Esther Kremer
Com a chegada do verão e das altas temperaturas, cresce o número de visitantes em rios, lagos e cachoeiras na região. No entanto, o aumento das atividades envolvendo água também eleva o risco de acidentes e afogamentos.
Ao todo, nove óbitos já foram registrados na região desde o início de 2025, segundo dados da 6ª Companhia Independente de Bombeiros Militares (6ª CIBM). Foram 13 ocorrências de afogamento registradas, destas, três óbitos aconteceram no local do acidente, os outros seis foram situações de resgate de cadáver, como explica o Tenente da corporação, Murilo Maltaca. “Ocorre quando a vítima se afoga e o bombeiro só é acionado mais tarde, onde já não há chances de sobrevida. Acaba sendo a busca pelo corpo da vítima”.
Ainda, segundo os dados apresentados, de novembro de 2024 até março de 2025, considerando que é o tempo de maior calor, foram registrados dois afogamentos em Irati e cinco ocorrências de busca de cadáver. Os nove óbitos foram vítimas do sexo masculino e com idades entre 12 a 35 anos. “Uma idade muito nova para as pessoas estarem perdendo a vida. Os jovens se arriscam mais nessas situações de perigo”, destaca a capitã Carla Spak, comandante da 6ª CIBM.
A corporação reforça que a prevenção é a principal medida para evitar tragédias, onde os números são preocupantes e refletem a necessidade de mais conscientização entre banhistas e turistas. “Eu vejo que tudo que é proibido, acaba colocando as pessoas em desafio. A melhor maneira que existe para reforçar a segurança é prevenir e fazemos isso com a educação, com orientação. As pessoas muitas vezes não sabem a profundidade de uma cachoeira, de um rio e acabam se colocando em risco, e isso precisa ser trabalhado”, comenta a capitã Spak.
O Corpo de Bombeiros reforça que a prevenção começa antes do passeio, com o planejamento da viagem, a escolha de locais adequados e o uso de equipamentos de segurança. Em caso de emergência, o telefone 193 está disponível 24 horas por dia.
O tenente Murilo Maltaca reforça que muitos acidentes acontecem em locais sem estrutura adequada ou monitoramento, como cachoeiras e rios com correntezas. “Muitas vezes são locais aparentemente tranquilos, mas que não tem sinalização, informações de segurança mesmo. Basta um segundo de distração ou uma correnteza inesperada para acontecer uma tragédia. Muitas pessoas também entram nesses locais com o pensamento de que sabem nadar, mas a questão é outra, quando há um local desconhecido, com correnteza, é preciso de preparo, experiência”, explicou.
Um exemplo disso é a tragédia recente que aconteceu na Cachoeira do Pinho, em Irati, no sábado (22), onde um jovem de 18 anos morreu afogado e que reacendeu o debate sobre segurança nesses locais. O local, bastante visitado durante o verão, ainda não possui estrutura turística ou de segurança.
A cachoeira, antes pertencida à ENBPar (Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional), e hoje já repassada para Secretaria de Patrimônio da União (SPU), já está em processo de trâmites legais para pertencer oficialmente ao município de Irati. Isso aconteceu após articulação do prefeito Emiliano Gomes junto a parlamentares e órgãos federais. O objetivo, segundo o prefeito, é transformar o espaço em um Parque Ecológico e a expectativa é que até o fim de janeiro de 2026 a Prefeitura já tenha a escritura do espaço.

Segundo o secretário de Engenharia e Urbanismo, Danilo Fillus, a regularização da área é o primeiro passo para viabilizar melhorias. “De fato, a área tem um acesso complicado. A Prefeitura está estudando alguns modos de melhorar esse caminho, fazendo algumas obras paliativas e protetivas, principalmente na trilha para chegar até a cachoeira. Estamos fazendo levantamento para colocar placas, sinalizando para as pessoas onde há perigo, quais são os riscos, até mesmo na questão da profundidade de alguns pontos. Isso tudo em parceria com o Corpo de Bombeiros, que vai nos delimitar dizendo até onde se pode ir, até onde não pode ir”, explica Fillus.
O diretor do Departamento de Turismo de Irati, Adriano Godói, ressalta que o município pretende investir na segurança e acessibilidade do local, de forma que a área possa ser explorada de modo sustentável. “É uma área que é praticamente intocada, são 150 mil metros de área. E precisa mesmo de estrutura, estamos em fase de estudo, pois sabemos que a cachoeira é um dos pontos turísticos mais fortes de Irati. Ainda temos diversos visitantes, não turistas, nós vamos transformar esses visitantes em turistas. Para isso, a gente precisa que a cachoeira esteja bem estruturada e trabalhar com todo o resto que o município pode oferecer também”.

Orientações do Corpo de Bombeiros
O Tenente Maltaca alerta que a maioria dos afogamentos ocorre em locais não supervisionados, e que medidas simples podem salvar vidas. As principais recomendações incluem:
• Evitar locais desconhecidos e sem presença de guarda-vidas;
• Não misturar álcool e banho;
• Evitar mergulhos de cabeça e saltos de pedras;
• Manter atenção constante às crianças;
• Utilizar coletes salva-vidas;
• Respeitar sinalizações de perigo e avisos de proibição.
O tenente também reforça que, em caso de afogamento, a população não deve tentar entrar na água para resgatar a vítima, devendo acionar o telefone 193 imediatamente. “A melhor forma de ajudar é usar objetos flutuantes como galhos, cordas ou boias, para alcançar a vítima e mantê-la segura até a chegada da equipe”.
A 6ª CIBM realiza ações de orientação nas comunidades e escolas, reforçando o comportamento seguro em ambientes aquáticos. Segundo a capitã Carla Spak, o objetivo é reduzir os índices de mortes por afogamento, especialmente durante o verão. “Eu sempre reforço que água no umbigo, sinal de perigo. As pessoas afirmam que sabem nadar, mas sabem nadar em qual condição? Rio, cachoeira e mar não têm borda. Em cachoeira, geralmente, quanto mais alta ela é, maior será a corrente de água. Então, a pessoa pode até saber nadar, mas será que tem preparo físico em uma situação de correnteza pesada? Esses não são locais para se testar o nosso nado mais profissional”, finaliza Spak.