Ariane Luz
Irati viveu uma tarde de susto na segunda-feira (28), depois que um alerta da Defesa Civil indicou risco de temporal, ventos fortes e queda de granizo. A tempestade não chegou ao município com a intensidade temida, mas o aviso foi suficiente para mudar a rotina de parte da população. Em poucos minutos, o medo tomou conta de moradores que decidiram voltar para casa, retirar veículos de áreas abertas ou buscar locais mais seguros antes da chegada da chuva.
O reflexo apareceu principalmente no trânsito. Em alguns pontos da cidade, a pressa coletiva criou pequenos nós, sobretudo em rotatórias. Com motoristas tentando atravessar ao mesmo tempo, em busca de preferência e rapidez, o fluxo ficou travado em alguns momentos. A cena mostrou um paradoxo comum em situações de alerta: a tentativa de proteção individual pode gerar desorganização coletiva quando falta calma, distância segura e respeito à dinâmica do trânsito.
O alerta assustou, mas Irati acabou ficando fora do núcleo mais severo da instabilidade. Segundo informações do boletim de ocorrências da Defesa Civil repassadas até o momento, não houve registros de estragos ou vítimas na região em decorrência do mau tempo de segunda-feira (28). O cenário foi diferente em cidades próximas e em outras áreas do Paraná, onde o avanço das tempestades provocou chuva forte, granizo e rajadas de vento.
Em Guarapuava, a instabilidade atingiu a cidade com mais força. Dados divulgados com base nas estações do Simepar apontaram acumulado de 26 milímetros de chuva até 16h30, sendo 13,6 milímetros em apenas 15 minutos, por volta das 15h30. A rajada mais forte chegou a 76,3 km/h às 15h15. Balanço divulgado à noite indicou atendimentos da Defesa Civil por ocorrências relacionadas a granizo, ventos fortes, alagamentos e inundações em bairros e distritos do município.
Ponta Grossa também registrou queda de granizo no fim da tarde, durante o temporal que avançou sobre a cidade. A chuva surpreendeu motoristas e reforçou o padrão observado em diferentes regiões do Estado: calor, umidade e instabilidade formando núcleos de tempestade capazes de se desenvolver rapidamente.
O Simepar já havia indicado que a semana marcaria o retorno das tempestades ao Paraná. De acordo com o instituto, a passagem de uma frente fria traria instabilidade ao Estado a partir de segunda-feira (28), com maior intensidade prevista para terça-feira (29). O boletim também apontou a atuação de um sistema de baixa pressão e a formação de um ciclone entre o Rio Grande do Sul e o Uruguai, cenário que favorece o aumento das instabilidades no Sul do Brasil.
Na tarde de segunda-feira (28), meteorologistas do Simepar já observavam áreas de instabilidade com pancadas de chuva e muitos raios, principalmente entre o Oeste, a região sudeste do Paraná e o Sul do Estado. Até aquele momento, os acumulados já chegavam a 34 milímetros em áreas próximas à divisa com Santa Catarina, enquanto imagens de radar indicavam chuva avançando sobre diferentes regiões paranaenses.
O levantamento atualizado pelo Simepar nesta terça-feira (29), também trouxe a dimensão da atividade elétrica registrada durante as tempestades. Conforme os dados divulgados, os sensores do instituto detectaram 15.653 raios nuvem-solo no Paraná na segunda-feira. Em algumas cidades monitoradas, os registros variaram de 94 a 765 descargas atmosféricas, número que ajuda a explicar a gravidade dos alertas emitidos ao longo do dia.
As rajadas de vento também chamaram atenção. Até as 16h30 de segunda-feira, Guarapuava liderava os registros mais fortes, com 76,3 km/h. Cândido de Abreu chegou a 62,3 km/h, enquanto o distrito de Horizonte, em Palmas, e outras localidades também tiveram ventos acima de 50 km/h. A chuva acumulada passou de 30 milímetros em municípios como General Carneiro e Palmas, segundo dados de estações monitoradas pelo Simepar.
O episódio em Irati deixa uma lição prática. Alertas meteorológicos não devem ser ignorados, mesmo quando a tempestade não se confirma sobre a cidade. Eles existem porque a atmosfera muda rápido e, em dias de instabilidade, poucos quilômetros podem separar uma tarde apenas nublada de um temporal com granizo, raios e vento forte. Ao mesmo tempo, a resposta da população precisa ser organizada. Sair em disparada, disputar passagem em rotatórias ou parar em locais inadequados pode criar novos riscos antes mesmo da chuva chegar.
A Defesa Civil orienta a população a acompanhar os avisos oficiais sobre chuvas de granizo, tempestades e vendavais e a manter canais de alerta ativados. Em caso de temporal, a recomendação é procurar abrigo em local seguro, evitar permanecer embaixo de árvores, não se aproximar de estruturas frágeis, placas, postes e fiações, retirar veículos de áreas expostas quando houver tempo e nunca enfrentar pontos de alagamento. O susto de segunda-feira passou sem danos em Irati, mas a semana segue sob instabilidade, e a prudência continua sendo a melhor defesa.