Irati PR, 13:31, 21°C

Aos 24 anos, Marcos Vinicius Franco venceu duas categorias Overall e garantiu vaga na elite do esporte após rotina de extrema disciplina e superação física
Foto: Esther Kremer

Esther Kremer

Receba em primeira mão as notícias de Folha de Irati no seu WhatsApp!
Inscreva-se

O esporte de Irati acaba de ganhar um novo representante na elite nacional. O atleta e personal trainer Marcos Vinicius Franco conquistou o tão sonhado ProCard, o cartão que o oficializa como atleta profissional de fisiculturismo natural. A vitória veio acompanhada de um desempenho destaque onde Marcos sagrou-se campeão nas divisões Bodybuilder e Classic, nas categorias por altura (1,71 m), vencendo também as duas disputas de Overall (campeão dos campeões).

Diferente do fisiculturismo convencional, a modalidade natural foca no desenvolvimento do físico sem o uso de substâncias hormonais, priorizando a estética clássica. Para Marcos, a conquista é o ápice de uma transição iniciada há poucos anos, quando trocou as chuteiras de futebol pelos pesos da academia.

“Foi mais por um hobby, eu não projetava que isso se tornaria algo para a minha vida. Eu tentei o futebol, não consegui, pois é muito difícil, principalmente nós que moramos em uma cidade mais interior. Aí comecei a treinar, e com o passar dos anos, o pessoal foi alimentando essa ideia em mim, em competir”, comenta o atleta.

A jornada até o palco, segundo ele, não foi fácil. Marcos detalhou a rotina pesada que antecedeu a competição. Entre os períodos de bulking (ganho de massa), onde chegava a ingerir mais de 5.600 calorias diárias, e o cutting (corte de gordura), a disciplina foi testada ao limite.

“Esporte de alta performance nunca vai ser 100% saudável. No final da preparação, a batalha é mais mental do que física. Você corta carboidratos, corta o sal e precisa manter a energia para trabalhar o dia todo, treinar na academia e viver a sua vida social”, revela o atleta.

Foto: Reprodução Instagram

Refeição e Preparação

Na reta final, o atleta conta que a restrição foi complicada, onde por exemplo, o consumo de arroz caiu de 500g para apenas 30g por refeição, acompanhada de uma manipulação hídrica severa que chegou a oito litros de líquidos por dia, seguidos de uma desidratação estratégica para ressaltar cada fibra muscular sob as luzes do palco.

“Quando chega próximo a um mês e meio da competição, reduz drasticamente, carboidrato principalmente. Aí começa a batalha mais mental do que física. Na última semana, que chamamos de semana D, reduz o sal, é controlado a quantidade de sal que a gente consome no dia. Eu utilizei cinco gramas de sal por dia durante sete dias. Parece que é muito cinco gramas, mas se você for salgar todas as comidas, dá para duas refeições, o resto é sem sal. Eram seis litros de água e dois de chá de hibisco”, explica ele.

Marcos chegou a participar de uma competição em novembro de 2025, onde conseguiu o Top 2 em uma categoria e ganhou outra em que participou. “Nessa competição o vencedor iria para Las Vegas, ganhava vaga para o Mister Olympia. E eu bati na trave. Quando passou, eu pensei ‘ano que vem eu vou tentar de novo’. Conversei com o nutricionista, ele me explicou, falou que poderíamos tentar, mas que não era muito aconselhável, pois eu tinha acabado de sair de uma preparação”.

Na primeira competição, Marcos não teve treinador, ele mesmo se preparou para a competição, porém, neste ano, buscou superar o físico anterior e se preparou ainda mais.

O fisiculturismo é descrito por Marcos como uma arte de exibição. No palco, os árbitros avaliam a proporção, a simetria e a definição, buscando o chamado “físico em X” (ombros largos, cintura fina e pernas desenvolvidas). Para garantir a perfeição estética, o atleta investiu em um treinamento especializado de poses com o professor Ricardo Santana, de Florianópolis, que acabou se tornando seu treinador e patrocinador.

“A parte mais cansativa são as poses. Na competição foram quase 10 minutos posando sem parar, o que exige mais esforço do que o próprio treino de musculação”, explica.

Apesar de grande parte do investimento ter saído do próprio bolso, Marcos destaca que ninguém vence sozinho. Ele agradeceu o apoio técnico do fisioterapeuta Rafael Rosa, essencial para tratar as dores articulares do treino pesado, além das empresas locais que acreditaram em seu potencial, como a M3 Suplementos, Burst Multimarcas e a Moageira Irati.

“Quando chegou na hora, meu Deus, nem acreditei. Falei ‘meu Deus, eu saí lá de Irati e consegui’, eu já estava com expectativa, mas a gente vai com o pé no chão. Aí eu consegui um cartão profissional na minha segunda competição. Então ganhar o overall, o cartão profissional, eu já estava satisfeito. Aí depois eu ganhei mais a Classic, que é outra categoria, e o overall também. Falei ‘agora fechou o dia’. E a noite, no final do dia, teve um sorteio, eu ganhei uma moto elétrica também. Para fechar com chave de ouro”, brinca Marcos.

O apoio emocional também foi pilar fundamental, conta ele. “Minha namorada, Letícia, passou tudo isso comigo e meu irmão Carlos me acompanhou no dia. Ver a emoção deles na vitória fez tudo valer a pena”.

Foto: Reprodução Instagram

Agora profissional, Marcos projeta o futuro com os pés no chão. Com a maturidade muscular prevista para atingir seu auge aos 30 anos, o iratiense já é uma prova viva de que o interior do Paraná produz talentos capazes de brilhar em qualquer arena.

Leia outras notícias