Karina Ludvichak
A 44ª Festa do Pêssego de Irati, que aconteceu entre os dias 5 e 7 de dezembro, encerrou sua programação com números expressivos e clima de comemoração entre organizadores, produtores e expositores. Realizada ao longo de três dias, a festa movimentou mais de R$ 270 mil em vendas. De acordo com o balanço feito pela Secretaria Municipal de Agricultura, Abastecimento e Segurança Alimentar, foram comercializadas cerca de 15 toneladas de pêssego e 4 toneladas de ameixa, além de um volume significativo de produtos derivados.

A edição de 2025 contou com diversas novidades como shows ao vivo com cantor nacional e artistas locais, 1ª Concurso da Rainha da Festa do Pêssego e 1ª Festa do Produtor Iratiense, atraindo um grande público no Parque Aquático.
Segundo dados divulgados pela Secretaria Municipal de Agricultura, somente na venda de sucos de morango, uva e pêssego, os produtores instalados na Praça do Pêssego alcançaram aproximadamente R$ 32 mil. Já as vendas diretas de frutas totalizaram cerca de R$ 120 mil em pêssegos e R$ 35 mil em ameixas. A Feira de Sabores, espaço que reuniu agroindústrias familiares, artesãos e pequenos empreendedores, movimentou mais de R$ 90 mil entre os expositores, reafirmando a importância da diversificação produtiva e do fortalecimento do comércio local.
Para o secretário municipal de Agricultura, Amilton Brandalize, o evento simbolizou uma retomada importante para o município, tanto no aspecto cultural quanto econômico. Segundo ele, o clima foi de dever cumprido pela gestão municipal e pelas equipes envolvidas na organização. “No terceiro dia de festa nós estamos nos sentindo tranquilos, porque fizemos o nosso dever, juntamente com a gestão Emiliano e Larissa, uma grande festa do Pêssego”, afirmou.

Ao comentar sobre o envolvimento dos produtores e o resultado geral da festa, Amilton destacou a satisfação dos participantes e o bom desempenho das vendas. “Todo mundo está contente, os produtores estão contentes, a feira de sabores está tranquila, todo mundo está vendendo. Eu acho que foi sensacional para eles”, declarou. Ele também ressaltou que as inovações implementadas nesta edição foram decisivas para ampliar o público, como a retomada do concurso da rainha, a realização de shows nacionais e a criação de novos espaços, como a Feira do Produtor.
Outro ponto destacado por Brandalize foi a organização entre os expositores em relação aos preços praticados, o que contribuiu para um ambiente de harmonia e competitividade justa. “Ficou acordado entre eles que seria um preço só entre todos, porque nós também acreditamos que a safra está muito boa esse ano. Você pode ver como está a produção e a qualidade do nosso pêssego, que é o melhor pêssego do Brasil”, disse. Segundo ele, o resultado foi um preço acessível ao consumidor e um giro intenso de vendas.

Entre os produtores, o sentimento também foi de satisfação. Alfredo Van Der Neut, participante veterano da festa, acompanha o evento desde a década de 1980 e observou de perto a evolução da estrutura e da organização ao longo dos anos. “Essa Festa do Pêssego, você sabe que ela existe desde 1977. Eu participo das festas desde 1980, estamos ficando velhos aqui. E eu tenho visto que, na verdade, durante esse tempo evoluiu muito”, relatou.
Ele destacou o trabalho conjunto entre a Prefeitura e a Associação dos Fruticultores, além da diversidade de produtos ofertados ao público. “Hoje nós temos uma festa muito bonita, a Prefeitura está de parabéns, porque junto com a Associação dos Fruticultores, organizaram, e todos nós participamos dessa organização”, afirmou. Em sua banca, a família comercializou pêssegos, ameixas e sucos naturais de pêssego, morango e amora.
Alfredo também comentou a importância econômica do evento para os pequenos produtores. “Eu acredito que todos os fruticultores que estão aqui vão sair satisfeitos. E isso é a recompensa para aquele que trabalha, para aquele que produz”, disse.
A inovação no aproveitamento da produção também ganhou destaque com a participação de Alex Cosmos, da vinícola Cosmos, que apresentou o vinho fermentado de pêssego. A iniciativa surgiu como alternativa para reduzir perdas em safras anteriores. “A gente começou a fazer esse produto quando o pessoal começou a ter muita perda de pêssego e começaram a procurar a gente para ver se tinha algum aproveitamento”, explicou.
Ele detalhou o processo de produção, que envolve o uso de pêssegos bem maduros, leveduras e um período prolongado de fermentação. “Basicamente, a gente moe o pêssego e ali vai junto a levedura para ajudar na fermentação, um pouco de água para ajudar e açúcar também, açúcar cristal. Depois ele vai fermentar ali em torno de uns três a quatro dias, e fica mais uns dois, três meses na fermentação”, relatou.
Para Alex, a Festa do Pêssego se tornou uma vitrine importante para o produto. “Aqui na Festa do Pêssego, o pessoal passa aqui e às vezes até esquece do vinho de uva, eles olham direto no vinho de pêssego”, comentou, avaliando positivamente a edição deste ano. “Das edições que a gente participou essa é a que está mais bombando. Tem muita gente, gente de todo lugar”, afirmou.
O produtor Tiago Janisch também relatou forte movimento em sua banca, especialmente com os produtos à base de morango. “Além da fruta, nós temos o suco, que é de morango natural, estamos também com o bombom, com o morango do amor e temos espetinho e tinha mais coisa, mas já acabou, vendemos tudo, e as frutas também, já foi tudo”, disse o produtor durante o último dia de festa.
Segundo Janisch, o clima favorável contribuiu para uma safra de alta qualidade. “Esse ano a produção superou, o clima ajudou, e agora com o calor, a expectativa é ter mais frutas”, disse.
Já os produtores Denise Zavoiski e José Zavoiski ressaltaram a importância da diversificação da produção para garantir renda e estabilidade. Além de frutas e sucos, eles também produzem geleias, bolachas, pães e fornecem para a merenda escolar. “Hoje a gente está trazendo morango, está trazendo suco de pêssego, suco de morango. Também tem a geleia de morango. Também a gente sempre tem que diversificar a propriedade”, explicou Denise.
Ela fez questão de esclarecer que a produção é convencional. “A nossa produção não é orgânica. É convencional mesmo. A gente trabalha lá com os planificados”, afirmou. O casal realiza entregas semanais para as escolas do município.
José, com mais de 20 anos de experiência na produção, destacou a evolução tecnológica no cultivo do morango. “Hoje os morangos são tudo de calha, que é uma tecnologia melhor de você fazer ele produzir mais”, explicou. Para ele, a inovação é indispensável. “Então não é só plantar, tem muita técnica envolvida, investimento, dedicação por trás de todo esse trabalho”, afirmou.
Ao avaliar o evento, Denise foi direta. “Na nossa tenda teve muita procura. O nosso suco está com um bom preço. O povo está procurando bastante. Eu avalio que a festa é muito boa, nota 10 mesmo”, disse. Para os consumidores que não puderam comparecer à festa, a família disponibilizou contato direto para vendas. “Deixo aqui meu telefone, para quem quiser comprar nossos produtos. (42) 9 9931-5333, é WhatsApp”, informou José.
Com resultados expressivos em vendas, alta participação do público e aprovação dos expositores, a 44ª Festa do Pêssego de Irati reafirma seu papel como impulsionadora da economia local, vitrine da agricultura familiar e espaço de valorização da cultura e das tradições do município.