cada ponto. “Ele decide o pacote tecnológico que vai adotar para feijão, milho, soja, cevada, trigo. É aqui que ele define como vai investir na lavoura ao longo do ano”.

A cooperativa atua em 28 unidades na região Sudeste do Paraná e Planalto Norte catarinense, abrangendo municípios como Irati, Palmeira, São Mateus do Sul, Lapa, Contenda, Quitandinha, Mafra, Campo Largo e Araucária.

Cooperativa Bom Jesus atua em 28 unidades no Paraná – Foto: Cooperativa Bom Jesus

NOVIDADE

Baggio ainda anunciou a transformação da área experimental da Lapa em um Centro de Pesquisa permanente. “Vamos transformar isso aqui em um centro de pesquisa, com laboratórios, mais equipe técnica e consultoria. Vamos aprofundar estudos em fertilidade, genética e fisiologia de plantas. É uma evolução importante para a nossa região”.

Ele também confirmou que a cooperativa adquiriu um novo terreno em Irati e projeta investimento de cerca de R$ 80 milhões em uma unidade moderna e automatizada de recebimento de grãos. “Será uma unidade com secagem direta, exigência para cevada, atendendo inverno e verão”.

Ao final, Baggio reforçou os pilares da cooperativa. “Segurança e credibilidade. O agricultor precisa estar amparado por uma empresa com 74 anos de história. Aqui não tem meias palavras. Balanço aberto, números abertos. O modelo cooperativo defende o interesse do produtor rural”, finalizou.

CEP RURAL

Durante o evento, o superintendente-geral de Ordenamento Territorial do Paraná, Benno Henrique Weigert Doetzer, apresentou o projeto do CEP Rural, integrado à plataforma Paraná Mais Sustentável. “O CEP Rural é uma iniciativa do Estado que surgiu após a regularização dos cadastros ambientais rurais. Em 12 meses, passamos de menos de 1% dos CAR analisados para mais de 50% em conformidade com a lei”, explicou.

A nova ferramenta permite que cada propriedade rural tenha um código alfanumérico exclusivo, funcionando como um CEP urbano. “O produtor marca um ponto na propriedade, pode ser na porteira ou na casa. Essa coordenada vira um código. Ao inserir no Google Maps ou Waze, a rota é gerada automaticamente até aquele ponto exato”, detalhou.

Além da entrega de encomendas, o sistema terá impacto em segurança pública, transporte escolar e planejamento de manutenção de estradas. “O produtor poderá indicar problemas na estrada, como buracos ou pontes quebradas. O gestor público terá um mapa de calor com as demandas”. Segundo Detzel, a plataforma utiliza inteligência artificial e deve estar disponível para download a partir de março.

Tecnologia aérea também foi destaque no dia de campo
– Foto: Cooperativa Bom Jesus

NOTA FISCAL ELETRÔNICA

A assistente administrativa da Bom Jesus, Jaíne Bueno Collage, destacou que a cooperativa trouxe para o dia de campo orientações sobre a emissão da Nota Fiscal Eletrônica, obrigatória desde o início deste ano. “Tivemos muitas solicitações nas lojas. Os produtores vinham perguntar como emitir, qual aplicativo usar. Decidimos trazer essa orientação para o Dia de Campo”, explicou.

A recomendação é utilizar o aplicativo Nota Fiscal Fácil (NFF) ou o portal Receita PR. “Auxiliamos na instalação, cadastro de clientes, produtos e no código de validação. E quem não veio ao evento pode procurar qualquer entreposto da Bom Jesus, pois treinamos nossas equipes para orientar”.

MALTARIA CAMPOS GERAIS

A engenheira agrônoma Juliane Krigovski apresentou a Maltaria Campos Gerais, inaugurada em 2024 em Ponta Grossa, resultado da união entre seis cooperativas. “A MCG tem capacidade inicial de 240 mil toneladas de malte e já foi projetada para duplicar. Trabalhamos desde a pesquisa genética até a malteação”, explicou.

Ela destacou que a cevada é uma alternativa rentável para os cooperados. “Precisamos de produtividade e qualidade. Temos contratos de fixação de preço e opções de travamento, o que dá segurança ao produtor”.

DRONES GANHAM ESPAÇO NO CAMPO

A tecnologia aérea também foi destaque. André Veiga, da ALSV Drone Florestal, apresentou aplicações com drones no agro e no setor florestal. “O drone tem produtividade maior, atua em áreas de difícil acesso, usa menos água e tem alta precisão. Já aplicamos em mais de 99 mil hectares pelo Brasil”, afirmou.

O modelo T100, da fabricante DJI, foi um dos equipamentos demonstrados. Jefferson de Oliveira, da Alcomp, explicou: “É um equipamento 3 em 1: pulveriza, dispersa sólidos e transporta cargas de até 85 quilos”.

O engenheiro e operador de drones Gabriel Eduardo detalhou a operação. “Pulverizando, o tempo de voo é de 8 a 10 minutos, cobrindo até 7 hectares por voo. Com três baterias, trabalha o dia todo. A operação é praticamente automática”.

Segundo Jefferson, o investimento parte de R$ 260 mil. “E o pós-venda é fundamental. Nossas revendas oferecem treinamento e suporte completo”.

ERVA-MATE E INOVAÇÃO

No espaço da ervateira Taquaral, de São Mateus do Sul, Samara Nowak apresentou a linha completa de erva-mate para chimarrão e tererê. “O nosso lançamento é a erva-mate com menta para chimarrão. Estamos com degustação aqui no evento”.

NOVAS MOLÉCULAS

Representando a Corteva Agriscience, Johnny Tavares destacou o lançamento de novas moléculas e soluções para soja. “A piconilamida é uma molécula nova, lançada 20 anos após a última inovação semelhante. Também trouxemos o Geber, novo dessecante para soja. São tecnologias disruptivas”, afirmou.

Ele ressaltou que sustentabilidade é prioridade. “Todo produto passa por testes rigorosos. Também investimos em biológicos, como o Trichia N. Sustentabilidade é palavra-chave para o futuro”, finalizou.

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