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O ditado diz que final não se joga, se ganha. O Flamengo jogou e ganhou. Não foi avassalador, mas foi inteligente e superior ao Palmeiras. Controlou o time que se tornou seu maior rival no continente sul-americano nos últimos anos. Não sofreu para conseguir a redenção da derrota de 2021, com gol de Danilo na mesma trave em que Gabigol fez história em 2019, também em Lima.
O Flamengo chegou à final da Libertadores passando por confrontos difíceis desde a fase de grupos. Com exceção dos jogos contra o Inter, nas oitavas de final, o time de Filipe Luís sempre sofreu. Fez partidas duríssimas contra Estudiantes (quartas) e Racing (semifinal). Pela rivalidade recente que se criou contra o Palmeiras, com disputas constantes pelos principais títulos da temporada, esperava-se também um duelo difícil na final no Estádio Monumental.
Mas o Flamengo não correu ricos. Ocupou o campo ofensivo nos primeiros 20 minutos, com liberdade para circular e criar. Empurrou seus três atacantes em cima dos três zagueiros palmeirenses. O Fla criou contextos ofensivos, mas falhou no momento de concluir. Bruno Henrique, Arrascaeta e Lino tiveram oportunidades.
O Palmeiras equilibrou o jogo quando subiu o bloco e apertou a marcação, impondo dificuldades ao time rubro-negro, que foi para o intervalo com seus dois volantes pendurados e, por pouco, sem Pulgar, que correu risco de ser expulso após solada em Bruno Fuchs. O primeiro tempo terminou com um jogo mais brigado do que jogado, mas com os paulistas bem longe do gol do Flamengo.
O Fla voltou melhor para o segundo tempo. Quase que a história foi feita com roteiro de filmaço: aos 6, Bruno Henrique encontrou Arrascaeta na área, e o camisa 10 teve finalização desviada para fora. Não foi da dupla agora tricampeã da Libertadores pelo Flamengo o protagonismo no 16º título pelo clube. Mas passou pelos pés do uruguaio o gol do tetracampeonato da América.
Quis o destino que o herói fosse um jogador que chegou nesta temporada. Que já havia sido campeão da Libertadores e feito gol na final (Santos, em 2011). Que foi bicampeão da Champions League. Mas que pela primeira temporada na carreira vitoriosa veste a camisa do seu time do coração. Aos 22 minutos do segundo tempo, Arrascaeta bateu escanteio, e Danilo subiu para cabecear no canto direito de Carlos Miguel. A bola tocou o fundo das redes na mesma trave em que Gabigol marcou duas vezes em 2019, quando o Flamengo foi campeão da Libertadores em cima do River Plate.

O Palmeiras até tentou pressionar na reta final, mas Filipe Luís tinha uma estratégia. O plano tático do técnico foi seguido à risca pelos jogadores. A verdade é que o que menos importa para o torcedor é como o Flamengo conquistou o título. A conquista basta por si só. Finais geralmente são feitas de jogos truncados e tensos.
O que importa é que não houve espaço para repetir 2021. O fantasma não assustou. Foi exorcizado. O Fla é dono da América em cima do seu maior rival no continente.
O time fez história e se tornou o primeiro brasileiro a ser tetracampeão da Libertadores. Um título de Filipe Luís, Arrascaeta, Bruno Henrique e Danilo, mas de muito mais gente. De uma nação que ocupou Lima nos últimos dias, que atravessou céus, estradas, rios e oceanos e voltou a sorrir no lugar onde havia sido mais feliz no passado recente.
Local onde o Flamengo começou a escrever uma história de supremacia na América do Sul e que o dará, pela terceira vez em seis anos, mais uma chance de conquistar o mundo de novo.
Saiba o segredo por trás do gol do tetracampeonato do Flamengo
O Flamengo venceu o Palmeiras e conquistou o tetracampeonato da Libertadores, tornando-se o primeiro brasileiro a completar esse feito. Danilo foi o herói da partida, autor do único gol no Monumental de Lima. Mas qual foi o segredo por trás desse lance?
Danilo descobriu que seria titular na manhã de sábado, dia do jogo. Ortiz foi preparado para retornar nesta final, mas um incômodo no tornozelo direito, o qual tinha lesionado, no treino de sexta o impediu de ser titular. Foi então que a comissão técnica do Flamengo preparou um plano de jogo com o camisa 13.
Rodrigo Caio se juntou à comissão técnica de Filipe Luís em maio e, desde então, tornou-se um dos personagens principais na preparação das bolas paradas, tanto defensivas quanto ofensivas. Mas ele não trabalhou sozinho. Para executar o treinamento em campo, há um trabalho feito fora dos gramados.
Os analistas de desempenho do Flamengo se dividem para apresentar os dados de qualquer fase do jogo para a comissão técnica. No caso do Rodrigo Caio, ele estuda e analisa os dados das bolas paradas de olho nos pontos fortes e fracos dos adversários. No ensaio dos lances, Filipe Luís está sempre ao lado do ex-zagueiro. O auxiliar Marcio Torres é outro que participa ativamente.
Rodrigo Caio foi a peça escolhida a dedo por Filipe Luís para compor a sua comissão técnica depois da demissão de Alegria, que era um dos responsáveis pelos treinos de bola parada e foi demitido pelo Flamengo em maio. A decisão se passou pela necessidade de ter alguém com vivência dentro de campo e que pudesse usar esta experiência para discutir as decisões do dia a dia.
A carreira como zagueiro o consolidou para trocar informações sobre bola parada e, aos poucos, tornou-se a referência na comissão técnica. Curiosamente, com os ensinamentos de um ex-zagueiro multicampeão, os defensores do elenco colecionam bons números.
Ao todo, na temporada, Danilo tem quatro gols e duas assistências em 34 jogos, e Léo Ortiz tem exatamente a mesma participações em gols, mas em 52 jogos. Enquanto isso, Léo Pereira soma cinco gols em 59 partidas.