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De Nossa Senhora das Neves a Jô Soares, 5 de agosto guarda fatos curiosos da história

Data atravessa séculos reunindo religião, política, cultura pop, ciência, esporte e acontecimentos que marcaram o Brasil e o mundo. Entre superstição e memória, agosto começa a mostrar que sua fama de “mês do desgosto” não passa de provocação popular
5 de agosto reúne curiosidades, personagens e fatos que marcaram a história no Brasil e no mundo. Foto: Folha de Irati - IA

Ariane Luz

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Agosto carrega uma fama injusta. Há quem brinque com o nome e chame o mês de “desgosto”, como se o calendário tivesse algum pacto com o azar. Mas basta olhar para o dia 5 de agosto para perceber que a história é mais interessante do que a superstição. Nesta quarta-feira, 5 de agosto de 2026, 217º dia do ano, com 148 dias ainda pela frente, a data reúne episódios religiosos, invenções urbanas, crises políticas, ícones da cultura, feitos espaciais, dramas humanos e momentos esportivos que continuam vivos na memória coletiva.

A referência mais antiga ligada ao 5 de agosto vem do século IV, com a celebração de Nossa Senhora das Neves. Segundo a tradição católica, a Virgem Maria teria aparecido em sonho ao Papa Libério e a um nobre romano, pedindo a construção de uma igreja no local onde nevasse no dia seguinte. Na noite de 4 para 5 de agosto, em pleno verão romano, a neve teria caído sobre o Monte Esquilino, indicando o ponto onde seria erguida a basílica. A lenda atravessou os séculos e deu origem a uma das festas marianas celebradas pela Igreja.

Já em 5 de agosto de 1914, a história ganhou um sinal vermelho e verde. Na cidade de Cleveland, nos Estados Unidos, foi instalado o primeiro semáforo elétrico moderno, na esquina da Avenida Euclid com a Rua 105 Leste. O sistema, inspirado no projeto de James Hoge, usava luzes vermelhas e verdes, controladas manualmente por um operador. Antes da troca de cores, uma campainha avisava motoristas e pedestres. Era uma solução simples, mas abriu caminho para a organização do trânsito urbano como conhecemos hoje.

Em 5 de agosto de 1930, nasceu Neil Armstrong, astronauta norte-americano que entraria para a história ao se tornar, em 1969, o primeiro homem a pisar na Lua. Sua frase mais conhecida, “um pequeno passo para o homem, um salto gigante para a humanidade”, ainda resume um tempo em que ciência, política e imaginação disputavam espaço no céu.

No Brasil, 5 de agosto de 1954 ficou marcado por um dos episódios mais graves da política nacional. Na madrugada daquele dia, o jornalista Carlos Lacerda, forte opositor de Getúlio Vargas, sofreu um atentado a tiros na Rua Tonelero, em Copacabana, no Rio de Janeiro. Lacerda foi ferido de raspão no pé, mas o major-aviador Rubens Vaz, que fazia sua segurança, foi morto. Um guarda municipal também ficou ferido. A investigação, conduzida pela Aeronáutica na chamada República do Galeão, apontou envolvimento de Gregório Fortunato, chefe da guarda pessoal de Vargas. A crise sufocou o governo. No dia 24 de agosto, pressionado por militares e adversários políticos, Getúlio Vargas cometeu suicídio no Palácio do Catete.

Um ano depois, em 5 de agosto de 1955, morria Carmen Miranda, aos 46 anos, vítima de um ataque cardíaco em sua casa em Beverly Hills, na Califórnia. A “Pequena Notável”, também chamada de “Brazilian Bombshell”, levou o samba, os ritmos brasileiros e uma imagem tropical do país para o cinema norte-americano. Foi a maior estrela internacional brasileira do século XX e, em 1945, chegou a ser a mulher mais bem paga dos Estados Unidos.

O ano de 1962 aparece em dose dupla no calendário de 5 de agosto. Nesse dia, Marilyn Monroe foi encontrada morta em sua casa, aos 36 anos, vítima de overdose de barbitúricos. A morte da atriz, inicialmente tratada como suicídio, alimenta até hoje dúvidas, teorias e interpretações sobre os bastidores de Hollywood, da política e da fama.

Também em 5 de agosto de 1962, Nelson Mandela foi preso perto da cidade de Howick, na província de KwaZulu-Natal, na África do Sul. A detenção marcou o início de um longo período de encarceramento: quase 27 anos. Mandela só foi libertado em 11 de fevereiro de 1990, antes de se tornar um dos principais símbolos mundiais da luta contra o apartheid.

Em 5 de agosto de 1973, a corrida espacial da Guerra Fria ganhou mais um capítulo com o lançamento da sonda soviética Marte 6. A missão fazia parte das tentativas da então União Soviética de estudar a atmosfera e a superfície do planeta vermelho. Mesmo com limitações técnicas, essas expedições ajudaram a ampliar o conhecimento sobre Marte e alimentaram uma disputa científica que moldou a exploração espacial moderna.

No Brasil, outra história cinematográfica aconteceu entre os dias 5 e 6 de agosto de 2005. Em Fortaleza, no Ceará, uma quadrilha invadiu a caixa-forte do Banco Central por meio de um túnel subterrâneo de aproximadamente 80 metros. Foram levados cerca de R$ 164 milhões em cédulas de R$ 50, que pesavam em torno de 3,5 toneladas. O crime só foi descoberto na segunda-feira, 8 de agosto, quando os funcionários retornaram ao expediente. Ao longo dos anos, apenas parte do dinheiro foi recuperada.

Em 5 de agosto de 2010, o mundo acompanhou com tensão o desabamento da mina San José, no norte do Chile. Trinta e três mineiros ficaram presos a cerca de 700 metros de profundidade. O resgate só ocorreu 69 dias depois, em uma operação de grande alcance técnico e humano, acompanhada por milhões de pessoas em diferentes países.

Seis anos depois, em 5 de agosto de 2016, o Brasil abriu oficialmente os primeiros Jogos Olímpicos realizados na América do Sul. O Estádio do Maracanã recebeu a cerimônia de abertura da Olimpíada do Rio, com uma apresentação que misturou formação do povo brasileiro, Amazônia, música, diversidade cultural e alerta ambiental. A pira olímpica foi acesa pelo ex-maratonista Vanderlei Cordeiro de Lima. Nos dias seguintes, o Time Brasil conquistaria 19 medalhas e viveria um de seus momentos mais simbólicos: o ouro inédito no futebol masculino, também no Maracanã.

A lista chega a 5 de agosto de 2022, data da morte de Jô Soares, um dos grandes nomes da televisão brasileira. Humorista, apresentador, ator, diretor e escritor, Jô atravessou gerações com inteligência, ironia e domínio raro da entrevista. Sua saída encerrou uma trajetória que marcou o humor, o teatro, a literatura e a televisão no país.

Entre neve em Roma, semáforos em Cleveland, crises brasileiras, estrelas de Hollywood, viagens espaciais, resgates dramáticos e Olimpíada no Maracanã, o 5 de agosto mostra que nenhuma data cabe em uma única fama. Agosto pode até carregar suas superstições, mas a história, quando examinada de perto, costuma ser bem mais generosa do que o apelido.

Foto: Folha de Irati – IA

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