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Profissão motorista: o orgulho de ser mulher e conduzir vidas

Jovem de Rebouças trafega mais de 100 quilômetros diários transportando alunos do município

O dia do motorista, celebrado na última quarta-feira (25), traz à tona nossas homenagens a todos os condutores e aos profissionais que atuam na área. Ao longo dos anos, o perfil de quem tem a missão de conduzir pessoas com segurança vem mudando, abrindo espaço para que mulheres também exerçam a função. O pacato município de Rebouças já vive essa realidade, com uma profissional de 26 anos de idade, que transporta estudantes da zona rural.

Fabiula Candeo, 26 anos, trafega mais de 100 quilômetros por dia na condução de estudantes. Foto Kelly Ramos

Fabiula Candeo é concursada na prefeitura municipal e atua na secretaria de Educação há três anos. Ela é motorista do transporte escolar, e faz a linha da comunidade de Faxinal dos Francos, interior do município. Dirige um ônibus Mercedes Benz Rural Escolar, modelo ore 1519, ano 2017, um dos maiores da frota, com mais de 100 alunos por dia.

À nossa reportagem, a motorista, com brilho nos olhos, disse ser feliz na profissão, que teve início há alguns anos em outro segmento. “Eu comecei como instrutora de trânsito ainda quando morava em Irati. Aí surgiu a oportunidade de fazer o concurso na prefeitura de Rebouças, que tinha mais de 130 candidatos, onde eu fiquei em 4º lugar. Faço o transporte escolar no interior da cidade, em torno de 100 quilômetros diários, enfrentando estrada de chão, sol, chuva, e o que vier”, comentou.

Mulher não tem que ter medo, tem que assumir desafio. Sendo qual seja, dirigindo um carro, moto, caminhão, ônibus, independente, a gente tem que mostrar que também pode e é igual a todos”.

Atualmente, os cargos ocupados geralmente por homens vêm ganhando a força da mulher também. O setor conta com cerca de 2,2 milhões de profissionais, sendo que apenas 17% são do sexo feminino. A maior parte das mulheres possui entre 30 e 39 anos e ensino médio completo. Os dados são da Rais (Relação Anual de Informações Sociais), do MTE (Ministério do Trabalho e Previdência Social). O órgão não tem levantamento do percentual de motoristas mulheres no Brasil, mas os números ainda são baixos.

Desde 2015, a demanda feminina cresceu 60,4% na procura por cursos voltados para o transporte de passageiros, de produtos perigosos e de transporte escolar. Em 2017, os cursos mais procurados pelas mulheres foram Cuidados Especiais no Transporte de Escolares, Custos Operacionais do Transporte de Cargas e A Precificação no Transporte Rodoviário de Cargas, segundo dados do SEST SENAT.

Os desafios que a classe enfrenta são basicamente voltados a surpresa de ver uma mulher na condução. “Querendo ou não a gente enfrenta dificuldades, mas isso eu deixo para trás. Eu não diria preconceito, mas as pessoas olham com olhar diferente. ‘Ah, mas é uma mulher’, diziam”, expõe.

Mas o profissionalismo de Fabiula foi mais evidente e tomou o espaço da desconfiança, segundo ela. “Hoje em dia eles já estão bem acostumados, inclusive os motoristas que eu trabalho, sempre me auxiliam porque além de transportar os alunos a gente tem outros serviços para fazer. Hoje eu vejo a cidade me olhar como um orgulho”, disse.

As crianças que Fabiula faz o transporte todos os dias também já se acostumaram com a presença de uma mulher na direção do ônibus escolar. “Eles me acolhem bem, até por mulher ter aquela figura de mãe eles ele tem um carinho um pouco até diferente comigo”, afirma.

Sobre seguir outros caminhos, a motorista não se inibe em dizer que quer continuar nesta jornada. “Eu pretendo seguir. Eu me apeguei à cidade, às crianças, ao trabalho, gosto bastante”.

Como mensagem para todas as mulheres condutoras, Fabiula garante que a classe deve ser mais confiante quando o assunto é direção. “Mulher não tem que ter medo, tem que assumir desafio. Sendo qual seja, dirigindo um carro, moto, caminhão, ônibus, independente, a gente tem que mostrar que também pode e é igual a todos”.

 

Bárbara Gardin53 Posts

Bárbara Gardin é formada em Marketing, com experiência na área de comunicação há seis anos. Passou por emissora de rádio e atuou com comunicação digital para empresas e lideranças. Hoje, atua na cobertura de editorias gerais de Irati e região centro sul do Estado, desenvolve a prática do Projeto Folha na Escola, que incentiva à leitura crianças e adolescentes. Também integra voluntariamente equipe de comunicação de instituição religiosa de Irati.

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