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Iniciativa surgiu há 27 anos na cidade de Venâncio Aires, no Rio Grande do Sul, com o objetivo de ampliar o consumo de erva-mate 

Karina Ludvichak, com reportagem de Nilton Pabis 

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O Folha Agro desta semana traz mais uma reportagem sobre a série especial da ExpoAgro Afubra 2026, que aconteceu no último mês, no Rio Grande do Sul. Durante o evento, um dos espaços que mais despertou a curiosidade do público foi a chamada “Escola do Chimarrão”, iniciativa itinerante que difunde conhecimento sobre a erva-mate, seus benefícios e as formas corretas de preparo da bebida, símbolo cultural do sul do Brasil. A reportagem acompanhou uma demonstração prática e conversou com o diretor executivo da escola, Luís Fernando Rodrigues, que detalhou desde a origem do chimarrão até técnicas que garantem um mate de qualidade.

Durante a entrevista, Rodrigues contextualizou a importância histórica da bebida. Segundo ele, o chimarrão carrega mais de cinco séculos de tradição, com origem no contato entre os povos indígenas guaranis e os colonizadores europeus. “Se nós formos falar da história do chimarrão, nós vamos falar de 500 anos. Os indígenas já utilizavam a erva-mate, inicialmente mascando a folha, e depois passaram à infusão, que começou com água fria e evoluiu para o consumo quente”, explicou.

A partir desse contato cultural, a bebida ganhou espaço e se consolidou como um hábito social e simbólico. “Ela não é só uma bebida. Ela nos serve de acalento, de companhia e tem um peso cultural muito forte. O homem branco agregou o seu conhecimento a uma prática que os indígenas já cultivavam há séculos”, afirmou Rodrigues.

ESCOLA E MISSÃO EDUCATIVA 

A Escola do Chimarrão surgiu há 27 anos com o objetivo inicial de ampliar o consumo da erva-mate, mas rapidamente passou a assumir um papel educativo. “A ideia era conquistar novos apreciadores levando conhecimento. As pessoas sabiam fazer o chimarrão, mas não conheciam os benefícios da erva-mate”, observa o diretor. 

Atualmente, o projeto percorre estados do sul do país, participando de feiras e eventos. “Nós somos um segmento nômade. Levamos informação sobre o chimarrão, a erva-mate e, mais recentemente, também sobre o tereré”, explicou.

Entre os principais pontos abordados nas apresentações estão as propriedades nutricionais da erva. “A erva-mate tem uma centena de propriedades. Ela é digestiva, diurética e possui compostos como flavonóides, cafeína e saponina, que atua como um detergente natural no organismo”.

TEMPERATURA IDEAL 

Um dos aspectos mais enfatizados na escola é a temperatura ideal da água, considerada determinante para a qualidade e segurança do consumo. “Não se deve ferver a água. O ideal é entre 70 °C e 75 °C. Assim, você não queima a erva e nem as vias respiratórias”, orientou Rodrigues.

Ele também chamou atenção para questões de saúde. “Há estudos que indicam que, no Sul, existe um índice maior de câncer de esôfago, associado ao consumo de bebidas muito quentes. Por isso, esse cuidado é fundamental”, alertou.

Foto: Karina Ludvichak

TÉCNICA E RESULTADO 

Durante a demonstração prática, Rodrigues apresentou o chamado “chimarrão de 11 segundos”, método simples e eficiente para o preparo. A técnica consiste em adicionar uma pequena quantidade de erva no fundo da cuia, completar com água na temperatura adequada e, em seguida, formar o “morrinho” de erva na lateral antes de inserir a bomba. “O chimarrão não precisa ser bonito, mas precisa funcionar. Muitas vezes, pequenos erros fazem com que ele entupa ou perca sabor”.

Entre os erros mais comuns, ele destacou o excesso de erva no fundo da cuia e a limpeza inadequada da bomba. “Muita erva sufoca a passagem de ar. E usar a bomba como colher faz com que partículas se acumulem no filtro”, disse.

CULTURA 

Além da técnica, o especialista ressalta o valor social do chimarrão. “Existe toda uma etiqueta. Não se deve mexer na bomba, por exemplo. E quem prepara o mate é quem inicia a roda, passando sempre para a direita”.  Mais do que regras, ele destaca o significado cultural do hábito. “O chimarrão representa a convivência. É sentar, compartilhar, dedicar tempo à família e aos amigos. Isso tem um valor social muito grande”, afirmou.

TRADIÇÃO

Para Rodrigues, a Escola do Chimarrão nasceu com o propósito de manter viva uma tradição cultivada durante séculos e que atravessa gerações, e sua importância está conectada especialmente aos mais jovens. “A gente trabalha muito com crianças, justamente para que esse hábito não se perca. É uma cultura de mais de 500 anos que precisa ser preservada”, concluiu.

A presença da Escola do Chimarrão na 24ª edição da ExpoAgro Afubra demonstra que, mesmo com o avanço de novos hábitos e rotinas aceleradas, o chimarrão segue sendo um elemento central da identidade cultural sulista, unindo história, saúde e convivência em torno de uma cuia.

Para saber mais sobre a iniciativa, acesse @escoladochimarrao no Instagram e também acompanhe ao programa Folha Agro no Youtube e Facebook através do perfil Jornal Folha de Irati. 

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