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Deputado, senador, governador e presidente: o que faz cada cargo em disputa nas eleições 

Antes de escolher um candidato, o eleitor precisa entender qual é o papel de cada cargo. Deputados criam leis e fiscalizam governos; senadores atuam no Congresso; governadores comandam os estados; e o presidente dirige o país
Série explica, de forma simples, o papel de cada cargo político nas eleições, Foto: Folha de Irati

Ariane Luz

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Com a aproximação das eleições, uma dúvida aparece com frequência entre os eleitores: afinal, o que faz cada candidato depois que é eleito? A pergunta parece simples, mas ajuda a separar promessa possível de discurso vazio. Nem todo cargo tem o mesmo poder, nem toda proposta depende da mesma autoridade e nem todo eleito pode resolver sozinho os problemas que aparecem durante a campanha. Nesta nova reportagem da série sobre política e bastidores das eleições, a proposta é explicar, de forma direta, o papel de deputados estaduais, deputados federais, senadores, governadores, vices e presidente da República. 

O que faz um deputado estadual? 

O deputado estadual trabalha na Assembleia Legislativa do Estado. Sua função principal é propor, discutir e votar leis que tratam de assuntos estaduais, como educação, segurança pública, saúde, transporte intermunicipal, impostos estaduais, patrimônio público e funcionamento da administração estadual. Ele não cria leis nacionais nem decide questões que pertencem aos municípios ou à União. 

Além de legislar, o deputado estadual fiscaliza o governo do Estado. Isso inclui acompanhar gastos públicos, analisar contas apresentadas pelo governador, cobrar informações de secretarias e receber denúncias da população. Nas Assembleias, também funcionam comissões permanentes e temporárias, que discutem projetos, promovem audiências públicas e podem investigar temas específicos. Quando há necessidade, os deputados estaduais podem criar CPIs para apurar fatos ligados ao Estado. 

O que faz um deputado federal? 

O deputado federal atua na Câmara dos Deputados, em Brasília, uma das duas Casas do Congresso Nacional. Ele participa da elaboração das leis que valem para todo o país. Pode apresentar projetos, discutir propostas, votar matérias, alterar leis existentes e participar de debates sobre temas nacionais. 

Grande parte desse trabalho acontece nas comissões da Câmara, onde os projetos são analisados por área, como saúde, educação, segurança, agricultura, economia ou direitos sociais. Deputados federais também podem participar de CPIs, que têm poder de investigação, mas não julgam nem condenam. Ao final, as conclusões podem ser encaminhadas ao Ministério Público ou a outros órgãos competentes. 

O deputado federal também fiscaliza o governo federal. Ele participa da discussão do Orçamento da União, pode apresentar emendas para destinar recursos a ações específicas e analisa as contas do presidente da República. A Câmara ainda tem uma atribuição de grande peso político: autorizar, por dois terços de seus integrantes, a abertura de processo contra o presidente e o vice-presidente por crime de responsabilidade. 

Entenda as diferenças entre deputado estadual e deputado federal e o papel de cada um na política. Foto: Folha de Irati

Qual é a diferença entre deputado estadual e deputado federal? 

A diferença está principalmente na esfera de atuação. O deputado estadual trata de assuntos do Estado e trabalha na Assembleia Legislativa. O deputado federal trata de temas nacionais e trabalha na Câmara dos Deputados, em Brasília. 

Os dois cargos têm funções parecidas: propor leis, fiscalizar o Executivo e representar a população. O que muda é o alcance das decisões. Um deputado estadual pode cobrar melhorias em hospitais estaduais, escolas estaduais, rodovias estaduais e políticas públicas do governo estadual. Um deputado federal atua sobre leis nacionais, orçamento federal, ministérios, programas da União e fiscalização do governo federal. 

Deputado pode mandar construir obra? 

Não diretamente. Deputado não executa obra, não comanda secretaria e não administra prefeitura, Estado ou ministério. Quem executa políticas públicas é o Poder Executivo. O deputado pode propor leis, cobrar ações, fiscalizar gastos, apresentar emendas ao orçamento e articular recursos, mas não é ele quem assina contrato, abre licitação ou toca a obra. 

Essa diferença é essencial para o eleitor avaliar promessas. Quando um candidato a deputado promete “fazer” uma obra, o correto é entender que ele pode buscar recursos, pressionar o governo ou apresentar emenda, mas a execução depende do órgão responsável. 

O que faz um senador? 

O senador atua no Senado Federal, a outra Casa do Congresso Nacional. Enquanto a Câmara representa a população, o Senado representa os estados e o Distrito Federal. Cada unidade da Federação elege três senadores, independentemente do tamanho de sua população. 

O mandato de senador dura oito anos. A renovação ocorre de forma alternada: em uma eleição, o eleitor escolhe um senador; na eleição seguinte, escolhe dois. A eleição é majoritária, ou seja, vence quem recebe mais votos. 

No trabalho legislativo, o senador apresenta projetos, discute leis e analisa propostas que chegam da Câmara dos Deputados. Em muitos casos, se o Senado altera o texto aprovado pelos deputados, a proposta precisa voltar à Câmara. O Senado também fiscaliza o governo federal, participa da discussão do Orçamento e tem atribuições especiais, como sabatinar e aprovar autoridades indicadas pelo presidente da República, entre elas ministros de tribunais superiores, embaixadores e dirigentes de órgãos públicos. 

