Esther Kremer
O Colégio Florestal de Irati vem consolidando um trabalho que une educação, preservação ambiental e participação comunitária. A instituição desenvolve o Clube de Ciências, um projeto viabilizado por meio de parceria entre o Governo do Estado do Paraná e a Fundação Araucária, que incentiva a pesquisa escolar e a produção de conhecimento científico. A iniciativa, liderada pela engenheira florestal e professora Mariana Mendes Mirkoski, conta com a participação de 25 alunos e já rendeu resultados expressivos, envolvendo estudantes em ações práticas e conquistando prêmios para o colégio.
Criado inicialmente com o objetivo de identificar e catalogar as espécies florestais presentes no colégio, o Clube se transformou em um espaço de múltiplos projetos. Ainda no início das atividades, os alunos passaram a coletar, identificar e registrar árvores que despertam curiosidade entre quem visita o campus. “Com o passar do tempo, à medida que a gente foi desenvolvendo o clube, nós fomos criando outras ideias, sendo o principal objetivo mesmo estar preservando e utilizando as áreas verdes de uma forma sustentável”, comenta a professora.
Com o projeto mais estruturado, novas iniciativas ganharam forma. Entre elas, a criação de um herbário escolar, que começa a ser montado com equipamentos adquiridos via programa estadual. O objetivo é reunir, organizar e preservar material vegetativo das espécies presentes na floresta ombrófila mista que compõe parte do território do colégio. O herbário funcionará como uma “biblioteca botânica”, reforçando a importância da conservação e auxiliando alunos em pesquisas e atividades de campo. “Provavelmente, a partir do ano que vem, a gente já vai ter um herbário escolar dentro da nossa instituição, que era um pedido já dos professores, de ter esse armazenamento de informações das espécies que a gente tem na nossa região”, explica Mariana.
Outro destaque do Clube é o “hotel de insetos”, estrutura criada para abrigar espécies que vêm sofrendo redução significativa com o avanço da urbanização e da industrialização, como joaninhas e vagalumes. Produzido com madeira de reflorestamento da própria escola, o hotel busca contribuir para o equilíbrio ecológico e reforçar o papel educativo da instituição quanto à preservação da biodiversidade. As alunas Ana Carolina e Sabrina, que fazem parte do Clube, comentaram sobre os processos de desenvolviemento das atividades. “Nós fazemos a montagem de tudo na marcenaria do Colégio e coletamos os materiais pelas áreas da instituição. O intuito do hotel é criar um ambiente favorável para que os insetos que perderam seu habitat natural consigam se abrigar e continuar fazendo seus trabalhos sejam eles como polinizadores ou no controle de pragas”, explicam.
Também está em construção a “trilha dos sentidos”, que promete ampliar a experiência dos visitantes. O percurso contará com um painel tátil, estações com materiais naturais, como musgo, serragem e serrapilheira, e áreas com plantas aromáticas, permitindo que o público tenha contato direto com texturas e aromas da floresta. A proposta nasceu da percepção de que a vivência sensorial é essencial para fortalecer a conexão com o meio ambiente e despertar consciência sobre sua preservação.
Além de desenvolver atividades internas, o Colégio Florestal tem buscado ampliar o alcance do projeto para toda a cidade. Segundo a professora Mariana, já há parceria estabelecida com a Prefeitura de Irati para identificar e codificar árvores dos parques urbanos e instalar hotéis de insetos nesses espaços. Todo o material utilizado é produzido por alunos, reforçando o caráter formativo do projeto.
PREMIAÇÕES
O Clube de Ciências vem se destacando em eventos científicos no Paraná e fora dele. Neste ano, o grupo conquistou o 2º lugar no FIEG, em Guarapuava, e recebeu uma premiação da Faculdade de Oxford durante a feira do Grupo Bom Jesus, em Curitiba. Além disso, participou do FIciências, a maior feira de ciências da América Latina, ampliando a experiência dos alunos e fortalecendo o projeto.
O maior reconhecimento veio na FECCI, em Curitiba, onde os estudantes garantiram o 1º lugar na categoria Ciências Sociais com o estudo sobre a qualidade da água do Rio das Antas. As conquistas só foram possíveis graças ao apoio da escola, dos pais, de comerciantes de Irati, que ajudaram com doações para rifas, e de parceiros que auxiliaram com transporte e alojamento.
Atualmente, o Clube ocorre às segundas-feiras pela manhã, horário em que os alunos do primeiro e segundo anos não têm aula. As atividades incluem saídas de campo, coleta de dados, ações tecnológicas e desenvolvimento de projetos ambientais. Um site também está em fase de finalização, reunindo informações sobre as árvores identificadas, atividades do clube e registros das feiras científicas em que os alunos participam.
O Colégio Florestal mantém suas portas abertas para quem deseja conhecer o trabalho e visitar as trilhas internas. Para isso, basta agendar um horário. O convite da instituição reforça a missão do projeto: aproximar a comunidade da natureza e destacar o papel da educação técnica na formação de novos profissionais e cidadãos conscientes.
“Ficamos muito felizes em estar trazendo a comunidade para a escola, porque o nosso colégio é um colégio que tem 52 anos de existência, é um colégio que já formou diversos técnicos, e tem muitas pessoas de Irati que ainda não o conhecem. Então, além do Clube, a gente desenvolve diversas outras atividades práticas e quem tiver interesse em conhecer a nossa escola pode estar vindo, que nós vamos estar de portas abertas”, finaliza a professora.



Fotos: Acervo Colégio Florestal