Karina Ludvichak, com reportagem de Nilton Pabis
Realizado entre os dias 7 e 9 de agosto, no Parque Municipal de Exposições, o 5º Festival do Cordeiro e do Laço movimentou São Mateus do Sul com uma programação voltada à ovinocultura, ao tradicionalismo e à gastronomia. Criadores, produtores e visitantes acompanharam julgamentos de animais, provas de laço e pastoreio, palestras e diferentes preparos à base de carne de cordeiro.
Um dos destaques desta edição foi a etapa do Ranking Paranaense de Ovinos, que chegou a 187 animais inscritos para julgamento, de oito raças diferentes. Na edição anterior, foram 111 animais, o que representa um crescimento de aproximadamente 68%. Somados os exemplares comerciais presentes no parque, o número de ovinos expostos passou de 200. Criadores do Paraná e de Santa Catarina participaram da programação.

A secretária de Agricultura e Desenvolvimento Rural de São Mateus do Sul, Alice Lemos Staniszewski, destaca que a realização da exposição de ovinos no município é resultado de uma mobilização que começou ainda na propriedade do ovinocultor Alisson Gabardo. Segundo ela, a iniciativa ganhou força e passou a integrar a programação no Parque de Exposições, após articulações com representantes da Ovinopar e produtores da região. “A partir desse contato, conversamos com o pessoal da Ovinopar, juntamente com o senhor Jorge, e conseguimos trazer também a exposição de ovinos para cá”, explica.
Para a secretária, o evento amplia a visibilidade da produção local ao reunir criadores do Paraná e de Santa Catarina. “São Mateus do Sul acaba se tornando uma vitrine para toda a região. Hoje temos vários produtores expondo seus animais, apresentando a genética dos seus rebanhos e mostrando a força da ovinocultura regional”, ressalta.
Segundo o presidente da Associação Paranaense de Criadores de Ovinos (Ovinopar), Jorge Augusto Szczypior, o evento funciona como uma vitrine para quem trabalha com genética e também para produtores interessados em melhorar seus rebanhos. “Aqui é onde se reúnem os animais para que o público possa vir, ver e escolher conforme a raça”, destaca. A Ovinopar reúne produtores de genética e promove 14 etapas de seu ranking ao longo do Paraná.
Além dos julgamentos, a programação também abriu espaço para conhecimento e troca de experiências. Na manhã de sábado (8), palestras abordaram temas relacionados à competitividade, mercado, oportunidades e desenvolvimento da ovinocultura, aproximando produtores de informações técnicas e novas possibilidades para a atividade.

Para Jorge, o potencial de expansão ainda é grande. Embora o Paraná avance na produção de cordeiros de maior qualidade, a oferta permanece abaixo da demanda. “O Paraná cresce na produção de cordeiros, de carne premium, mas está muito longe ainda de atender a necessidade de animais para suprir a demanda”, afirma.
A associação também trabalha em parcerias para estimular novos produtores, com possibilidades de financiamento para aquisição de matrizes, reprodutores e infraestrutura, além de assistência técnica. A proposta é ampliar a produção e, ao mesmo tempo, melhorar a qualidade dos rebanhos.
EVOLUÇÃO GENÉTICA EM PISTA
Responsável pelo julgamento dos animais em São Mateus do Sul, Everson Bravo chamou a atenção para o avanço registrado pelo evento de um ano para outro. Produtor rural e criador de ovinos, além de jurado, ele destacou que o aumento da participação demonstra o fortalecimento da atividade.
“Duplicou o número de animais de um ano para o outro. Isso orgulha o ovinocultor. Eu estou aqui como jurado, mas sou produtor rural e criador de ovelha, e nos orgulha demais ver essa pujança da ovinocultura”, afirma.
Durante o julgamento, são observadas características como padrão racial, funcionalidade, movimentação, aprumos e aptidão para produção de carne. A distribuição de musculatura nas regiões nobres da carcaça também integra a avaliação.
Everson explica que o melhoramento genético desenvolvido nas cabanhas tem ligação direta com a produção comercial, já que animais geneticamente superiores contribuem para cordeiros mais precoces e com melhor rendimento. Técnicas como inseminação artificial, transferência de embriões e fertilização in vitro já fazem parte desse processo.
Para ele, o mercado ainda apresenta amplo espaço de crescimento. “A gente não sabe qual é o teto desse mercado. Produzimos para o nosso país, temos visões do exterior, mas ainda não conseguimos suprir as nossas necessidades”, ressalta.
A programação também contemplou pequenos produtores, com exposição de animais comerciais que não participam do ranking. A iniciativa possibilita aproximar diferentes perfis de criadores e incentivar o uso de reprodutores melhoradores nos rebanhos.
CARNE DE CORDEIRO GANHA ESPAÇO
Outro eixo do festival foi a gastronomia. Criador de ovinos e um dos responsáveis pela iniciativa, Alisson Gabardo conta que o Festival do Cordeiro nasceu dentro de sua propriedade, inicialmente como uma forma de apresentar ao consumidor as características da carne de animais jovens. “Eu sou criador de ovinos e queria mostrar um pouquinho da minha produção e o que o cordeiro pode proporcionar”, relata.
O objetivo também era combater ideias equivocadas sobre o produto. Segundo ele, atualmente os cordeiros podem atingir condição de abate entre 100 e 150 dias, proporcionando carne de qualidade e maior precocidade.
O encontro gastronômico contou com mais de dez opções de preparos com cordeiro, além de apresentações de música nativista. O festival, que começou em edições anteriores com cerca de 80 participantes nas provas de laço, chegou neste ano a mais de 300 laçadores, demonstrando também o crescimento da programação tradicionalista. “O evento busca incentivar o produtor a criar o cordeiro, incentivar o desenvolvimento da cadeia produtiva de ovinos e fomentar a parte da gastronomia”, explica Alisson.
Entre os responsáveis pelos assados estava Walter Henrique Gaedicke, proprietário da WA Steak House, acompanhado por uma equipe que preparou costelas no fogo de chão, paletas e pernis no varal, cordeiro patagônico, borrego no rolete, hambúrgueres e cortes na parrilla. Alguns preparos ficaram aproximadamente oito horas no fogo. Para valorizar o sabor da carne, parte dos cortes recebeu apenas sal. “Quando a carne é saborosa, você não precisa agregar muita coisa para não roubar o sabor dela”, explica Walter.
Com genética, conhecimento, negócios, provas tradicionalistas e gastronomia reunidos em três dias, o festival reforçou São Mateus do Sul como ponto de encontro de produtores e interessados na cadeia da ovinocultura. Além de apresentar ao público a evolução dos rebanhos, o evento também abriu espaço para estimular novos criadores e ampliar o consumo da carne de cordeiro.