Karina Ludvichak, com reportagem de Nilton Pabis
Cerca de 400 produtores e consultores técnicos participaram do Dia de Campo Feijão Paraná, realizado na terça-feira (17) e quarta-feira (18), no Polo de Pesquisa do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR), em Ponta Grossa. O evento reuniu representantes de diversas regiões do Estado e teve como foco a difusão de tecnologias voltadas ao aumento da produtividade e da sustentabilidade na cultura do feijão.
A programação incluiu estações técnicas com apresentação de cultivares, manejo de solo, controle de pragas e doenças, além de estratégias de produção adaptadas às diferentes realidades dos agricultores. A iniciativa integra o programa estadual voltado ao fortalecimento da cadeia produtiva do feijão, cultura considerada essencial para a segurança alimentar e para a economia agrícola do Paraná.
De acordo com o assessor técnico estadual de grãos do IDR-PR, Germano Kusdra, o principal objetivo do evento é reduzir a diferença entre a produtividade média registrada no Estado e o potencial produtivo das lavouras. “Esse é um evento específico para feijão e nós temos um programa muito forte dentro do IDR Paraná, dentro das parcerias, que é fortalecido nas ações com feijão para os agricultores familiares e para a agricultura brasileira. Nós somos o maior produtor de feijão do Brasil (o Paraná). Nós entregamos mais de 70% do feijão preto nacional e temos uma referência muito grande. Apesar disso, nós temos uma produtividade que chega a 1.600 kg por hectare de média. Sendo que os materiais que nós mostramos aqui têm potencial para produzir até mais de 5.000 kg por hectare”.
Germano destaca que ajustes no manejo podem elevar a produtividade sem aumento de custos. “Essa diferença entre a média produzida do Estado e o que nós podemos alcançar é grande. E a gente tem convicção que na produção de feijão, alguns ajustes que o produtor possa fazer ou faça no manejo da sua cultura, no sistema produtivo dele, sem gastar mais, ele consegue melhorar essa condição produtiva e, com isso, ter mais renda”, observa.
A mecanização e o desenvolvimento de novas cultivares também foram temas centrais. Segundo Kusdra, as variedades atuais são adaptadas à colheita mecanizada e apresentam melhor qualidade de grão. “Nós desenvolvemos e apresentamos cultivares para os agricultores que têm condição, todas elas, de colheita mecânica”.
Outro avanço importante está relacionado à qualidade culinária e ao comportamento dos grãos após a colheita. “Lançamos, no ano passado, aqui nesse mesmo período, em março, o IPR Tapicuru, que é muito bom de panela, é um feijão macio, de cor boa, muito agradável para os consumidores”, completou Kusdra.
A assessora regional de projetos do IDR-PR, Renata Marlene Reis da Silva, reforça a importância da integração entre pesquisa e extensão rural. “Esse é um evento muito importante para a nossa região, porque ele abrange a cadeia produtiva de grãos, principalmente o cultivo do feijão, que é um alimento básico da nossa alimentação. Esse trabalho e esse projeto, envolve a integração da pesquisa e extensão rural”.
Segundo ela, o objetivo é levar conhecimento diretamente ao agricultor. “Na extensão, a gente tem o trabalho dos extensionistas a campo, onde traz todo o conhecimento junto à agricultura familiar. E na pesquisa, a gente tem o desenvolvimento de cultivares do feijão preto e cultivares de feijão branco”, destaca.
O coordenador estadual do programa Grãos Feijão e Cereais de Inverno do IDR-PR, José Neto, destacou a diversidade de tecnologias apresentadas no evento. “Nós estamos aqui trazendo de tudo um pouco, desde cultivares, tanto do IDR Paraná quanto da Embrapa, manejo da fertilidade, controle de pragas e doenças e também pontos do cultivo”, observa.

Neto também explicou que o trabalho de desenvolvimento das cultivares faz parte de um projeto de pesquisa feito por diversas mãos. “Eu faço parte de uma equipe de melhoramento, liderada pela doutora Vânia Moda Cirino, que está hoje como diretora de Pesquisa, junto comigo tem outras pessoas, então nós trabalhamos no estado inteiro”.
Na área de manejo nutricional, o pesquisador do IDR-PR, Luís Antonio Zanão, destacou a importância da correção do solo para o aumento da eficiência produtiva. “A primeira preocupação que os produtores têm que ter é com a questão da acidez do solo e da calagem, para depois se preocupar com a adubação”, esclarece.
Zanão ressalta que a análise de solo é fundamental para reduzir custos e melhorar resultados. “Cada talhão vai exigir um tipo de adubação diferente. Então, por isso que é importante fazer essa análise de solo bem feita, mandar no laboratório de qualidade, para que com esse resultado a gente consiga fazer uma recomendação mais precisa para cada talhão”.
A importância da transferência de tecnologia foi destacada pelo técnico do IDR-PR e vice-prefeito de Ivaí, Marcelo Nass. “Uma das principais funções do IDR é justamente focar nesse trabalho de transferência de tecnologia. A extensão tem como uma das metas levar esse conhecimento que é desenvolvido aqui na área da pesquisa para os nossos produtores, principalmente o produtor familiar”.
Para Nass, ações como o Dia de Campo do IDR causam impactos diretos para o produtor. “Aqui a gente informou práticas e formas de manejo que ele pode reduzir o custo de produção dele e melhorar a produtividade e, com isso, aumentar a rentabilidade da atividade”.

Representando o setor produtivo, o gerente da Afubra de Irati e Imbituva, Lázaro Bock, destaca a importância das parcerias institucionais. Segundo ele, a união entre instituições fortalece a difusão de tecnologia. “Esses eventos são de suma importância para que os nossos produtores aproveitem as novas tecnologias e aproveitem também as informações técnicas de manejo de solo, do manejo da cultura, para que a gente possa cada vez mais aumentar a produtividade e tornar essa cultura rentável”, disse.
Além da apresentação de tecnologias, o evento também reforçou a necessidade de planejamento e adoção de práticas sustentáveis. A rotação de culturas, o uso de sementes certificadas e o manejo integrado de pragas e doenças foram apontados como fatores essenciais para garantir estabilidade produtiva e econômica.
A expectativa é de que as tecnologias apresentadas no Dia de Campo contribuam para ampliar a produtividade, reduzir custos e garantir maior competitividade ao feijão paranaense no cenário nacional.