Esther Kremer
Na próxima sexta-feira (03), o Centro de Tradições (CT) Willy Laars receberá um dos eventos mais tradicionais e aguardados do calendário religioso de Irati e região. A 28ª edição da encenação da Paixão de Cristo, intitulada “Do Caminho do Calvário à Ressurreição”, terá início às 19h30, unindo tradição, arte e uma estrutura de grande porte para rememorar os últimos momentos de Jesus Cristo segundo o Evangelho.
Realizado pelo Grupo de Teatro São Francisco de Assis, o espetáculo conta com o apoio institucional da Prefeitura de Irati e da Diocese de Ponta Grossa. A apresentação é vista pela comunidade religiosa e pela própria Diocese de Ponta Grossa como um “patrimônio vivo”, que atravessa gerações e atrai anualmente mais de seis mil espectadores.

28ª edição da encenação da Paixão de Cristo é intitulada “Do Caminho do Calvário à Ressurreição” – Foto: Esther Kremer
A edição de 2026 carrega um simbolismo especial. O ano foi denominado pelo Papa Leão XIV como o “Ano de São Francisco de Assis”, em celebração aos 800 anos do trânsito do Santo que dá nome ao grupo organizador. Para o presidente do grupo, Vanderlei Kawa, o evento é o resultado de uma entrega voluntária que desafia o tempo. “É um patrimônio onde nos dedicamos a levar o Evangelho através da arte de encenar”, destaca.
O diretor artístico, Kinho de Oliveira, que está à frente da montagem há quase três décadas, reforça que a logística para colocar o espetáculo de pé é, por si só, um fenômeno comunitário. “São cerca de 300 figurantes no palco, entre crianças, jovens e idosos, e outras 300 pessoas atuando nos bastidores, somando uma força de trabalho de mais de 600 colaboradores diretos e indiretos. Então é muita gente mesmo participando e vivendo esse momento de fé”, comenta o diretor.


Fotos: Esther Kremer
Inovações e Experiência do Público
Para garantir que a mensagem chegue com clareza a todos os presentes, a organização investiu em tecnologia. Este ano, o CT Willy Laars contará com cinco telões de LED de alta definição, estrategicamente posicionados para permitir que o público acompanhe cada detalhe da interpretação, mesmo à distância. Isso acontece devido ao grande volume de expectadores que devem prestigiar o espetáculo.
Outra novidade desta edição é a introdução ao teatro com uma cena ambientada nos dias atuais que servirá de ponte para o relato histórico, provocando uma reflexão sobre a paz e o amor em um mundo contemporâneo marcado por conflitos. “Se a gente não tiver paz no coração, como é que você vai querer paz para as outras pessoas? Então, o objetivo é reviver essa história para que esse exemplo de amor de Jesus Cristo, que morreu na Cruz pelos nossos pecados, e por todos, independente de justos ou injustos. Isso tem que ser relembrado, tem que ser revivido a cada dia, na escola, na família, em todos os ambientes que a gente estiver, porque é a mensagem que vai conseguir mudar o mundo”, explica Kinho.
Vanderlei também comenta sobre a reclamação de algumas pessoas envolvendo a expectativa do público por coisas diferentes na encenação. “Algumas pessoas reclamam que todo ano é a mesma coisa. Claro, o Evangelho do Cristo se renova a cada missa, a cada culto que os evangélicos, os cristãos fazem, e é uma catequese. Se nós conseguirmos converter apenas uma pessoa, teremos alcançado o objetivo”, disse.
“Como dizia o Frei Rufino, só de conseguirmos reunir 300 pessoas em um mesmo lugar para fazer um ensaio, para prestigiar e fazer parte de cada cena do Evangelho de Jesus Cristo, já é um milagre. Agora, imagina essas 300 pessoas conseguirem atrair mais cinco, seis mil pessoas para prestigiarem e reviverem juntos. Esse, realmente, nos nossos dias de hoje, é um verdadeiro milagre”
Kinho de Oliveira
O espetáculo também é um momento de homenagem. Kinho e Vanderlei recordam dos 73 membros que já faleceram ao longo dessas quase quatro décadas de história, mas que deixaram um legado de dedicação. “Hoje, é comum ver famílias inteiras no palco, onde filhos que começaram como “anjinhos” agora atuam ao lado de seus pais, mantendo viva a chama da tradição. A cada início de trabalho eu me emociono, porque eu lembro de cada um deles desses irmãos que já se foram. São 73 pessoas que não saem do coração da gente, porque foram pessoas que acreditaram nesse trabalho e dedicaram o que existe de mais precioso nesse mundo, que é o nosso tempo”, comenta Kinho.


Fotos: Esther Kremer
A entrada é gratuita, e a organização recomenda que o público chegue com antecedência ao CT Willy Laars para garantir acomodação, evitar trânsito e vivenciar a atmosfera de reflexão que precede a encenação.

Rio Azul prepara encenação da Paixão e Morte de Jesus
Além da grande mobilização em Irati, o município de Rio Azul também se prepara para um dos momentos mais emocionantes da Semana Santa. A tradicional encenação da Paixão e Morte de Jesus acontece nesta sexta-feira (27), diferente dos anos anteriores.
O evento será realizado em frente à Igreja Sagrado Coração de Jesus, na Praça Tiradentes, com início marcado para as 20h30. A apresentação é fruto do esforço de voluntários e do Grupo de Teatro, além da equipe da Secretaria de Cultura de Rio Azul.
“A mudança busca ampliar a participação da comunidade e facilitar o acesso do público. Ao todo, o espetáculo será composto por 18 cenas cuidadosamente preparadas, conduzindo o público por uma narrativa envolvente que retrata com intensidade e sensibilidade os acontecimentos da paixão, morte e ressurreição de Cristo”, destaca Adão Amorim, um dos organizadores do evento.