O Senado também julga autoridades? 

Sim. Uma das funções mais específicas do Senado é atuar em julgamentos de autoridades nos casos previstos pela Constituição. Em processos de impeachment, por exemplo, cabe ao Senado julgar o presidente da República, ministros de Estado e outras autoridades, conforme o caso. 

Por isso, o senador tem uma função que vai além da produção de leis. Ele participa de decisões institucionais de grande impacto, autoriza nomeações importantes e pode atuar em julgamentos políticos. É um cargo de peso nacional, mesmo sendo eleito por cada estado. 

O que faz um governador? 

O governador é o chefe do Poder Executivo estadual. Cabe a ele administrar o Estado, definir prioridades, executar políticas públicas e coordenar áreas como saúde, educação, segurança pública, infraestrutura, agricultura, desenvolvimento econômico e assistência social. 

Para governar, ele nomeia secretários de Estado, que comandam áreas específicas da administração. O governador também pode sancionar ou vetar projetos de lei aprovados pela Assembleia Legislativa, enviar propostas ao Legislativo, organizar a estrutura administrativa do Estado e representar a unidade da Federação em diferentes situações. 

Na prática, é o governador quem responde pela máquina estadual. Se o assunto envolve hospital estadual, polícia militar, rodovia estadual, escola estadual ou programa mantido pelo Estado, a responsabilidade passa diretamente pelo governo estadual e por suas secretarias. 

Senador e governador têm funções distintas: um atua no Legislativo federal, o outro comanda o Executivo estadual. Foto: Folha de Irati

E o vice-governador, faz o quê? 

O vice-governador tem como principal função substituir o governador em caso de impedimento temporário e assumir definitivamente o cargo em caso de vacância. Se o governador viaja, adoece, se licencia ou fica impedido de exercer a função por determinado período, o vice pode assumir o comando do Estado. 

Isso não significa que o vice seja automaticamente responsável por uma secretaria ou por uma área específica do governo. Ele pode receber missões especiais ou atribuições definidas em lei, mas sua função constitucional mais importante é garantir a continuidade da administração estadual. 

O que faz o presidente da República? 

O presidente é a principal autoridade do Poder Executivo federal. No Brasil, que é uma república presidencialista, ele exerce ao mesmo tempo as funções de chefe de governo e chefe de Estado. Isso significa que administra o país e também representa o Brasil em relações internacionais. 

Entre suas atribuições estão nomear ministros, conduzir políticas nacionais, enviar projetos de lei ao Congresso, sancionar ou vetar propostas aprovadas por deputados e senadores, comandar a administração federal e atuar em áreas estratégicas como economia, saúde, educação, energia, segurança, infraestrutura e relações exteriores. O presidente também é comandante em chefe das Forças Armadas. 

Mas há um limite importante: o presidente não governa sozinho. Muitas promessas de campanha dependem de aprovação do Congresso Nacional. Ele pode propor uma lei, defender uma ideia e usar sua força política para tentar aprová-la, mas deputados e senadores precisam votar. Da mesma forma, se discordar de um projeto aprovado pelo Congresso, o presidente pode vetar o texto, total ou parcialmente. Ainda assim, o Congresso pode analisar o veto e decidir se o mantém ou derruba. 

Presidente, governador, senador e deputados são eleitos por regras diferentes e exercem funções específicas. Foto: Folha de Irati

E o vice-presidente? 

O vice-presidente substitui o presidente em ausências, licenças ou impedimentos temporários. Se houver vacância definitiva do cargo, ele assume a Presidência da República. Também pode receber missões políticas, diplomáticas ou administrativas, conforme decisão do presidente. 

A linha sucessória da Presidência segue uma ordem: primeiro o vice-presidente; depois o presidente da Câmara dos Deputados; em seguida, o presidente do Senado; e, por último, o presidente do Supremo Tribunal Federal. 

Como esses cargos são eleitos? 

Presidente, governador e senador são escolhidos pelo sistema majoritário. Em termos simples, vence quem recebe mais votos, respeitadas as regras de primeiro e segundo turno nos cargos do Executivo. Para presidente e governador, se nenhum candidato alcançar a maioria absoluta dos votos válidos no primeiro turno, há segundo turno entre os dois mais votados. 

Já deputados estaduais e federais são eleitos pelo sistema proporcional. Nesse caso, não basta olhar apenas a votação individual do candidato. O desempenho do partido ou federação também conta na distribuição das vagas. É por isso que, em eleições proporcionais, o voto ajuda tanto o candidato escolhido quanto o grupo partidário ao qual ele pertence. 

Por que entender isso antes de votar? 

Porque o cargo define o tamanho real da promessa. Um candidato a deputado pode fiscalizar, propor leis e buscar recursos, mas não governa o Estado nem o país. Um governador pode administrar políticas estaduais, mas não muda sozinho leis federais. Um presidente lidera o Executivo nacional, mas depende do Congresso para aprovar boa parte de sua agenda. 

Saber isso não diminui a importância de nenhum cargo. Pelo contrário. Ajuda o eleitor a cobrar corretamente. A democracia funciona melhor quando cada autoridade é avaliada pelo que realmente pode fazer. Antes do voto, entender a função de cada candidato é uma forma de separar compromisso sério de frase de palanque. 

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