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Em carta aberta publicada na segunda-feira, o Flamengo fez propostas para a adoção do fair play financeiro no Brasil. Uma delas foi o veto ao gramado sintético. Em entrevista ao “Poder360”, o presidente do clube, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, explicou a sugestão rubro-negra.
Segundo o dirigente, a Fifa inicialmente autorizou o uso do campo artificial em países de frio extremo. Ele critica os clubes brasileiros que colocaram a ideia em prática.
“O gramado sintético foi aprovado pela Fifa em situações excepcionais para países que ficavam oito, nove meses sob neve. Clima absolutamente hostil. Se não houvesse essa possibilidade, não haveria a prática do futebol lá. Alguns clubes brasileiros pescaram essa possibilidade que havia fora do Brasil, tropicalizaram a ideia, de forma a economizar na manutenção do gramado. O esporte futebol, nas cinco maiores ligas do mundo, é praticado em gramados, com regras muito claras da qualidade do campo” disse Bap, que continuou:
“Custa ao Flamengo e ao Fluminense, que são sócios do Maracanã, algo em torno de R$ 50 milhões por ano para manter um gramado perfeito com 80 partidas por ano. Nós, no Flamengo, acreditamos que não é justo que você tenha um diferencial competitivo pelo tipo de gramado que você joga. É mais caro ter grama. Nosso ponto de vista é que, se você não tem condição de praticar o futebol em campo de grama, talvez você não possa disputar a Série A do Brasileirão” finalizou.
Na Série A do Brasileirão em 2025, Atlético-MG, Botafogo e Palmeiras atuam em estádios com gramado sintético. A duas rodadas do fim da Série B, Athletico-PR e Chapecoense estão no G-4. As duas equipes também mandam seus jogos em campo artificial.
Na carta publicada na segunda-feira, o Flamengo também propôs restrições a clubes em recuperação judicial. A ideia afetaria, por exemplo, o Vasco, cuja recuperação judicial é alvo de pedidos de impugnação. O presidente rubro-negro fez críticas às gestões que levam seus clubes para essa condição.
“A vida é feita de escolhas. (…) Você tomar decisões que quebram o seu negócio e você continuar à frente do negócio tendo uma segunda, uma terceira chance, não cumprindo com as obrigações que você acordou com terceiros, não me parece o melhor caminho. O fato de estar em RJ (recuperação judicial) não muda absolutamente nada o ponto de vista da gente. A RJ é consequência de uma série de atitudes e escolhas que cada clube fez. Essas escolhas não podem ser consideradas eventos como ciclones ou tornados que nos afetaram. Foram escolhas que cada clube fez e que os levaram a essa situação. Nós acreditamos que não é justo quando não há consequências para isso.”
O Flamengo defende que os clubes em recuperação judicial sejam impedidos de utilizar o período de não pagamento de dívidas (entre a decretação da RJ e a homologação do acordo) como vantagem competitiva, bloqueando o registro de novos atletas neste período e provocando a perda de pontos.