Sthefany Brandalise
A Casa do Povo, em Rio Claro do Sul, distrito de Mallet, segue sendo um importante espaço de preservação da cultura polonesa na região. Na última segunda-feira (18), foi encerrado mais um ciclo das aulas de língua polonesa promovidas pelo Grupo Folclórico Polonês Kraków, iniciativa que reúne crianças, jovens e adultos em torno do aprendizado do idioma e da valorização das tradições herdadas dos antepassados.
O projeto acontece por meio de uma parceria com o Centro para Desenvolvimento da Educação Polonesa no Exterior (ORPEG) e o Consulado da Polônia, responsável pelo envio da professora Marta ao Brasil. A docente atua junto ao Grupo Folclórico Mazury, de Mallet, que cede a professora uma vez por semana para ministrar as aulas em Rio Claro do Sul. A iniciativa conta ainda com apoio da Prefeitura de Mallet no transporte da professora até a comunidade.
A vice-presidente do Grupo Folclórico Polonês Kraków, Dirce Maria Föetsch, explica que o projeto já acontece há vários anos e tem despertado cada vez mais interesse na comunidade. “Nós temos sempre crianças e adultos que querem aprender mais sobre a língua polonesa, principalmente na leitura, que é bastante difícil. Esse projeto é fundamental porque ajuda a manter viva a nossa cultura”, destacou.
Segundo Dirce, a cada ano uma nova professora é enviada da Polônia, o que acaba trazendo diferentes experiências para os alunos. Apesar disso, ela afirma que a continuidade do projeto é essencial para fortalecer a preservação cultural na comunidade. “Gostaríamos que fosse sempre a mesma professora, porque isso facilitaria ainda mais o aprendizado. Mas o importante é que o projeto continue acontecendo”, comentou.
Ela também ressaltou o envolvimento das famílias e o interesse das crianças pelas aulas. “Através das crianças conseguimos plantar essa sementinha da cultura polonesa. Nós percebemos que muitas famílias ainda mantêm o idioma dentro de casa e isso é muito importante para preservar as nossas raízes”, afirmou.
Dirce, que também atua como professora, contou que ainda existem muitas crianças da região que falam polonês em casa. “Nós recebemos alunos que falam muito bem o polonês. Temos crianças pequenas que já chegam à escola sabendo a língua. Isso mostra como a cultura ainda é forte aqui em Rio Claro do Sul e nas comunidades vizinhas”, disse.
A presidente do Grupo Kraków, Maristela Ana Drewnowski Panek, reforçou que a presença de professores vindos diretamente da Polônia aproxima ainda mais a comunidade das suas origens. “Quando eu era pequena, meus avós e meus pais falavam polonês em casa. Na época, muitas pessoas sofriam preconceito por falar a língua, então muita gente acabou deixando isso de lado. Hoje, fico feliz em poder voltar a aprender”, contou.
Maristela também relembrou uma viagem realizada à Polônia em 2019, experiência que, segundo ela, despertou ainda mais o desejo de manter viva a tradição. “Mesmo falando poucas palavras, quando você fala em polonês lá, as pessoas sorriem. Isso aproxima e emociona muito. Foi uma experiência muito especial”, afirmou.
A professora Marta, que permaneceu cerca de nove meses na região, destacou o carinho com que foi recebida pela comunidade local. “A comunidade de Rio Claro do Sul é muito amigável e me recebeu muito bem. Trabalhar com as crianças, jovens e adultos foi uma experiência muito bonita”, disse.
Mesmo falando pouco português, Marta explicou que encontrou maneiras criativas de ensinar os alunos. “No começo eu usava mais o espanhol, depois fui aprendendo um pouco de português. Mas aqui muitas pessoas falam polonês, então conseguimos nos entender. Usamos brincadeiras, músicas e cantos para tornar o aprendizado mais fácil”, comentou.
Ela ainda revelou que decidiu vir ao Brasil por admirar o cuidado que os descendentes mantêm com a cultura polonesa. “O que mais me surpreendeu foi ver como os poloneses do Brasil cuidam da tradição, da cultura e do idioma. Isso é muito bonito para mim”, destacou.
Além das aulas de idioma, a Casa do Povo também desenvolve outros projetos culturais voltados à preservação das tradições polonesas, fortalecendo a identidade cultural da comunidade e aproximando as novas gerações das raízes deixadas pelos imigrantes.
A expectativa do grupo é que uma nova professora enviada pela ORPEG chegue à região nos próximos meses, dando continuidade às aulas e fortalecendo ainda mais a preservação da cultura polonesa em Rio Claro do Sul.
