Sthefany Brandalise
Todos os dias, cerca de 250 crianças e adolescentes, entre 6 e 17 anos, encontram na AMAS Sementinha, em Teixeira Soares, muito mais do que um espaço para permanecer no contraturno escolar. Ali, eles descobrem talentos, constroem amizades, aprendem novas habilidades e encontram um ambiente onde são acolhidos, incentivados e preparados para o futuro.
A unidade faz parte da Associação Menonita de Assistência Social (AMAS), organização fundada em 6 de setembro de 1970, em Palmeira (PR), pelo professor e pastor Peter Pauls Junior. Desde então, a entidade tem como visão transformar vidas através da sua missão: acolher crianças e adolescentes e abençoar famílias e comunidade.

Em Teixeira Soares, o trabalho teve início em 2017, dando continuidade ao trabalho da Obra Missionária que foi fundada nos anos 80, e, desde então, tornou-se referência no atendimento de crianças e adolescentes do município.
O coordenador da unidade, Marcos Roberto de Assis, explica que o principal objetivo é oferecer oportunidades para que cada criança descubra suas potencialidades. “Nós desenvolvemos aqui o serviço de convivência e fortalecimento de vínculos através dos percursos e de várias oficinas, como música, esporte, informática, balé e dança. Como somos uma instituição da assistência social, trabalhamos de uma forma diferente da escola. As crianças podem escolher as oficinas com as quais mais se identificam. Cada uma tem um dom, um talento, e nosso papel é ajudá-las a desenvolver esse potencial”, disse.


Fotos: Reprodução AMAS Sementinha
Grande parte das crianças atendidas chega à instituição por encaminhamento do CRAS, mas o espaço também recebe participantes por procura espontânea. Segundo Marcos, o objetivo vai muito além da assistência social. “Funcionamos em parceria com o CRAS e a maioria das crianças é encaminhada por ele. Mas também atendemos famílias que procuram espontaneamente a instituição. Muitas vezes os pais trabalham o dia todo e precisam de um lugar seguro, onde os filhos possam conviver, aprender e desenvolver habilidades”, explica.
Atualmente, a unidade é mantida por uma união de esforços. Os recursos vindos do exterior, principalmente da Alemanha e da Suíça, representam cerca de 15% do orçamento. A maior parte da manutenção é garantida por igrejas menonitas, doadores brasileiros e contribuições do poder público. “Temos parceria com a Prefeitura de Teixeira Soares, que contribui com parte dos custos do atendimento. Também contamos com padrinhos da Alemanha, igrejas parceiras, voluntários e pessoas que fazem doações mensalmente. Essa união é fundamental para manter o trabalho”, conta.
A história da AMAS também é marcada por uma forte relação com a Alemanha. Desde a década de 1980, voluntários europeus participam dos projetos desenvolvidos pela instituição. Em Teixeira Soares, essa parceria continua viva. “Como a associação tem origem ligada aos descendentes alemães, muitos voluntários acabam conhecendo a instituição por meio de organizações daquele país. Eles vêm servir por um período, convivem com as crianças e acabam se apaixonando pelo Brasil”, conta Marcos.

Fotos: Reprodução AMAS Sementinha
Para o coordenador, cuidar das pessoas é o maior diferencial da instituição. “Nossa missão é acolher crianças, adolescentes, famílias e comunidades. Vejo isso acontecendo todos os dias. Nós oferecemos oportunidades e mostramos para cada criança que ela tem valor e pode construir um futuro diferente”, diz Marcos.
Entre os profissionais que integram a equipe está a educadora social Lorena Tamires Rosa, responsável por dois grupos de pré-adolescentes, além de atuar na acolhida dos alunos e na condução dos percursos educativos. Ela explica que, neste ano, o trabalho está voltado ao protagonismo infantil e ao desenvolvimento das relações familiares. “Na acolhida ensinamos princípios cristãos e desenvolvemos atividades voltadas ao protagonismo. Também trabalhamos comunicação assertiva. É muito bonito perceber que eles levam isso para casa, aprendem a conversar melhor com os pais, a reconhecer quando erram e até a pedir desculpas”, afirma.
A história da coordenadora Marianne Fuhrer de Assis mostra como a missão da AMAS atravessa fronteiras. Natural da Suíça, Marianne veio ao Brasil como voluntária em 1995 e se apaixonou pela missão. Hoje. Além de coordenadora também ministra oficinas de inglês para adolescentes. “Eu digo para eles que não estou aqui apenas para passar conteúdo. Quero que eles realmente aprendam. Procuro mostrar a importância de conhecer outra língua e também compartilhar um pouco da minha experiência de vida. Para mim, a AMAS é um pedacinho do céu”, afirma.
As voluntárias Angelina Dück e Annalena Gaus, vindas da Alemanha, também escolheram o Brasil para dedicar um período de suas vidas ao trabalho missionário. Angelina conta que sempre desejou servir a Deus. “Depois da escola, procurei uma organização missionária. Havia muitos países para escolher, mas escolhi o Brasil. Aqui ajudo as crianças em atividades, leitura e também na cozinha. Eu amo as crianças. Elas têm muito amor”.

Fotos: Reprodução AMAS Sementinha
Já Annalena encontrou na culinária uma forma de criar vínculos. “Sou formada em culinária e queria usar esse conhecimento para servir a Deus. Fiz oficinas de bolos, sobremesas e biscoitos com as crianças. No começo foi difícil porque eu não falava português, mas aprendi muito convivendo com elas. Gostei muito de Teixeira Soares”, conta.
Outra profissional que encontrou propósito na instituição foi a missionária Gabriela Ligas, professora de balé e baliza. Natural de São José do Rio Preto (SP), ela veio ao município durante uma missão e decidiu permanecer. “Quando conheci as crianças senti que Deus estava me chamando para ficar. Meu desejo é transmitir o amor de Jesus através da dança e das artes. Aqui encontrei um lugar onde posso viver esse propósito todos os dias”, disse.

Fotos: Reprodução AMAS Sementinha
A musicalização também faz parte da rotina da instituição. A instrutora Patrícia Rodrigues da Silva destaca que o aprendizado acontece de forma leve e divertida. “Trabalhamos com violão, flauta, fanfarra e outras atividades musicais sempre de maneira dinâmica. A gente ensina brincando, para que a música seja prazerosa. Mais do que aprender um instrumento, as crianças encontram carinho, respeito, alimentação, atenção e pessoas que realmente se preocupam com elas”, finaliza.
Ao longo dos anos, a AMAS expandiu sua atuação para diferentes municípios paranaenses, mantendo o lema que acompanha a instituição desde sua fundação: “Servir com o amor de Cristo”.
Em Teixeira Soares, esse propósito se traduz diariamente em acolhimento, educação, convivência e oportunidades para centenas de crianças e adolescentes.