Ariane Luz
A 2ª Feagro de Imbituva chega com uma programação mais ampla e com a ambição de se firmar como um dos principais encontros entre produção rural, conhecimento técnico, cultura e comunidade no município. A feira, criada em 2025, nasceu como iniciativa da gestão municipal e ganhou corpo a partir da participação de secretarias, instituições, empresas, produtores, agroindústrias familiares e entidades sem fins lucrativos.
A proposta central é clara: tirar o campo do isolamento simbólico e colocá-lo no centro da vida pública do município. Em entrevista à Folha de Irati, Cris destacou que o evento cresceu depois da avaliação da primeira edição e passou a ser construído de forma ainda mais coletiva. “A programação de 2026 vem mais robusta comparada à primeira edição. Tudo que contempla hoje esta programação foi construído entre várias instituições, com várias pessoas, por várias mãos”, afirmou.
Embora seja uma iniciativa da Secretaria de Agricultura, a Feagro envolve diferentes setores da administração municipal. A programação reúne apresentações escolares, atrações culturais, shows musicais, feira de negócios, praça de alimentação e espaços de comercialização para produtores rurais e agroindústrias familiares. Para Cris, esse formato fortalece o evento porque amplia sua função social. “O evento não é terceirizado. Ele é feito por toda a sociedade”, disse.
A presença das entidades locais também dá ao evento um caráter solidário. Parte dos recursos arrecadados dentro da feira será destinada a instituições sem fins lucrativos, que atuam com trabalho voluntário no município. Na prática, a Feagro busca movimentar a economia, valorizar quem produz e, ao mesmo tempo, fortalecer organizações que prestam serviços à comunidade.
Um dos pontos fortes da programação será a Manhã Técnica Feagro 2026, criada para unir conhecimento e lazer. A agenda terá palestra magna com o secretário de Estado da Fazenda, Norberto Urtigara, que deve abordar o desenvolvimento rural a partir da realidade de Imbituva e do Paraná. Também estão previstos painéis sobre economia, agroindústria, NR-01 e saúde mental, em formato mais curto e com espaço para debate entre palestrantes e participantes.
A abertura oficial ocorre na sexta-feira, dia 11, às 13h30, com lançamentos da Secretaria de Agricultura. Entre eles está a entrega do selo SUSAF à primeira agroindústria de produtor rural do município, permitindo a comercialização dos produtos em todo o Estado. Outras três agroindústrias familiares também receberão o selo do Serviço de Inspeção Municipal de Produtos de Origem Animal, sendo duas queijarias e uma agroindústria de embutidos.

A sexta-feira terá ainda apresentação das escolas municipais, reunião com secretários da região em parceria com a Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, além da posse para reativação do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural e do Conselho Gestor do Território Centro-Sul do Paraná. À noite, a programação segue com o concurso da Rainha, que terá 13 candidatas, e show de Bizon e Comaceto.
O concurso da Rainha ganhou força nesta edição. No ano passado, foram sete inscritas; agora, são 13 candidatas. A ampliação também veio acompanhada de uma mudança no regulamento, permitindo a participação de mulheres da área urbana. Cris explicou que a decisão atendeu a um pedido das próprias mulheres e levou em conta a identidade rural de Imbituva. “Todas representam as mulheres do campo”, afirmou.
Mais do que uma disputa de faixa e coroa, o concurso pretende valorizar a presença feminina ligada ao campo e à cultura local. As candidatas terão vestimentas inspiradas na identidade cultural do município e devem contar com apoio das torcidas organizadas. “Elas estão muito empolgadas, dedicadas, engajadas. O propósito é valorizar a mulher do campo em sua essência”, disse Cris.
No sábado, a programação terá encontro de mulheres e o lançamento do livro “Inovação com Alma”, de Nathalie Furman, moradora de Imbituva e idealizadora de um hub de inovação no município. A venda dos exemplares será destinada a uma instituição local. Na sequência, haverá palestra sobre protagonismo feminino com Cirnei Bennett, comunicadora do agro. À noite, o parque recebe concurso musical com representantes das comunidades rurais nas categorias adulto, infantil e infantojuvenil, além de show da dupla Davi e Fernando.


O domingo será marcado por atividades voltadas à família, à religiosidade e às tradições locais. Estão previstos passeio ciclístico pela rota do turismo religioso, torneio de pesca e missa campal às 10h30, com ritualística voltada aos agricultores. A pedalada sairá da Paróquia Santo Antônio, passará pela Ribeira, pelo museu de bicicletas e equipamentos antigos de um morador da comunidade, pela Igreja de Bela Vista do Carmo e pela Capela São José, no Morro das Pedras, antes de chegar ao parque.
A programação dominical também terá roda de violeiros ao meio-dia e almoço típico italiano preparado pelo Santuário da Ribeira. Os convites são limitados e estarão disponíveis na Secretaria de Agricultura, na comunidade e em pontos comerciais que serão divulgados. À tarde, haverá apresentação da banda Txelovores e, às 15h, no encerramento, show da Orquestra Paulistana de Viola Caipira. No sábado e no domingo, as crianças terão brinquedos infláveis, rapel e escalada gratuitos.

A feira de negócios ocupará todo o parque, com pavilhão, tendas de empresas, maquinários e o espaço Sementes da Terra. O espaço reunirá 23 iniciativas locais, incluindo produtos de agroindústrias, o queijo lançado durante a programação e o primeiro orquidário de Imbituva. A proposta é apresentar ao público a produção que sustenta parte importante da economia local e dar visibilidade a empreendimentos que nascem dentro do próprio município.
Cris resume a Feagro como um espaço de diversão, conexão e conhecimento para as famílias. “Venham prestigiar a 2ª Feagro Imbituva. Serão todos muito bem-vindos”, convidou. A frase carrega o tom de festa, mas o evento vai além da programação de palco. Ao reunir produtores, empresas, entidades, escolas, lideranças e famílias, a Feagro tenta mostrar que o campo não é apenas origem da produção: é também território de cultura, renda, inovação e vida comunitária.