CNN Brasil
O PIB surpreendeu, mas não mudou o rumo da economia brasileira. O crescimento de 0,5% no 2º trimestre ficou apenas 0,1 ponto percentual acima da expectativa que era de 0,4%.
Resultado marginalmente melhor que o previsto, mas não sinaliza retomada mais forte da atividade.
A leitura mais importante está na comparação com o começo do ano. O PIB tinha avançado 1,1% no 1º trimestre e agora cresceu menos da metade disso. O que significa que a economia continua andando, mas perdeu velocidade.
A composição do resultado reforça essa percepção. A agropecuária cresceu 2,8%, enquanto a indústria avançou somente 0,2% e serviços, 0,1%.
Ou seja: o número positivo do PIB esconde uma atividade praticamente parada em setores que têm maior peso e ligação mais direta com emprego, renda e inflação.
Pelo lado da demanda, o sinal mais relevante para o Banco Central veio do consumo das famílias, que caiu 0,4%. Foi a primeira retração desde o 3º trimestre de 2025.
Os investimentos ainda cresceram 1,2%, mas também desaceleraram bastante depois da alta de 3,4% registrada no trimestre anterior. Os dados divulgados pelo IBGE mostram que os juros altos começaram a aparecer com mais clareza dentro do PIB.
É justamente esse o efeito procurado pelo Banco Central. Ao manter a Selic elevada, o objetivo é esfriar o crédito, reduzir o ritmo do consumo e equilibrar melhor a demanda com a capacidade de produção da economia.
Esse processo ajuda a diminuir a pressão sobre os preços, principalmente no setor de serviços.
Por isso, o PIB não oferece uma justificativa consistente para interromper o ciclo de cortes da Selic. A desaceleração aconteceu, está disseminada e alcançou o consumo das famílias.
A pequena surpresa positiva no resultado geral não é suficiente para apagar esses sinais.
Mas o dado também não entrega ao Copom um argumento para acelerar o ritmo das reduções. A economia ainda cresce, os investimentos permanecem positivos e o mercado de trabalho continua aquecido.
A leitura mais equilibrada é que o resultado preserva espaço para uma nova redução de 0,25 ponto percentual da Selic, desde que os próximos indicadores de inflação e expectativas não tragam uma piora relevante.
Um corte maior exigiria evidências mais fortes de perda de fôlego da economia e, principalmente, de alívio duradouro nos preços.