Sthefany Brandalise
A Câmara de Vereadores de Irati foi palco, no sábado (29), de uma noite marcada pela emoção e reconhecimento. A Academia de Letras, Artes e Ciências do Centro-Sul do Paraná (ALACS) realizou a entrega da Colmeia de Ouro ao artista iratiense José Maria Graça Araújo, o Zeca Araújo, figura emblemática da história cultural do município. A homenagem destacou sua longa trajetória e dedicação à preservação da identidade local por meio da arte, memória e pesquisa histórica.
Emocionado, Zeca agradeceu o reconhecimento e ressaltou sua conexão profunda com a cidade onde nasceu, cresceu e sempre retornou. “Aqui é o meu ninho, nasci aqui e passei boa parte da minha infância, estudei no Duque de Caxias, estudei no São Vicente e depois eu fiz uma turnê por diversas cidades, mas sempre levando a história de Irati. Em 89, com o meu pai já em estado avançado de idade, eu vim para cá para conviver com ele. E tenho a satisfação de dizer que ele deixou para nós, iratienses, uma imagem maravilhosa de Irati nos seus desenhos, nas suas esculturas em isopor, na sua história toda que ele fez questão de produzir, mostrando tudo como era a nossa cidade, a nossa vila lá no covalzinho”.
Conhecido como um dos principais guardiões da história local, Zeca enfatizou o sentimento de responsabilidade que carrega ao preservar lembranças e narrativas. “Isso está dentro da minha mente e do meu coração. Eu me sinto uma pessoa privilegiada por ter tantas informações sobre a minha querida Irati. Eu posso ir para onde for, eu levo a história da minha querida Rio de Mel. E ela não pode ser mais adocicada para todas as pessoas do que para mim. Ela para mim é a terra adocicada da minha infância, da minha juventude e da minha agora idade adulta”, afirma.

Zeca é conhecido como um dos principais guardiões da história local – Foto: Rodolfo Aziliero Duda
O presidente da ALACS, Herculano Batista Neto, destacou que a homenagem era mais que merecida e vinha sendo planejada há tempos “O Zeca Araújo já está na nossa mesa de possível homenageado já há algum tempo. Ele tem aquele carinho especial onde sempre coloca Irati, a terra do mel, como uma situação quase poética para simbolizar a aldeia que ele sempre defende, defendeu e defenderá. Os projetos que o Zeca já esteve à frente, o que ele está fazendo hoje e os que estão na mesa futura encaminham ele para ser realmente a lembrança de um grande memorialista. Hoje foi um evento muito bacana, tenho certeza que nós cumprimos uma missão, que é homenagear o Zeca, exemplo de outros que a academia já fez através desse prêmio”, disse.
Representando o prefeito de Irati, o secretário de Comunicação, Sidnei Jorge, reforçou o legado deixado por Zeca e sua família. “A importância é reconhecer as pessoas que sempre fizeram muito pela sociedade. A gente, falando do Zeca, fala do seu primo Araújo, fala de toda uma história viva, presente, nesses mais de 100 anos de Irati, e que, naturalmente, ele e toda a família tem uma grande parcela nesse contexto”, diz.
A cerimônia também contou com uma homenagem especial ao servidor público Julio Cesar Dias, que atuou por várias gestões na área de Cultura e, mesmo após a aposentadoria, seguiu colaborando voluntariamente. A acadêmica da ALACS, Luísa Fillus, lembrou sua dedicação. “Ele tinha muito conhecimento, era uma pessoa que dava suporte para uma festa, para um encontro, estava sempre atento. Mas o que me chama mais atenção nele era aquela constância, ele gostava desse mundo fashion, vamos dizer, dessas coisas bonitas, homenagens, e de aprender também”, finaliza.